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Capítulo 3 Devo minha vida a ele

Para o jantar, Roselyn escolheu um vestido preto, elegante e discreto.

Estava quase saindo quando seu celular tocou.

"Roselyn, te devo um pedido de desculpas. Surgiu uma inspeção e acabei me atrasando. Por isso pedi a um amigo para te buscar. Ele já está aí fora esperando", Stefan falava apressado.

Roselyn franziu a testa. "Stefan, não se incomode. Posso ir sozinha."

"Relaxa, você vai se dar bem com ele. Te vejo no restaurante." Ele desligou antes que ela conseguisse dizer mais alguma coisa.

Bolsa na mão, Roselyn pegou o elevador e desceu até o térreo.

Na calçada, um Maybach preto já estava estacionado.

Quando ela se aproximou, o motorista desceu e abriu a porta traseira.

Roselyn entrou.

Do outro lado do banco, alguém já ocupava o lugar com o rosto banhado pela luz fria de um tablet, e seus traços marcantes, somados a uma expressão serena, carregavam aquele tipo de autoridade que não precisa de palavras para se impor.

A presença dele era difícil de ignorar.

Kevin Wheeler.

Ao vê-lo, Roselyn congelou.

Kevin se virou para ela. Por uma fração de segundo, um brilho intenso atravessou seu rosto antes de desaparecer — rápido demais para ela ter certeza de que realmente existiu.

Com um sorriso cortês, Roselyn o cumprimentou: "Boa noite, sou Roselyn Hudson, prima de Stefan. Obrigada por vir me buscar."

"Kevin Wheeler. Stefan sempre fala de você. Soube que você tem passado por momentos difíceis", disse ele, a voz baixa e firme.

Roselyn ficou instantaneamente na defensiva, os dedos se fechando contra as palmas.

Por que Stefan contaria algo tão pessoal a ele?

"Tem umas coisas na minha vida que precisam ser resolvidas", ela disse após uma pausa.

Kevin não insistiu com perguntas e só respondeu, casual: "Se precisar de ajuda, pode me procurar."

A confusão tomou o rosto de Roselyn.

Por que alguém que ela tinha acabado de conhecer faria uma proposta dessas?

Minutos depois, o carro entrou no estacionamento subterrâneo de um restaurante sofisticado.

Kevin desceu primeiro e abriu a porta para ela.

Ao lado dele, a maioria das pessoas se sentia pequena.

Roselyn quase nunca sentia isso — mas ali, sentiu.

Juntos, eles eentraram numa sala de jantar privativa, onde Stefan já estava sentado, acenando para que se juntassem a ele.

Ao longo do jantar, foi ficando cada vez mais claro para Roselyn o tamanho da influência de Kevin.

Ele não era só um amigo de Stefan, mas uma das figuras mais poderosas do mundo dos investimentos, capaz de decidir o destino de dezenas de empresas com uma única palavra.

Kevin passou boa parte da noite calado, só ouvindo, enquanto Stefan conduzia a conversa de uma história para outra, animado pelo vinho.

Depois de várias taças, Stefan mudou de assunto e começou a falar do passado da família.

"O tio de Roselyn, Arthur Cunningham, era uma lenda", disse ele, sorrindo.

"Arthur Cunningham? Ele era seu tio?" A voz de Kevin ficou visivelmente mais baixa ao repetir o nome.

Roselyn assentiu, enquanto uma tristeza familiar a invadia. "Sim. Ele faleceu há muitos anos."

Kevin não desviou o olhar, e havia algo na forma como ele a observava que a atravessou como um choque, algo difícil de nomear.

"Devo minha vida a ele", disse Kevin, finalmente.

O sorriso sumiu do rosto de Stefan.

Roselyn ficou completamente imóvel.

"Há muitos anos, ele me tirou de uma situação que deveria ter me matado", continuou Kevin, os olhos fixos nela. "E nunca pediu nada em troca."

Uma lembrança antiga voltou à mente de Roselyn — algo que ela tinha ouvido, vago, sobre o tio salvando um garoto de dentro de um carro em chamas.

Arthur ficara radiante com aquilo — ela se lembrava bem — mas nunca revelara quem era o garoto.

"Desde então, nunca me esqueci do que devo a ele. Encontrar você esta noite finalmente me deu a chance de retribuir esta dívida", disse Kevin.

A garganta de Roselyn se apertou ao pensar no tio e na bondade que ele sempre distribuíra sem pedir nada em troca. "Não precisa se sentir assim. Meu tio teria feito o mesmo por qualquer pessoa. Você não me deve nada."

"Discordo. Sei exatamente o que devo." Com um tom que não deixava espaço para discussão, Kevin acrescentou: "Se precisar de algo, é só me dizer."

Percebendo o clima pesar, Stefan interveio: "Roselyn, você tem noção do quanto essa oferta vale? Ganhar um favor de Kevin é como acertar na loteria."

Roselyn olhou para Kevin, cujos olhos não havia um traço de pena, apenas sinceridade.

Ela precisava de apoio agora mais do que nunca, mas queria preservar o que restava do seu orgulho. "Obrigada, Kevin. Se um dia eu não tiver mais a quem recorrer, lembrarei da sua oferta."

O canto da boca de Kevin se curvou de leve.

Ao fim do jantar, Kevin fez questão de garantir a volta de Roselyn, pedindo ao motorista que a levasse em segurança.

O trajeto foi silencioso.

Quando o carro parou em frente ao prédio dela, Roselyn desceu.

"Roselyn", chamou Kevin antes que ela pudesse se afastar. "Não se esqueça do que eu disse."

Roselyn prendeu a respiração.

Antes que qualquer resposta escapasse dos seus lábios, a janela escura subiu, e o Maybach sumiu na noite.

Parada na calçada, ela sentiu a brisa fresca cortar o casaco. De braços cruzados, deixou um pensamento atrás do outro atravessar a mente.

Não havia dúvida de que Kevin era um homem perigoso, mas, depois de tudo por que ela passara, ele também fora a primeira pessoa a lhe oferecer algo genuíno.

Isso é tudo que está disponível no momento.

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Lista de capítulos

162 capítulos no total

  1. Capítulo 1Capítulo 1 Contagem regressiva para a liberdade
  2. Capítulo 2Capítulo 2 Você é uma víbora
  3. Capítulo 3Capítulo 3 Devo minha vida a ele

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