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Capítulo 2 01
Esther Carson
Seguimos para o grande pátio, pelo o que entendi hoje é o primeiro dia de aula das crianças. Quando chegamos no pátio, as crianças estavam em uma fila indiana perfeita, todos com o uniforme do colégio, as meninas de saia rodada azul escura com detalhes vermelhos, blusa social branca e uma gravata vermelha, algumas com os cabelos solto, outras com os cabelos amarrado em um rabo de cavalo, os meninos estão com uma calça azul escura, cinto vermelho, blusa social branca e uma gravata vermelha.
Sub: Estilo maravilhoso.
Super concordo.
Todos estão calados.
- Bom dia alunos do colégio interno Reynard. - Jacob inicia.
- Bom dia senhor Reynard. - Todos os alunos respondem em uníssono.
- Bom dia meus amores. - Charlotte fala sorridente.
- Bom dia Charlotte. - Mais uma vez os alunos respondem em um coro perfeito.
- Sejam todos muito bem vindos para mais um ano letivo em nosso humilde lar. - Jacob fala e eu dou uma olhada nos arredores, humilde? Aqui esta longe de ser humilde.
- Obrigada senhor Reynard.
Ri internamente com tanta formalidade.
- Quero que dêem as boas vindas para Esther, a nova professora de história de vocês. - Jacob me olha.
Eles se assustaram, na verdade se surpreenderam, e começou o maior buchicho.
"-Não acredito!" "-A história vai se repetir." "-Não podemos permitir." "-Não quero que aconteça o mesmo mais uma vez."
Não entendi nada, mas esta valendo.
- Silêncio! - Todos se calam. - Obrigado.
Esse ar autoritário de Jacob me deixa curiosa. Os alunos imediatamente falaram:
- Seja bem vida senhorita Esther.
- Por favor, só Esther, sem o senhorita. - Ri e eles me acompanharam.
- Está entregue aos seus alunos. - Charlotte fala
- Todos? - Pergunto um pouco assustada, nunca dei aula para duzentos alunos.
- É muito? - Jacob fala arqueando uma sonbrancelha.
- Não. - Sorrir frustrada. - Eu dou conta. - Ele sorrir.
- São seis horários de manhã, seis a tarde e seis a noite, a cada duas horas de aula você muda pra outra sala com mais duzentos alunos, ao todo você terá três aulas durante a manhã, tarde e noite, com intervalos de café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar, você tem nove salas para dar aula, e dezoito aulas por dia. - O bonitão explica.
- Okay! Obrigada. - Sorri, ele retribui e depois sai. - Pois bem, bom dia meus amores.
- Bom dia Esther.
- Me levem até nossa humilde sala por que eu ainda não conheço nada aqui. - Eles gargalham, acho que é o meu jeito de falar.
Eles me levam até a nossa sala, e lá eu começo a dar aula, na verdade eu começo com um diálogo interessante com eles.
- Bem, não sei se decorarei o nome de todos, até por que são mais de 700 alunos. -Rimos. -Então, o que vocês gostariam nas aulas de história?
- Que nos falasse das coisas sobrenaturais da vida. - Uma moça fala.
- Tudo que envolva história. - Um menino fala.
- Isso! Boa Martin. - Outro rapaz fala.
- Eu sei que sou demais.
- Convencido também, Martin. - Falo e a galera da risada. - Uma ótima resposta devo confessar, então está bem, preparei uma coisa para vocês que eu só irei fazer mais pra frente, mas agora vamos falar sobre Conde Dracúla. - Todos rir do jeito sombrio que falo.
Pelo menos tentei que parecesse sombrio.
- Essa história de sugar o sangue e a vitalidade dos outros é uma lenda velha, que existe desde a Antiguidade. Não dá pra saber se algum dia a prática deixou de ser lenda. Se depender de Vlad III, a mania de chupar sangue alheio continua fazendo parte da ficção. Ele era cruel, é verdade. Mas sua prática favorita era o empalamento. Funciona assim: você pega uma estaca de madeira de mais ou menos uns três metros, introduz em posição vertical no ânus do seu inimigo e o assiste deslizar lentamente estaca abaixo até a morte por horas. Ou dias. Muita gente morreu desse jeito nas mãos de Vlad, inclusive conterrâneos que se viravam contra a corte. A fama era tanta que o conde ganhou um sobrenome-apelido: "Tepes"- literalmente "empalador", em romeno. - Falo.
- Eu conheço muito bem essa história. - Martin se pronuncia.
- Então me de a honra de escuta - lá por você.
- Claro. - Ele sorrir. - Agora meus caros, eu vos pergunto, e a Transilvânia? Onde entra na história? - Ele é bom. - Foi lá que Vlad III nasceu, em 1431. Mais precisamente na cidade de Sighişoara. Vlad era filho do nobre Vlad II "Dracul", que governou antes dele a Valáquia. Aliás, foi daí que surgiu o apelido "Drácula". Em latim, draco significa dragão – ordem à qual Vlad II pertencia, cuja principal função era defender a Europa cristã do Império Otomano. Drácula significa – adivinhe! – filho do dragão. Mas, dependendo do tradutor que você consulta, também pode significar outra coisa. É que, em romeno atual, dracul significa diabo. Logo, Drácula é também "filho do diabo". Dá pra ver por que Bram Stoker se inspirou nesse personagem.
- Muito bom. - O elogio.
- Posso continuar?
- Sinta - se a vontade.
- Vlad III passou os primeiros anos de sua infância em Sighisoara e, em 1436, se mudou para a Târgoviste, capital do principado da Valáquia, quando seu pai assumiu a liderança da província. Em 1442 sua história mudou. Vlad III, então uma criança de 11 anos, e seu irmão mais novo, Radu, foram entregues ao sultão otomano Murad II, como garantia de que seu pai, Vlad II, iria "se comportar". Ou seja, os reféns garantiriam que Vlad pai jamais bateria de frente com o Império Otomano. Com os turcos em Constantinopla (hoje Istambul), Vlad III aprendeu a língua, costumes e, conforme garantem os romenos, os hábitos cruéis. O acordo acabou em 1448, quando Vlad III foi informado da morte do pai e do irmão mais velho, Mircea. Mas, a essa altura, já fazia um ano que eles tinham sido assassinados pelos nobres da Valáquia, que supostamente deveriam estar do mesmo lado de Vlad pai. Com 17 anos, Vlad III deu início à série de guerras e lutas que marcariam sua vida. Seu irmão, Radu, todavia, optou por ficar ao lado do sultão, na Turquia. Determinado a recuperar o trono do pai, Vlad III retornou à Romênia e tomou o principado da Valáquia em 1448. Mas demorou um bocado até conseguir. Afastado do poder, ele juntou forças para, em 1456, aos 25 anos, ganhar definitivamente o trono que pertencera ao pai. Desta vez, o sucesso foi pleno (ele matou em batalha o então governante, Vladislav II) e comandou a província por seis anos. Foi neste período que Vlad III ganhou o apelido de Empalador. O reinado do príncipe marcou um dos mais importantes momentos de resistência contra os ataques do Império Otomano. É por isso que ele virou herói nacional.
- A glória não durou para sempre. Os recursos da Valáquia para a guerra (que vinham do Império Húngaro) começaram a ficar mais escassos. Até que não deu mais para segurar. Um ataque otomano tirou Drácula do poder. Sabe quem estava no comando dessa investida? Radu, que passou a governar a região. #GameOfThronesfeelings. (Sentimentos do jogo dos tronos.) - Continuo.
- Vlad III não teve outra opção e fugiu para o Império Húngaro, onde ficou preso por 12 anos. Mas o regime da detenção não era muito rígido. Tanto que Vlad III se casou, teve filhos e chegou à condição de membro da família real – tudo isso enquanto ainda era prisioneiro. Anos depois, quando a moral do ex-príncipe já estava no alto e ele já não estava mais na lista de "mais procurados" dos turcos, Vlad III decidiu reconquistar a Valáquia pela terceira vez. - Martin prossegue.
- Ele contou com o apoio de forças húngaras e de seu primo, o príncipe da Moldávia, Estevão. Nessa época, Radu já tinha morrido, e quem mandava na Valáquia era Bassarabe, o Velho. Quando Vlad III chegou lá, o governante ficou tão assustado que preferiu fugir a encará-lo de frente. A reconquista, portanto, deu certo. - Falo e paro pra respirar.
- Só que, no mesmo ano, Vlad III morreu misteriosamente. Ele tinha 45 anos. Enquanto parte dos historiadores diz que ele morreu em batalha contra os turcos (que estavam tentando recolocar Bassarabe no poder), outra leva sustenta que ele sucumbiu numa emboscada armada pelos burgueses descontentes de seu próprio reino, assim como tinha acontecido com seu pai. - Martin.
- Os restos mortais do conde também geram discussões. Há quem garanta que eles estejam na ilha de Snagov, a cerca de 30 km da capital Bucareste. Mas já tentaram examinar uma ossada encontrada por lá e, aparentemente, não era a dele. Outros dizem que a cabeça de Vlad III, separada de seu corpo, teria sido levada pelos turcos a Constantinopla, como prova de sua morte. Nessa história, que tem capítulos mais mirabolantes do que qualquer saga de ficção, esse parece ser um final mais plausível. Ou a gente pode simplesmente acreditar que ele se desfez em poeira, como diz a versão de Bram Stoker. - Eu finalizo.
O sinal tocou depois dessa aula totalmente empolgante, pelo menos pra mim.
- Até amanhã meus amores. -Falo saindo da sala indo pra minha próxima aula.
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Lista de capítulos
46 capítulos no total
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