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Capítulo 3 Ravi Lockwood
Observo esse homem se emocionar ao falar da mãe, e isso me faz questionar ainda mais se ele é realmente o culpado. - Senhor Smith... - Pode me chamar de Jhon. Tenho muita estima pelo seu irmão e sei que nunca poderei retribuir o que ele fez - ou ainda faz - pela minha mãe. - Então, Jhon... Primeiro, sinto muito pela situação da sua mãe. Segundo, estamos aqui porque queremos saber: onde você estava no dia vinte e três de agosto? - Como assim? - Ele me encara e, em seguida, olha para os rapazes, que permanecem estrategicamente posicionados perto da porta e nas paredes da sala, atentos a qualquer movimento inesperado. - Vou direto ao ponto. Um vaso extremamente valioso e raro estava sendo transportado para o nosso museu em Viena. No entanto, ele desapareceu enquanto era carregado para o avião, em Roma. Uma Relíquia do Tempo Imemorial, da Antioquia. Essa peça vale milhões de dólares! Investigamos e descobrimos que o nome e a identidade usados para acessar o hangar eram os seus. - O quê? Os meus? Como assim? - Marco! - chamo, e ele prontamente me entrega o celular. Exibo o vídeo para Jhon. Na gravação, um homem de boné aparece, mas seu rosto não está completamente visível. Ainda assim, Marco passou um bom tempo pesquisando e investigando esse tal de Jhon Smith. Sabemos todos os seus passos desde o roubo. Era apenas uma questão de tempo até chegarmos até ele. - Mas esse aí não sou eu! - Jhon exclama, olhando para nós com indignação. - Eu nem sequer saí de San Diego! Tenho minha mãe para cuidar.
Levanto-me e começo a andar de um lado para o outro na sala. - Então, como seu nome e identidade foram parar no hangar? Foi difícil decifrar os números da identidade usada, mas ela bate exatamente com a sua! - aponto para ele. - Não apenas o nome, mas toda a identificação. Sem contar que você trabalha para a empresa de manutenção da segurança. - Sim, eu trabalho lá... Mas aqui, em San Diego! Nunca fui enviado para outro país. Eu... - Ele para de falar de repente, e sua expressão muda. Seus olhos ficam vagos, como se estivesse lembrando de algo. - O que foi? - pergunto, sentando-me à sua frente. - Há alguns meses, me perguntaram se eu tinha disponibilidade para viajar. Disseram haver um serviço para fazer fora do país... Mas recusei na hora! Disse que não poderia ir e que mandassem outra pessoa no meu lugar. Eu não posso sair daqui. Tenho que cuidar da minha mãe! - Senhor Smith, se não me disser a verdade, terei que tomar outras providências - declaro, começando a perder a paciência. - Eu já disse que não fui eu! Alguém armou isso para mim! Minha mente trabalha rápido. Tento encaixar as peças do quebra-cabeça. Isso não pode ser... - Se quiserem, podem perguntar para qualquer um que me conhece. Eu realmente não saí daqui, não fui para lugar nenhum e muito menos roubei nada! - Ele se inclina um pouco para frente, com um olhar firme. - Se eu tivesse feito isso, você acha que eu ainda estaria morando aqui? Como você mesmo disse, esse vaso vale milhões. A sala fica em silêncio por alguns instantes. Encaro Jhon, tentando ignorar as suposições que começam a se formar na minha mente. - Senhor... - Fridek me chama. Olho para ele e percebo que está ao telefone. Ele me encara antes de anunciar: - Tudo o que o senhor Smith disse está sendo confirmado neste exato momento. No dia do roubo, ele estava em casa com a mãe. - Eu já disse que não fui eu! - Ok... - suspiro. - Obrigado, senhor Smith. Levanto-me e ele faz o mesmo. - Aqui está o meu cartão, caso precise falar comigo. - Pego um cartão do bolso e o entrego a ele. - Pode deixar. E, por favor... descubra o que aconteceu. Eu não posso ser preso, preciso cuidar da minha mãe! Ela depende de mim para se manter viva. Seus olhos estão cheios de lágrimas. - Estou cuidando disso e continuarei investigando para descobrir o que realmente aconteceu - afirmo, caminhando em direção à porta. - Obrigado... muito obrigado! - Jhon aperta minha mão com firmeza quando a estendo para me despedir. - Obrigado por não ter me denunciado à polícia sem antes investigar e buscar a verdade. - Vou investigar a fundo e descobrir a verdade. Mas não saia da sua casa para nada fora da sua rotina. Nem da cidade, muito menos do país! Tenho homens te vigiando e, caso tente fugir, eles estão autorizados a te capturar a qualquer custo. Se resistir... eles têm ordens para atirar.
Vejo o pavor tomar conta de seu rosto. - Eu não vou a lugar algum. Se precisarem de mim, me encontrarão aqui ou no meu trabalho. Aproximo-me mais um pouco e aperto sua mão com mais força. - Se estiver mentindo para mim... Se eu descobrir que tem um cúmplice e leva uma vida dupla, que tudo isso aqui é só uma fachada... - Ergo a mão livre e desenho um círculo imaginário no ar com o dedo indicador, apontando para o prédio e seu estado deplorável. Apesar do lado de dentro, o apartamento parecer outro mundo - então, pode se considerar um homem morto. Eu não aceito que me roubem e saiam impunes, independentemente da situação. Não sou o meu irmão. Não tenho nenhuma afinidade com você. Solto sua mão e encaro-o uma última vez. - Estarei de olho em você. Vou descobrir o que realmente aconteceu e se você tem ou não envolvimento nos roubos ao Museu Lockwood. Dou um passo para trás e, antes de sair, digo em tom firme: - Passe bem, senhor Smith. Boa noite! Viro-me e deixo o apartamento, minha mente um turbilhão de pensamentos. Será que estou vendo coisas onde não existem? Ou meu coração simplesmente não quer aceitar a verdade? Eu não quero acreditar nisso... não com a minha própria família.
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- Senhor... Viro o rosto e vejo Marco inquieto ao meu lado. Recosto-me na poltrona do jatinho e o encaro. - O que está te incomodando? - Senhor, tudo indica que não foi ele. Então só sobra a segunda opção. Minha expressão se fecha. - Você também está duvidando do meu irmão? - Sim. E para ser sincero... nunca fui com a cara dele. Mas essa história de ele ajudar um cara do nada! Sabemos como ele é. Seu irmão só pensa em si mesmo. Meu maxilar se contrai. - Quero que investigue tudo. Descubra onde ele estava no dia do roubo, o que estava fazendo... Se ele estiver realmente envolvido nisso... Fecho os olhos por um instante, tentando controlar a raiva que começa a crescer dentro de mim. Duvidar do meu próprio irmão... Isso é loucura, não é? - Começarei agora mesmo. Abro os olhos e vejo Marco pegar o notebook e começar a digitar. Viro-me para a janela, observando o céu estrelado ao nosso redor.
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