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Capítulo 3 O homem no bar

A chuva continuava caindo quando Olivia finalmente percebeu que não fazia ideia de onde estava. As ruas estavam quase vazias, os carros passavam levantando pequenas ondas de água. Seu vestido estava completamente encharcado, os pés doíam, a maquiagem havia desaparecido há muito tempo. E, pela primeira vez naquela noite, ela sentiu o peso do cansaço. Não apenas físico, emocional. Era como se todas as forças tivessem abandonado seu corpo. Ela parou sob a marquise de um prédio elegante. Ergueu os olhos e notou tratar-se de um hotel luxuoso. Provavelmente, caro demais para alguém como ela entrar naquele estado. Mas naquele momento não se importava. Precisava sentar, precisava respirar, precisava impedir que seu coração explodisse. Empurrou a porta giratória. O calor do ambiente a envolveu imediatamente. Música suave, perfume caro, lustres enormes, pessoas bem vestidas. Um universo completamente diferente da tempestade que enfrentava lá fora. Olivia sentiu alguns olhares sobre si. Era impossível não notar a mulher que parecia ter acabado de sobreviver a um naufrágio. Mas seguiu andando e ignorando todos, até encontrar o bar. Escolheu o banco mais distante, aquele escondido no canto, onde ninguém a incomodaria. Ou assim esperava. - Boa noite, senhora. O bartender sorriu. - O que deseja? Olivia encarou as garrafas alinhadas atrás dele. Nunca foi de beber. Talvez uma taça de vinho em ocasiões especiais. Mas aquela noite definitivamente era uma ocasião especial. Só não do jeito que imaginara. - O mais forte que você tiver. O homem arqueou uma sobrancelha. - Tem certeza? - Absoluta. Minutos depois, um copo foi colocado diante dela. Olivia bebeu um gole. Sua garganta ardeu de imediato. Mas não tanto quanto descobrir que seu noivo estava dormindo com sua melhor amiga. Então tomou outro. E mais outro. Aquela dor não desaparecia?! Parecia apenas mudar de lugar dentro dela. Enquanto isso, do outro lado do salão, alguém observava. Alexander Blackwood raramente prestava atenção nas pessoas ao seu redor. Era um hábito adquirido com os anos. Homens queriam favores, mulheres queriam status, empresários queriam dinheiro e jornalistas queriam manchetes. Tudo era interesse. Sempre. Mas aquela mulher... ela era diferente. Primeiro, porque claramente não estava tentando impressionar ninguém. Segundo, porque parecia absolutamente devastada. E terceiro porque, apesar da aparência desarrumada, havia algo nela. Algo difícil de explicar. Alexander observou quando ela tomou mais um gole da bebida. E depois outro, até fazer uma careta. Quase sorriu. Definitivamente não estava acostumada a beber. - Você está olhando. A voz de Damien o arrancou dos pensamentos. Alexander virou-se para o primo. - O quê? - A mulher. Alexander ergueu uma sobrancelha. - E daí? - Você nunca olha para ninguém. - Estou olhando agora. Damien acompanhou sua linha de visão. - Parece que teve uma noite ruim. - Claramente. - Vai lá salvar a mocinha? Alexander soltou uma risada seca. - Não sou herói de conto de fadas. - Ainda bem. Damien ergueu a taça. - Seria preocupante. Alexander ignorou o comentário, mas continuou observando. Alguma coisa naquela mulher parecia familiar. Não sabia o quê, nem por quê. Só sabia que já a tinha visto antes em algum lugar, em algum momento, e isso o incomodava. Do outro lado do bar, Olivia percebeu que estava sendo observada.Virou a cabeça e os olhos encontraram os dele por um segundo. Dois. Três. Ela desviou imediatamente. Ótimo. Agora até desconhecidos sentiam pena dela. Perfeito. Terminou o restante da bebida e empurrou o copo para a frente. - Outro. O bartender hesitou. - Talvez seja melhor... - Outro. Já nem sentia mais o álcool queimando a garganta. Cinco minutos depois, novo copo. Olivia encarava o líquido âmbar quando uma voz masculina surgiu ao seu lado. - Acho que você está tentando resolver o problema errado. Ela ergueu os olhos e encontrou o homem mais irritantemente bonito que já tinha visto. Alto, cabelos escuros, terno impecável, olhos cinzentos daqueles que pareciam analisar tudo. Inclusive ela. Olivia já não estava no humor para lidar com pessoas. - Desculpe? - Álcool raramente melhora as coisas. - Experiência própria? - Experiência observando os erros dos outros. Ela soltou uma risada amarga. - Então continue observando. Alexander puxou o banco ao lado sem pedir permissão. - Isso foi um convite? - Foi um aviso. - Entendi. Ele não parecia intimidado, nem um pouco. Aquilo era irritante. - Você sempre incomoda mulheres desconhecidas em hotéis? - Apenas as que parecem prestes a incendiar alguma coisa. Apesar de tudo, Olivia quase sorriu. Quase. - Não estou planejando nenhum incêndio. - Ainda. - Ainda. Pela primeira vez, um sorriso verdadeiro apareceu no rosto dele. Pequeno, mas genuíno... e inesperadamente bonito, o que a deixou ainda mais irritada. - Escuta - disse ela. - Eu realmente não estou com vontade de conversar. - Ótimo. - Ótimo? - Também não gosto de conversar. Ela piscou, confusa. - Então por que está aqui? - Boa pergunta. Alexander realmente não sabia responder. Algo nela despertava sua curiosidade, e curiosidade era um problema. Curiosidade levava a distrações, distrações levavam a erros... e Alexander não cometia erros. Nunca. Ainda assim... permaneceu sentado. Olivia suspirou. - Você sempre faz isso? - Isso o quê? - Age como se fosse dono do lugar. - Talvez porque eu seja. Ela congelou. - Espera. Alexander apontou discretamente para o logotipo gravado num dos cardápios. BLACKWOOD HOTELS. Olivia sentiu o rosto esquentar. - Ah. - Ah. - Você realmente é dono do lugar. - Sim. - E eu acabei de mandar você cuidar da própria vida. - Também. Pela primeira vez naquela noite, ela soltou uma risada de verdade. Pequena, mas real. Alexander percebeu e, por algum motivo ficou satisfeito. O sentimento foi tão estranho que quase franziu a testa. Não deveria se importar, afinal não conhecia aquela mulher. Nem queria conhecer. Ainda assim... - Melhorou um pouco. Olivia o encarou. - O quê? - Seu sorriso. Ela desviou os olhos instantaneamente. Porque fazia muito tempo que alguém reparava em seu sorriso. Muito tempo... Antes que pudesse responder, seu celular vibrou. Uma mensagem. Depois outra. E outra. Olivia desbloqueou a tela e seu estômago afundou. Fotos, novas fotos, agora postadas nas redes sociais. Vanessa e Ethan abraçados, sorrindo. Como se nada tivesse acontecido, como se ela nunca tivesse existido. As lágrimas surgiram imediatamente. Droga. Droga. Droga. Não ali, não na frente dele. Ela se levantou tão rápido que quase derrubou o banco. - Ei. Mas Olivia já estava caminhando rápido, sem olhar para trás. Precisava sair dali. Precisava respirar. Precisava fugir daquela dor. Alexander observou enquanto ela desaparecia pelo corredor. Por alguns segundos, permaneceu imóvel. Então seu telefone tocou. Ele atendeu. - Fale. A voz do investigador surgiu imediatamente. - Tenho novidades sobre os Carter. Alexander ficou alerta. - Continue. - Encontramos a filha. O coração dele desacelerou, frio, controlado. Exatamente como sempre acontecia quando o assunto era vingança. - Nome? Alguns segundos de silêncio. Então: - Olivia Carter. Alexander congelou. Olhou na direção em que a mulher havia desaparecido. A mesma mulher que acabara de deixar o bar. A mesma mulher que chorava sob a tempestade. A mesma mulher que acabara de fazê-lo sorrir pela primeira vez em semanas. Não. Meses. - Senhor? Mas Alexander já não escutava, porque naquele instante compreendeu exatamente por que ela parecia familiar. E pela primeira vez em anos... o destino havia colocado diante dele uma oportunidade perfeita. Uma oportunidade que ele não pretendia desperdiçar. Nem que isso significasse destruir a única pessoa inocente daquela história.

Isso é tudo que está disponível no momento.

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Lista de capítulos

20 capítulos no total

  1. Capítulo 1Capítulo 1 A noiva enganada
  2. Capítulo 2Capítulo 2 A verdade atrás da porta
  3. Capítulo 3Capítulo 3 O homem no bar

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