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Capítulo 2 Yago Castilho
Depois da épica batalha e de vencer o monstro, desci até a garagem, peguei meu BMW i8 prata - meu neném precioso - e saí em disparada para a empresa. Afinal, a tal reunião "superimportante" era verdadeira e, além de ter que encarar meu pai, ainda teriam os velhotes do conselho para atazanar minha existência. Para esses velhos ranzinzas, nada basta, e eu sou apenas um playboyzinho com a linhagem sanguínea certa ocupando um lugar que não merece. Tenho trinta e seis anos e assumi como CEO da Bebidas Castilho há exatos cinco meses, logo depois que meu pai teve um ataque cardíaco e quase morreu. O velho foi praticamente obrigado pelos médicos e pela minha mãe a desacelerar, e me passou o bastão. Acontece que, para esses "idosos fofinhos" do conselho, eu não passo de um "garoto" inconsequente que não merece a cadeira de CEO. Não, isso não é uma piada; alguns até me chamam de moleque quando querem me rebaixar. Tá bom, eu amo uma festa, gosto de beber e, acima de tudo, amo uma boa e apertada boceta - se for mais de uma, melhor ainda. Antes de assumir a empresa, a minha vida era essa, principalmente enquanto cursava Administração. Mas conheço a história dessa empresa, sei da importância dela para a minha família e para as famílias que dependem dela. Me preparei muito para o momento em que meu pai me daria a honra de administrar nosso legado e, quando assumi o cargo de CEO, me comprometi a fazer de tudo para que a Bebidas Castilho cresça e prospere. Quero que meu pai sinta orgulho do meu trabalho e do homem que me tornei. Mas, primeiro, preciso convencer meu velho e as múmias caquéticas do conselho de que sou capaz, que mereço meu posto de CEO a longo prazo. E chegar atrasado a uma reunião não é o melhor caminho. A reunião foi uma enorme bosta! Os velhotes me pediram mais dados sobre os potenciais parceiros na Europa. Eu quase ri, porque só se eu incluir o tamanho, a cor e as marcas preferidas das roupas íntimas dos sócios e seus familiares para que tenhamos mais dados. Além de, claro, ter sido chamado de "garoto" zilhões de vezes, em cada mínima oportunidade, tudo para enfatizar o quanto eles me acham imaturo e irresponsável, nem um pouco digno da cadeira de CEO. Isso é uma grande merda... Mais uma vez, precisei engolir meu orgulho e praticar meu autocontrole, tudo para não esganar uma daquelas múmias. Meu consolo é que uma hora esse dia vai chegar e eu terei realmente o poder para calá-los. Eu vivo por esse momento. Saí da reunião exausto e frustrado, mas, como desgraça pouca é bobagem, estou eu aqui coberto de café quente, que minha ilustre secretária fez o favor de derrubar. Caralho, essa porra queima! Desisti de vez, recolhi minhas coisas e saí da minha sala, decidido a ir para casa me exilar. Cansei de dar sorte para o meu azar, que hoje está de parabéns. - Solange, cancele meus compromissos. Não retorno mais hoje. Solange é minha secretária. Geralmente ela é bem eficiente: uma senhora na casa dos quarenta e poucos anos, bem-humorada, organizada e profissional, mãe de família que me trata super bem, mas que hoje me tirou do sério com o banho de café quente com o qual me presenteou. Tamanha a minha irritação que nem me dei ao trabalho de esperar sua resposta. Saí em disparada - ardência dos infernos! Peguei o elevador privativo e fui direto para a garagem pegar meu BMW e partir de volta para o meu refúgio, que agora está livre de malucas. Durante o percurso, meu telefone toca. Pelo painel do carro, vi que era Thiago, um dos meus melhores amigos e diretor financeiro da Bebidas Castilho. Ou seja: ceder à vontade absurda de não atender seria motivo dobrado para escutar xingamentos dos quais ele não me pouparia, ainda mais se fosse algo relacionado à empresa. Além do que o homem é insistente, não vai me deixar em paz, isso é fato. - Oi, Thiago. Estou no carro, indo para casa. Espero que não sejam mais problemas - disparei assim que atendi a ligação, com meu melhor ar dramático ativado. O idiota gargalha alto: - Ui, ele está irritadinho... Mas convenhamos, como é bom ser o chefe! Indo para casa durante a semana e nem são três da tarde ainda. Um dia eu chego lá. - Ele suspira como se fosse um sonho, todo trabalhado no deboche e na falsidade, já que, se ele quisesse realmente ser o CEO da própria empresa, não lhe faltariam recursos ou oportunidades. Era só abrir algo para si ou assumir os negócios da família. - Thiago, não me enche, cara. Meu dia foi uma sucessão de merdas, a reunião foi aquela porcaria que você presenciou de camarote e, para ajudar, a Solange me deu um puta banho de café quente. Eu estou irritado, frustrado, sujo e queimado, então não me torra a paciência, estou no meu limite aqui! Sim, cada palavra foi dita aos berros, no meio do trânsito, dentro do carro. Se alguém visse a cena, acharia que enlouqueci de vez. - Caramba, Yago, foi mal, cara. Não sabia que a princesa estava tão sensível hoje. Era zoeira, prometo não te azucrinar mais enquanto sua TPM não passar, tá bom, miguxo? Mas, mudando de assunto, só liguei para lembrar que hoje é a inauguração da Nova Era, e a Sophia faz questão que você e o Rafael estejam lá. Mais essa. Eu tinha me esquecido da tal inauguração. Nova Era é uma boate nova e a proprietária é namorada do Thiago. Essa garota pegou meu amigo pelas bolas, nunca vi ele tão dedicado a uma mulher antes. Estou bem sem paciência, mas, pensando melhor, hoje é sexta-feira: bebida, mulheres bonitas, festa, música... essa é definitivamente uma boa combinação, e eu estou precisando mesmo exorcizar esse dia. - Tinha me esquecido disso, cara, mas é claro que eu vou. A gente se encontra lá que horas, castrado? - pergunto, já me sentindo um pouco mais animado. - Castrado é o seu cu, Yago! E a gente se encontra às vinte e três horas. Eu espero vocês... Vou mais cedo, preciso cuidar da minha garota! - Era nítido o sorriso na voz do cara. Ele nem discute tanto mais quando o chamo de castrado; afinal, só estou constatando um fato. Perdemos o guerreiro, esse foi abatido com sucesso. - Cara, você está muito fodido, bem cadelinha. Essa Sophia te pegou de jeito - gargalho alto ao telefone, porque saber que meu amigo foi dominado me deixa contente. Estou zoando, mas vê-lo feliz me faz muito bem. - Ah... Foda-se. Sua hora vai chegar e eu vou estar aqui, bebendo um uísque e rindo da sua cara de bosta. O cara me rogou uma praga, que filho da puta! Parei de rir na hora. Para mim isso é assunto sério: só de pensar em amar, meu estômago dá um nó que uísque caro nenhum consegue desatar. A última vez que deixei alguém se aproximar o suficiente, o rombo foi grande demais para me arriscar novamente. - Você sabe que desse inferno já tive minha cota. Nunca mais mulher nenhuma vai me pegar dessa forma. Ele fica quieto por alguns instantes; sabe que estou falando sério, que meu coração nunca mais vai cair nessa armadilha que chamam de amor. Mesmo assim, o imbecil responde reforçando o mau agouro: - Veremos! - Encerra a ligação sem nem ao menos me dar tempo de xingá-lo de filho da puta. Mas eis aqui uma promessa que reforço sempre: nunca mais mulher nenhuma vai ter espaço em meu coração. Eu aprendi minha lição!
Lista de capítulos
148 capítulos no total
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