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Capítulo 1 1
O eco dos tiros ainda ressoava nos ouvidos de Valeria. Sua respiração era irregular, e as batidas frenéticas de seu coração abafavam qualquer outro som ao redor. Tudo aconteceu rápido demais: um evento de caridade, luzes piscando, taças de champanhe e, de repente, o caos. As pessoas gritavam. Corpos caíam. E ela... ela teria sido uma dessas vítimas se não fosse por ele. Sua mente ainda tentava processar. Um segundo antes, brindava com um diplomata francês; no seguinte, alguém a derrubava no chão, cobrindo-a com seu próprio corpo. Sentia o peso de seu salvador sobre ela, sua respiração quente contra seu ouvido. - Não se mova - ordenou uma voz grave e controlada. Valeria não conseguiu ver seu rosto com clareza, apenas distinguiu olhos escuros e frios que analisavam o ambiente com precisão calculada. Ele não tinha medo. Não estava surpreso nem assustado. Era como se já esperasse por isso. Os tiros cessaram, e a confusão tomou conta da multidão. Gritos e soluços ecoavam pelo salão, mas antes que Valeria pudesse se levantar, sentiu uma forte pressão em seu pulso. - Precisamos sair. Agora. - O quê? Quem é você? - Não há tempo. Ele a puxou com força e, sem dar espaço para protestos, a guiou pelo salão devastado. Passaram pelos corredores do hotel como sombras, evitando os seguranças e a polícia que já entrava no local. - Espere... Eu não posso simplesmente ir embora... - murmurou ela, tentando soltar o braço, mas o aperto dele era firme. O desconhecido virou o rosto para ela, e desta vez Valeria conseguiu vê-lo melhor. Ele não era um homem comum. Era alguém acostumado à guerra. Sua mandíbula marcada, seu olhar intenso e sua postura rígida o denunciavam. Ele não era um salvador. - Se ficar, estará morta em minutos - disse ele com firmeza. Algo no tom dele fez um arrepio percorrer sua espinha. Ela quis negar, mas a lógica dizia que ele estava certo. Antes que pudesse fazer mais perguntas, ele a empurrou por uma porta lateral que dava para um beco escuro. Uma motocicleta preta os esperava ali. - Suba. - Por que eu faria isso? - Porque aqueles que tentaram te matar ainda estão te procurando, e eu sou a única razão pela qual você continua viva. Valeria engoliu em seco. Algo dentro dela gritava para não confiar nele, mas o medo do desconhecido era ainda mais aterrorizante. Sem outra opção, subiu na moto, sentindo o calor do corpo de seu salvador quando ele ligou o motor. Ela não sabia quem ele era. Não sabia por que a ajudava. Mas algo lhe dizia que, ao tomar essa decisão, sua vida nunca mais seria a mesma. O ronco do motor cortou a noite como um raio. Valeria se agarrou à jaqueta de couro do homem que a havia salvado, sentindo o vento gelado cortar sua pele enquanto a motocicleta deslizava pelas ruas desertas de Paris. Ela não ousava falar. Sua mente estava presa entre a confusão e o medo. Por que haviam tentado matá-la? Quem era esse homem? Poderia confiar nele? As luzes da cidade piscavam enquanto passavam por becos e pontes sem um destino aparente. Valeria sentiu o peito apertar ao perceber que não tinha controle sobre o que estava acontecendo. Sempre tinha sido dona da própria vida, trabalhado para chegar onde estava, e agora... agora tudo escapava de suas mãos. Finalmente, depois do que pareceram horas, a motocicleta parou em uma área afastada, longe do barulho do centro. Estavam em um bairro antigo, onde os prédios de pedra pareciam testemunhas de histórias enterradas pelo tempo. - Desça - ordenou ele, sem olhar para ela. Ela obedeceu, com as pernas ainda trêmulas. Quando tentou recuar, ele foi mais rápido e segurou seu braço, guiando-a até uma porta de metal desgastada pelo tempo. Com uma chave que surgiu do nada, abriu-a e a empurrou suavemente para dentro. O cômodo era pequeno e austero. Um sofá de couro escuro, uma mesa com alguns documentos e um par de armas repousavam sobre ela. Não havia enfeites, nem fotos, nem qualquer vestígio de que alguém vivesse ali. - Sente-se. - Não vou me sentar até que me diga quem é você. Ele fechou a porta atrás de si, virando-se lentamente para encará-la. Seus olhos, escuros como a meia-noite, a analisaram com uma paciência inquietante. - Meu nome não importa. - Para mim, importa - insistiu Valeria, cruzando os braços. Houve um silêncio tenso antes de ele suspirar e caminhar até a mesa. Pegou uma das armas e a deslizou até a borda, como se quisesse deixar claro que ainda tinha o controle. - Meu nome é Alexander. O nome ressoou em sua mente como um aviso. Ela não sabia se era real, mas pelo menos tinha algo a que se agarrar. - Certo, Alexander. O que diabos está acontecendo? Por que tentaram me matar? Ele apoiou as mãos sobre a mesa e a olhou com seriedade. - Porque você sabe algo que não deveria saber. Valeria franziu a testa. - Isso não faz sentido. Sou apenas uma jornalista investigativa. Não tenho inimigos. Alexander soltou uma breve risada, seca e sem humor. - Jornalista investigativa? - repetiu com ironia. - Valeria, você acabou de escrever um artigo sobre corrupção dentro do governo francês e conexões com a máfia russa. Você realmente acha que não fez inimigos? Seu sangue gelou. Ela sabia que o artigo poderia gerar desconforto, mas nunca imaginou que colocaria sua vida em perigo. Trabalhou nele com cuidado, reuniu provas, usou fontes verificadas. Nunca mencionou nomes diretamente, apenas expôs os fatos. - Mas... isso não é suficiente para quererem me matar... - sussurrou. - Para eles, é. Ela sentiu as pernas fraquejarem e se deixou cair no sofá. Sua mente tentava encontrar uma saída, uma solução. Mas a realidade era clara: alguém queria que ela desaparecesse. - Então, você trabalha para eles? - perguntou em voz baixa, levantando o olhar para Alexander. Ele não respondeu de imediato. - Não exatamente. - Então por que me salvou? Alexander sentou-se à sua frente, cruzando os braços. - Porque fui enviado para te seguir. O ar pareceu desaparecer do cômodo. - O quê? - Me mandaram vigiá-la, estudar seus movimentos. Mas quando vi que iam te matar, decidi agir. Valeria sentiu tudo girar. - Quem te enviou? Alexander estreitou os olhos antes de responder: - Alguém que quer manter você viva... por enquanto. Um arrepio percorreu sua espinha. Isso não era apenas um ataque. Era algo maior, mais perigoso do que ela jamais imaginou. E o pior era que sua única opção era confiar no homem que, até algumas horas atrás, a seguia nas sombras.
Lista de capítulos
50 capítulos no total
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