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Capítulo 2 O Guarda-costas da CEO
Ponto de Vista de Ângelo
O barulho dos carros passando pela rua não me perturbaram, mas a Luíza não dormiu tão bem. É a segunda vez que saio com essa garota que frequenta a boate onde trabalho como segurança nos finais de semana. Eu sentei na cama e fiquei olhando para um ponto fixo na parede branca com infiltração em meu quarto. Quando o meu cérebro despertou, eu percebi que dormi mais do que deveria. Luíza saiu do banheiro, deixou a toalha cair e começou a catar a roupa antes de se vestir. — Estou atrasada para o trabalho! — Passou a alça do vestido sobre os ombros. O tecido fino deslizou pelo corpo cheio de curvas. — E você tem uma entrevista em meia hora, — ela calçou as sandálias. Minha cabeça latejou, eu espremi os olhos ao recordar. — Espera, como sabe disso? — Você fala dormindo. — Ela pegou a bolsa. O meu perfil profissional era de um trabalhador de 27 anos, ensino médio completo, do sexo masculino e eu trabalhava quarenta e quatro horas semanais em empresas do segmento de Atividades de vigilância e segurança privada. — Viu onde deixei o meu celular? — Achei! — Luíza pegou o telefone móvel na poltrona de couro marrom e piscou algumas vezes ao ver a foto no descanso de tela. — Quem é essa garota, Ângelo? Toquei no nariz e suspirei enquanto mexia no guarda-roupa de madeira desgastado. — Escuta, esse lance não vai rolar de novo, Luíza. Foi ótimo, mas eu não estou pronto para relacionamentos. — Por que não? — Ela pegou a bolsa e parou na minha frente. — Você é casado ou namora a distância? — Sim, é isso! Peguei o cabide com o terno preto limpo e passado, bati a porta do guarda-roupa com força. — Eu devia contar para a sua esposa que o belo marido dela usa essa pocilga para dormir com outras mulheres. — Devolve o meu celular! Luiza usou a câmera do iPhone para fotografar a tela do meu smartphone. — Vou encontrar a sua esposa na internet e contar tudo o que fizemos por duas longas e deliciosas noites. — Por favor, vá embora! — Tomei o aparelho telefônico e a puxei pelo braço até chegar na sala. Luíza, perdeu o tempo dela procurando alguma informação sobre a foto em um site de buscas. Pelo olhar indulgente, ela encontrou. — Sinto muito! — disse, consternada. — Por que não me contou? Eu procurava mulheres para ter uma noite relaxante e não me lamentar pelos pesares da minha vida. — Por favor, saia daqui! — Devia ter me dito que ela morreu — mostrou as mensagens de luto nas páginas de uma das redes sociais de Jasmim. — Ela era linda. — Saia do meu apartamento, — desta vez, usei um tom mais rude ao abrir a porta da sala. O nó se formou em minha garganta ao recordar. Infelizmente, a Jasmim faleceu devido a um câncer agressivo. Fiquei ao lado da minha noiva o tempo todo. Jasmim costumava me chamar de anjo, mas falhei na minha missão de protegê-la. — Me desculpe! Luíza tentou abraçar-me, dei um passo atrás, rejeitando a sua repentina compaixão. — Se você tivesse falado que ela faleceu… — Eu não te devo satisfações da minha vida — retruquei, interrompendo-a. — Vá embora, eu estou atrasado, — indiquei a saída. — Posso te ligar mais tarde? — Não quero te ver outra vez, — as palavras saíram num silvo. Eu não tinha o hábito de dormir com a mesma mulher mais de uma vez. Luíza foi um caso à parte. — Então, isso é um adeus! — Ela saiu. — Adeus, Luíza! — Bati a porta. Já no banheiro, enfiei-me debaixo da água fria. A água caía em meu rosto misturando-se com as minhas lágrimas. A vida era injusta, levou o que eu mais amava e eu ainda tinha que trabalhar dia e noite para quitar as dívidas que adquiri com hospitalizações, cirurgias e as sessões de quimioterapia que não curaram a minha noiva. Ao terminar o banho, enrolei a toalha em torno da cintura. As batidas na porta ficaram mais altas. — Já disse que acabou, Luíza! — Gritei ao tocar na maçaneta. — O quê? — O dono do apartamento perguntou. — Desculpe, pensei que fosse uma garota que acabou de sair daqui. — Não quero saber da sua vida leviana, eu vim até aqui para te dar isso. O homem com barriga proeminente me deu o papel. — Ordem de despejo? — Você já está devendo mais de cinco meses de aluguel, Ângelo. Eu só deixei você ficar aqui porque Jasmim era uma ótima inquilina. — Recebi a grana do trabalho do fim de semana, dá para quitar um mês de aluguel. Fui rapidamente até a mesa de cabeceira de madeira lascada, onde abri a gaveta e tirei o envelope. — Te dou quinze dias para me pagar o restante. — O senhorio tomou o envelope da minha mão e contou o dinheiro. — Logo vou arrumar um jeito de pagar o que devo. O italiano fitou a minha barriga e me encarou. — Não curto esse tipo de coisa… — disse antes que ele fizesse qualquer proposta indecente. — Não é isso, a minha esposa vive dizendo que preciso treinar para ficar com uma barriga tanquinho como a sua. Revirei os olhos, aquela mulher vivia mandando sinais de que estava a fim de algo a mais; todavia, eu já tinha problemas demais para me envolver com uma mulher casada. — Te pago antes de quinze dias, — encurtei o assunto. — Se passar disso, vou por esses móveis velhos na rua — deu-me as costas. Eram oito da manhã e eu já estava estressado. Eu tinha dois ternos negros, costumava usar um na boate e no PUB em que eu fazia a segurança, e o outro, eu só tirava do guarda-roupa quando protegia pessoas famosas. O telefone tocou no momento em que eu estava arrumando o nó da minha gravata, toquei na tela para atender, acionei o viva voz. — Tenho um ótimo serviço para você, Ângelo — disse o meu tio, dono da empresa de segurança The guardian. — Alguém famoso? — Na verdade, ela é uma CEO. — Ela é o quê? — Leyla Aydin é uma diretora-executiva de uma indústria siderúrgica. — Ah, sei! — Não, você não sabe, — o meu tio bufou do outro lado da linha. — Tem razão, — respondi sorrindo. Coloquei o blazer preto combinando com a blusa e a calça e fechei os dois botões na altura da barriga. — Vista o seu melhor terno e sapato e vá para o endereço que te mandei por mensagem, — ouvi o ranger de porta abrindo do outro lado da ligação, — Leyla está internada no hospital em Copacabana. O avô dela contratou os nossos serviços para cuidar da CEO até que ela saia do hospital. Meu peito inflou quando suspirei pesadamente ao abrir a mensagem. O endereço era do mesmo hospital onde Jasmim passou os últimos dias internada na Unidade de Terapia Intensiva. — Comentei que você é ex-policial do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro e faixa preta em artes marciais. — Quanto vão pagar? — Cobrei 7 mil. — Quero 50%. — Não é assim que as coisas funcionam, Ângelo. — Então, você pode mandar outro no meu lugar, — repliquei, esperando que ele não o fizesse. O meu tio se orgulhava de informar aos clientes sobre os sete anos que eu servi ao BOPE. — Certo, — ele soltou um suspiro ao concordar. — Avisarei ao assistente do senhor Osman que você aceitou ser o guarda-costas da CEO. — O.K. — toquei na tela, encerrando a chamada. Com o celular na mão, digitei o nome de Leyla Aydin e pesquisei sobre a vida dessa mulher. Ela não usava redes sociais, mas havia apenas uma foto com o título “CEO sofre atentado na rua Nossa senhora de Copacabana”. O rosto anguloso e o olhar profundo chamou a minha atenção. Leyla tinha cabelos castanhos e ondulados que caíam abaixo dos ombros. A Jasmim costumava usar o mesmo corte de cabelo antes de iniciar a quimioterapia. O pensamento remeteu ao dia em que raspei a cabeça dela e em seguida, eu passei a máquina, raspando os meus cabelos. — O que está fazendo? — A voz doce e suave de Jasmim ecoou em minha memória. — Vamos passar por isso juntos. — Senta aqui, grandão, — deu alguns tapas nas costas da cadeira. — Deixa que eu termino isso para você! O sorriso de Jasmim estava gravado na minha mente. — Eu sempre te amarei, meu amor! — Incuti a promessa enquanto tocava na foto de Jasmim no descanso de tela do meu celular.
Lista de capítulos
70 capítulos no total
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