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Capítulo 1 Prólogo

Gregory

Los Angeles 7:03 AM

O peso no coração de alguém, pode ser desfeito facilmente. E vai precisar apenas de um pouco de uísque e uma boa foda. Então você repete isso mais uma vez, e de novo, e de novo. E por fim, talvez isso acabe por se tornar um tremendo vício. Como recompensa da boa noite de ontem, senti uma dor tomar conta da minha cabeça. E se eu não tivesse passado a mão pelo local naquele momento, poderia jurar que eu havia levado uma facada bem ali. A dor lancinante e a falta de memória eram um brinde, um extra. Não que isso importasse, pelo menos não naquele momento. De qualquer forma, eu até estava acostumado com isto. Esfreguei novamente a parte de minha cabeça e caminhei em direção à saída do meu quarto. Tudo estava silencioso quando alcancei o corredor e depois que desci as escadas. No primeiro lance de escada, pude ter o vislumbre da grande sala de minha casa e seria ingenuidade minha se eu esperasse encontrar tudo em ordem. Na parede do lado direito, havia um buraco, um tanto maior que o meu tamanho. Os sofás, que antes eram perfeitamente brancos, agora tinham um tom que se inclinava para o marrom, e eu nem saberia distinguir de fato o que aquilo era, talvez a terra do jardim. Pude ver um homem deitado em um dos sofás e uma loura que vestia apenas uma calcinha do seu lado. Tinha mais duas mulheres e um homem deitados sobre o carpete. Todos estavam dormindo, e assim como eu, não iriam se lembrar direito da merda que aconteceu ontem à noite. Ao chegar no último lance de degraus, caminhei até a cozinha. Ela ficava ligada à sala, e o que definia essa separação, era a bancada de mármore. Acima dela havia várias garrafas vazias e outras que se inclinavam na borda, quase caindo. E ao redor do espaço, dava para ver pequenas poças de bebida que respingaram pelo chão. Seria quase um milagre encontrar qualquer coisa naquela bagunça. Abri a geladeira. Não totalmente vazia, apenas tinha ovos e uma garrafa com água. A fechei e fui até os armários, para verificar e nada. — Parece que preciso ir às compras, que grande merda — Passei a mão pelo cabelo, jogando-o para trás. Sai dali, e caminhei até a grande porta de vidro que dava acesso à piscina e à parte inferior da casa. E a melhor parte daquela área, era a vista da praia. Do lado leste, o heliponto que fazia parte da propriedade. O gramado estava um pouco úmido, e nem mesmo lembrava de ter chovido, e os irrigadores dali estavam quebrados. E a lista de afazeres durante aquele breve tempo, só aumentava. Apertei um pouco mais o roupão que envolvia o meu corpo, e admirei mais daquela vista. O sol marcava o cenário, com aqueles tons de amarelo. Logo abaixo, podia ver várias pessoas seguindo o caminho pela areia e alcançando o limite do mar nesse incrível dia de domingo. Isso, sim, é o que chamo de aproveitar o dia. Ergui uma das mãos acima de meus olhos e consegui ver um helicóptero vindo, em direção ao heliponto. Eu bem sabia de quem se tratava, só não imaginava vê-los tão cedo. A grande ventania projetada pelas hélices do helicóptero, fizeram-me levar a outra mão também ao rosto. Mas, pude depressa ter um vislumbre da grande coisa, se aproximar assim que o ele pousou. E foi então que as portas se abriram. O primeiro que vi sair foi um senhor vestido em um terno rigorosamente passado, e logo atrás dele vestido também de forma impecável, a pessoa da qual seguia todos os passos desse senhor, meu irmão mais velho. Meu pai caminhava na minha direção de um jeito imponente, como se estivesse prestes a dominar o mundo. E sempre tive em mente, que se a expectativa de vida fosse um pouco maior, com toda certeza ele o faria. Eu recebi os dois com um grande sorriso e um pequeno aplauso, ambos estavam cheios de sarcasmo. — Quando eu li no jornal, eu precisei vir até aqui e ver com meus próprios olhos — Meu pai falou enquanto olhava ao redor. Ele se enrijeceu quando voltou a olhar para mim — Você não está apenas destruindo todo o meu patrimônio, como também está manchando o nome da nossa família. — A mamãe não dorme mais por estar preocupada com você — Meu irmão juntou-se ao sermão repetido — Esperando a qualquer momento uma notícia ruim. — Eu vou ligar para ela mais tarde. — Cruzei as mãos abaixo do peito — É apenas isso? — Você age como um inconsequente. — Ele falou mais alto dessa vez e eu o ignorei. Meu pai passou por mim, e quase bateu seu ombro no meu. Caminhou até a grande vidraça e se inclinou para frente para conseguir olhar para dentro da casa. Quando retornou a me olhar, a expressão era incrédula pelo que viu. — Vim para lhe avisar, que seus cartões vão estar bloqueados, sua conta será zerada — Ele começou com as ameaças que eu havia decorado — E você não conseguirá comprar qualquer coisa, sem que eu dê a minha palavra para isso. — Eu já ouvi isso antes — Soltei. — Dessa vez, eu vou fazer valer essas minhas palavras, Gregory — O senhor falou colocando as mãos em seus bolsos — E só terá tudo mais uma vez, apenas sobre uma condição — Ele lançou um olhar para dentro da casa de novo — Primeiro recomponha-se e venha me encontrar em casa. Eu segui o olhar dele, e uma loura estava encostada na vidraça, ela estava vestida apenas com uma calcinha vermelha, sem a parte de cima, mas tomou o cuidado de cobrir com o braço. — Preciso tomar café — Ela avisou e eu assenti. Os dois caminharam de volta ao helicóptero. Antes de entrarem, pude ouvir meu pai gritar. — Essa é sua última chance. — Que se foda! — Gritei por cima, mas eles estavam longe demais para me escutar. Isso já havia acontecido várias vezes antes, e eu não me importava nem um pouco. Se os dois achavam que iam ferrar meu domingo, estavam enganados. Já tive o suficiente deles em minha vida. Caminhei para dentro, e fui em direção à loura, passei-lhe a mão pela sua cintura. Até porque, a festa estava apenas começando.

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Lista de capítulos

21 capítulos no total

  1. Capítulo 1Capítulo 1 Prólogo
  2. Capítulo 2Capítulo 2 Problemas em Dobro
  3. Capítulo 3Capítulo 3 Proposta Irrecusável

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