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Capítulo 3 Companheiro

Ponto de vista de Elena

Relaxei meu corpo instantaneamente para fazê-lo pensar que havia desistido de lutar. No momento em que ele baixar a guarda, eu atacaria.

O cheiro de álcool exalava do seu hálito enquanto ele dizia com um sorriso: "Boa garota, sabia que você iria se render."

Em seguida, começou a levantar meu vestido desajeitadamente, o deixando escapar das suas mãos algumas vezes.

Boa garota. Boa garota. Boa garota.

Um sinônimo de capacho.

Eles sabiam que eu aguentava tudo o que fizessem comigo, e eu aceitava sem dizer nada porque estava com muito medo de tentar desafiá-los.

Peguei a garrafa de água sanitária, a joguei no seu rosto e, o empurrando para longe de mim, comecei a correr. Quando saí do banheiro, ouvi seus gritos e xingamentos.

"Volte aqui!", ele gritou, sua voz raivosa ecoando pelas paredes do banheiro.

Corri ainda mais rápido.

Meus olhos ficaram embaçados, e toquei minhas bochechas, as sentindo molhadas. Nem sequer tinha percebido que estava chorando.

Enquanto enxugava minhas lágrimas furiosamente, pensava que nenhum deles merecia minhas lágrimas. Eles mataram a única família que me restava, roubaram meu status e me incriminaram pelos seus crimes.

Por dez anos, sofria em silêncio, esperando que um dia a Deusa da Lua viesse me resgatar e ajudar a provar minha inocência.

Rezava inúmeras vezes, implorando por uma chance sequer, mas a Deusa da Lua permaneceu em silêncio e me deixou apodrecer.

De repente, parei de correr.

Agora, estava na sede da matilha. Com meus hematomas e roupas rasgadas, eu devia parecer um espetáculo e tanto.

Enquanto caminhava, ouvi sussurros como "assassina" e "o que ela está fazendo?", mas os ignorei e fui diretamente para o centro, onde todos pudessem me ver.

Desde o momento em que entrei, um par de olhos dourados se fixou em mim intensamente — os olhos do Alfa Draven.

Eu não o conhecia, mas sabia que ele era o único Rei Alfa com olhos dourados. Ele estava vestido com um terno preto simples, mas sentado ali, sua aparência ameaçadora compensava a simplicidade da roupa.

Seu cabelo preto caía em ondas grossas sobre seus ombros largos, destacando suas maçãs do rosto salientes, um maxilar forte e lábios que pareciam raramente se suavizar em um sorriso.

Inclinei a cabeça para ele, em busca da sua permissão. Ele acenou com a cabeça uma vez, e os guardas que estavam se aproximando de mim discretamente recuaram.

Todos estavam com os olhos fixos em mim, curiosos para saber o que a escrava da matilha tinha a dizer.

Limpei a garganta e comecei a falar, minha voz saindo firme e forte.

"Dez anos atrás, minha mãe foi assassinada e fui acusada pelo assassinato."

Encarei Sophia.

"Desde então, fui forçada a arcar com as consequências de um crime que não cometi. Todos vocês me deram as costas no momento em que mais precisei, sem nem me permitirem lamentar pela morte dela. Então, hoje, me recuso a ser um membro desta matilha. De agora em diante, não devo nada a vocês."

Eles começaram a rir, e alguns membros da matilha até comentaram "Que alívio" e "Ninguém te quer aqui mesmo".

Luna Sophia assistia a tudo com um sorriso no rosto, sem se dar ao trabalho de rebater minhas palavras. Isso era o que ela queria o tempo todo. Ela não podia me matar, mas se conseguisse me forçar a sair, seu objetivo seria alcançado de qualquer forma.

Após respirar fundo, continuei com uma voz mais alta: "Hoje, com a Deusa da Lua como minha testemunha e sob os olhos de todos aqui, rejeito Alfa Carter como meu companheiro."

Imediatamente, o salão ficou em silêncio, e os membros da matilha se entreolharam com perplexidade.

Luna Sophia estava de pé, me encarando ferozmente, mas não dei atenção a ela.

No momento em que rejeitei o vínculo de companheiros, foi como se algo que estivesse fortemente preso dentro de mim tivesse se soltado, me permitindo respirar mais livremente.

Quando me virei para agradecer ao Alfa Draven, ele inesperadamente se levantou e começou a vir na minha direção. Ele era um homem muito alto, com pelo menos 1, 88 de altura, enquanto eu tinha 1, 52.

À medida que ele se aproximava, o cheiro de sândalo e pinho fresco invadia minhas narinas, me envolvendo e aliviando minhas dores. Respirei fundo, desejando sentir mais desse aroma.

Nesse momento, uma voz que há muito tempo estava em silêncio dentro de mim, a voz da minha loba Lara, ressurgiu.

Meu...

Alfa Draven estendeu a mão para tocar meu rosto, a voz suave de surpresa: "Companheira."

"Onde ela está! Alguém, tire ela daqui!", Alfa Carter gritou enquanto entrava no salão com os olhos vermelhos. Grande parte da sua camisa preta estava manchada de marrom por causa da água sanitária, e até rasgada em vários lugares.

Seus olhos percorreram o salão à minha procura. Assim que me viu, veio até mim e tentou me afastar do Rei Alfa Draven. Me encolhi em resposta, mas quando olhei para ele novamente, sua mão foi segurada pela do Rei Alfa Draven, que a apertava com força.

O rosto do Alfa Carter ficou vermelho de raiva, e jurei que ouvi alguns ossos estalarem.

Cerrando os dentes, ele disse em um tom zombeteiro: "Você é o Rei Alfa, mas não deve interferir na resolução de disputas entre um Alfa e os membros de sua matilha, não é? Isso é um assunto particular entre mim e um membro da minha matilha, Alfa."

O Rei Alfa Draven respondeu lentamente, como se estivesse escolhendo suas palavras com cuidado: "Não, não vou interferir nos assuntos da sua matilha."

Alfa Carter me lançou um olhar de vitória, prestes a me agarrar novamente, quando o Rei Alfa Draven acrescentou: "Mas vou interferir quando minha companheira estiver sendo ameaçada."

"Companheira?", Alfa Carter gaguejou, seus olhos arregalados. "Como ela pode ser sua companheira? Ela é obviamente..."

Ele se interrompeu, percebendo que estava prestes a se expor.

Seus olhos se desviaram para mim, e vi raiva neles. Com um sorriso de escárnio, ele disse: "Então foi por isso que senti aquela dor."

Ao ver que seu marido estava em desvantagem, Luna Sophia se aproximou para intervir e tentar apaziguar a situação.

Após fazer uma reverência profunda ao Rei Alfa Draven, ela falou: "Meu companheiro ofendeu o senhor, Rei Alfa. Peço que seja misericordioso. Ele não sabia que ela era sua companheira. Elena não encontrou seu companheiro há mais de uma década. Acreditamos que seja um castigo da Deusa da Lua pelo assassinato da própria mãe."

Eu sabia bem o que ela estava fazendo. Ela fingia estar apaziguando a situação, mas na verdade estava me acusando. Seu objetivo era fazer com que o Alfa Draven me rejeitasse.

Apesar disso, me mantive contida, pois queria ver como o Rei Alfa Draven reagiria.

Isso é tudo que está disponível no momento.

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Lista de capítulos

156 capítulos no total

  1. Capítulo 1Capítulo 1 Escrava
  2. Capítulo 2Capítulo 2 Boa garota
  3. Capítulo 3Capítulo 3 Companheiro

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