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Capítulo 2 Porque está me olhando assim
Capítulo 2: Nada Aconteceu.
Antes mesmo de abrir a porta do carro, estico a mão contra o peito dele.
- Espera aí, Caio. Precisa me prometer que não vai contar isso pra ninguém!
Ele arqueia a sobrancelha, já com aquele sorriso irritante.
- O quê? Que você quase me beijou?
- Quê?!
bato nele de leve, indignada.
- Eu tô falando sério!
Ele se inclina mais, só pra me provocar.
- Se queria era só pedir, Aninha...
- Você é insuportável!
bufo.
- Promete que não vai abrir a boca sobre isso.
Ele dá de ombros, como se não tivesse importância.
- Relaxa... nem encostou de verdade. Precisaria de muito mais do que aquilo pra ser um beijo real.
Quase engasgo com a audácia dele.
- Você não vai contar pra ninguém, Caio! Não importa se foi um deslize idiota.
- Nossa... voltou de Paris com a boca mais suja do que nunca.
Ele ri.
- Deve ter aprontado demais lá fora.
- CAIO!
grito, me sentindo prestes a perder a sanidade.
- Eu tô falando sério.
Ele levanta as mãos, ainda sorrindo.
- Tá bom, tá bom. Eu não sou homem de sair espalhando as coisas por aí. Parece que não me conhece.
Reviro os olhos.
- O problema é justamente esse. Eu te conheço bem demais. Esqueceu? Foram anos te aturando por causa do Pedro.
Ele finge se ofender.
- Dramática.
- Argh! Você não leva nada a sério!
Abro a porta e saio rápido, sem dar mais espaço. Ele, claro, corre atrás.
- Ô, espera aí, esquentadinha!
Acelero os passos.
- Some, Caio.
- Agora entendi porque não rolou nenhum francês por lá.
Paro de repente e viro de lado, cravando os olhos nele.
- Pra sua informação, eu que não quis. E, só pra constar: eu não te devo satisfação nenhuma. Nem sei por que ainda estou falando com você.
Viro de novo, bufando, mas assim que empurro a porta da casa... sinto meu coração pular.
- BEM-VINDA DE VOLTA, ANALU!
A sala inteira explode em aplausos e vozes, me pegando totalmente de surpresa.
Balões, faixas, luzes... todos sorrindo. Meus pais vêm em minha direção, emocionados.
- Minha filha!
mamãe me abraça forte.
- Finalmente de volta.
- Bem-vinda, filha.
papai completa, orgulhoso.
Retribuo, mesmo ainda sem acreditar que armaram uma festa inteira sem me avisar.
- Gente, não precisava disso tudo...
Reconheço algumas pessoas, mas muitas são rostos novos. Meus olhos procuram explicações.
- Quem são eles?
- Amigos do seu irmão...
mamãe responde, animada.
- Ele queria apresentar a irmã dele, formada em Paris! Que orgulho, uma estilista na família!
Antes que eu possa responder, Pedro aparece, abrindo espaço na roda.
- Surpresa, maninha.
Corro até ele e o abraço apertado.
- Pedro!
Ele me envolve nos braços, apertando como só um irmão consegue.
- Precisei organizar tudo isso correndo, mas valeu a pena.
- Ficou lindo... obrigada!
Atrás dele, uma voz debochada interrompe:
- Não vai me agradecer também não? Eu tive que te aturar enquanto ele fazia isso tudo.
Me afasto, encaro Caio com fúria.
- Pelo quê? Por me estressar? Dispenso.
Mamãe balança a cabeça, rindo.
- Vocês dois... Podem se passar anos, mas continuam parecendo irmãos brigando.
Pedro segura minha mão.
- Vem, Analu. Quero te apresentar meus amigos.
Ele me puxa pelo salão e, claro, Caio segue atrás, como uma sombra irritante.
Conheço várias pessoas novas, troco sorrisos e frases educadas. Tento manter a postura, mas não consigo evitar.
Meus olhos o procuram.
E quando encontro Caio, ele está um pouco afastado, com uma garota colada nele. Uma qualquer, sorridente, quase pendurada em seu ombro.
Engulo seco.
Ele teve a audácia de dizer que não foi nada, que nem chegou a ser um beijo.
Mas por que isso ainda me incomoda tanto? Por que ele me tira do sério? O que ele tem que atrai todo mundo desse jeito?
Desvio o olhar, focando em um rapaz que começa a puxar papo comigo.
- Paris? Jura? Eu também já estive lá. Que cidade, hein?
- É...
sorrio sem graça, tentando me concentrar.
- Meu nome é Ricardo, prazer.
- Prazer...
repito, distraída.
Ele fala, gesticula, comenta experiências. Mas nada entra na minha cabeça. Sinto o olhar de Caio queimando minha nuca. Quando arrisco olhar... ele está de frente, copo na mão, me observando de longe com aquele jeito arrogante.
Disfarça, Analu. Disfarça.
- Rsrsrs... nossa, você é tão engraçado.
Digo ao rapaz, passando a mão no braço dele sem nem saber do que ele estava falando.
Ele me encara meio confuso, mas sorri de volta.
- Com licença, vou pegar um suco.
Invento e saio às pressas, a mão suando.
Que vergonha. Que diabos tá acontecendo comigo?
Pego um copo e viro, tentando recuperar a compostura, quando sinto alguém se aproximar.
Viro rápido, rezando: não seja o Caio, não seja o Caio...
- Oi...
o rapaz ao meu lado sorri simpático.
- Você é a irmã do Pedro, né?
- Sou sim.
respondo, aliviada.
- Bem-vinda de volta. Ele não parou de falar de você a semana inteira.
Sorrio, surpresa.
- Jura?
- Claro. Ele é bem relacionado, tem muita gente aqui.
Aponta em volta.
- Pois é... homens, né?
Ele ri.
- Alguns...
Arqueio a sobrancelha, achando graça.
- É... talvez, alguns.
Mas antes que eu me deixe levar pela conversa, sinto novamente. O olhar dele.
Procuro e lá está Caio, encostado, sozinho, a bebida na mão, mas os olhos fixos em mim. Como se nada mais naquele lugar existisse.
Arrepios sobem pela minha pele. Por que ele tá me olhando assim?
Caio, seu desgraçado. Você tá pensando naquilo? Não. Não, não... só posso estar paranoica.
Porque ele tá me olhando assim?
.....
Caio estava mais afastado, mas eu conseguia sentir o peso do olhar dele como se fosse um toque. Cada vez que eu fingia prestar atenção nas histórias dos amigos do Pedro, meus olhos insistiam em procurar pelos dele.
E lá estava ele: encostado de lado na parede, copo na mão, olhar fatal, fixo em mim.
Mas por quê? Por que ele estava olhando assim, como se tivesse algum direito? Como se me estudasse… como se me despisse só com aquele maldito olhar?
Engoli seco e virei de volta para a roda de conversa, sorrindo para algo que nem ouvi. Meu coração batia acelerado e eu não sabia se era raiva, vergonha ou… não, não podia ser nada além de raiva.
— Pedro, você me mostra onde é o banheiro?
uma voz melosa interrompeu. Uma menina alta, loira que se quer me disse o nome.
Era claro a intenção dela ali, e óbvio, não era conhecer a mim.
— Claro.
Pedro sorriu e saiu ao lado dela, sem perceber ou fingindo não perceber a intenção da moça.
Respirei fundo.
É.... Tudo estava mesmo igual por aqui. Nada novo de baixo do sol n
Pelo que conheço do meu irmão, aquela ali não passaria de uma noite. Era sempre assim.
Fiquei ali, no meio da roda, tentando me encaixar. Eles falavam de viagens, negócios, coisas que pouco me interessavam.
Abria sorrisos educadamente, mas minha mente estava em outro lugar.
Ricardo ainda estava por perto, discreto, olhando para mim como se esperasse a oportunidade de puxar conversa outra vez.
Mas não falou mais nada, talvez intimidado pela quantidade de gente.
E então, como se eu não tivesse escolha, meus olhos buscaram novamente… e encontraram Caio.
Ele não estava mais encostado na parede. Agora, levemente inclinado para frente, me observava sem disfarçar.
O copo ainda na mão, mas o olhar… o olhar era quase um desafio. Intenso, fatal, como se quisesse me provocar só por existir.
Meu estômago revirou. Droga, por que ele tinha que olhar desse jeito?
Virei rápido, rindo de algo que nem prestei atenção.
— Hahaha…
forcei uma gargalhada tão falsa que até eu mesma percebi.
— Você achou engraçado?
um dos rapazes me perguntou, curioso.
— Ahm… sim… super.
respondi, tentando parecer convincente.
Mas não adiantava.
Eu só pensava nele. Nos olhos dele. E no que tinha acontecido dentro daquele carro.
Eu não podia deixar isso transparecer. De jeito nenhum.
E, ainda assim, era como se o ar entre nós dois fosse magnético.
Toda vez que eu desviava, sentia o olhar dele queimando na minha pele até me obrigar a olhar de volta.
Era como se ele quisesse me lembrar: a gente quase se beijou.
E isso estava me enlouquecendo.
(...)
Lista de capítulos
11 capítulos no total
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