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Capítulo 2
Ponto de vista de Haven Kramer O choque de Charly logo se transformou em raiva, porque minha compostura era um insulto maior do que qualquer discussão poderia ser, fazendo seu rosto ficar vermelho de fúria. "Não faça parecer que você tem outras opções", ela cuspiu num tom agudo e frágil. "Você não passa de uma imunda sem lobo. Casar com alguém da família Contreras já é um presente da Deusa da Lua que você não merece!" A ignorei completamente e me virei para ir até o guarda-roupa, começando a procurar entre os vestidos com movimentos calmos, como se eu estivesse apenas escolhendo uma roupa para um jantar qualquer. No entanto, essa indiferença total foi demais para ela suportar, então ela avançou e agarrou meu braço, cravando suas unhas na minha pele. "Estou falando com você! Por acaso é surda?" Seu rosto estava a centímetros do meu, sua expressão distorcida pela alegria sádica. "Sabe por que o pai aceitou tão facilmente? A família Contreras pagou uma fortuna! Seu 'enxoval de funeral' garantiu a prosperidade da nossa família na próxima década!" Suas palavras tinham o objetivo de me destruir, me lembrando da minha inutilidade. Se inclinando ainda mais, ela sussurrou num tom conspiratório: "E o pai já sabe que Demetri está morrendo. O veneno de prata está nos seus ossos. Os curandeiros disseram que ele não vai durar um mês. Você será viúva em breve e passará a vida cuidando de um cadáver e de um título vazio." Mesmo ouvindo tudo isso, não lhe dei o prazer de me ver desmoronar, apenas a ignorei completamente. Frustrada com meu silêncio absoluto, o rosto de Charly se contorceu numa expressão de pura malícia antes de me empurrar com força, gritando na minha cara: "Por que não está chorando? Acha que ainda é uma filha preciosa? Sua falecida mãe não passava de uma cadela de baixa classe, e você não é melhor do que ela!" Foi aí que cheguei ao meu limite. Parei de procurar entre os vestidos e, lentamente, centímetro por centímetro, virei a cabeça. O gelo nos meus olhos havia desaparecido, dando lugar a um fogo ardente, tão intenso e furioso que parecia capaz de derreter aço. Ao se deparar com o olhar assassino repentino no meu rosto, Charly retirou sua mão do meu braço como se tivesse se queimado. Antes que ela pudesse processar o que estava acontecendo, me movi com uma velocidade impressionante. Minha mão se fechou como uma pinça de ferro em volta do seu pescoço. Com uma força avassaladora, a joguei contra a madeira maciça do guarda-roupa, cujo impacto fez o pesado móvel tremer. A cabeça de Charly bateu na superfície, e um suspiro estrangulado escapou dos seus lábios quando o ar foi forçado para fora dos seus pulmões. Seus olhos, arregalados de terror, me encaravam. O rosto que ela conhecia há vinte anos agora era uma máscara de um estranho, um arauto do inferno. Esta não era a irmã fraca e submissa que ela adorava intimidar. Meus dedos estavam brancos como osso devido à força do meu aperto, mas minha expressão era estranhamente calma. O contraste era monstruoso. "Peça desculpas", disse num sussurro rouco e frio, como uma lâmina raspando numa pedra. "Peça desculpas à minha mãe." O rosto de Charly estava ficando num tom roxo horripilante. Ela arranhava freneticamente meu pulso, sua garganta emitindo sons de engasgo e sufocamento, sem conseguir dizer uma única palavra. "Insulte minha mãe novamente", sussurrei, aumentando a força do meu aperto o suficiente para interromper seus gemidos patéticos. "E farei você pedir desculpas a ela pessoalmente no inferno." Ao ouvir minhas palavras, sua luta se enfraqueceu, e lágrimas de puro terror escorreram pelo seu rosto. Ela começou a bater fracamente no guarda-roupa com a mão livre, num apelo desesperado e silencioso por ajuda. Ao vê-la nesse estado patético e choroso, a fúria dentro de mim se acalmou. Matá-la aqui seria muito rápido, e isso seria uma misericórdia que ela não merecia. Com isso em mente, a soltei. Charly deslizou pelo guarda-roupa como uma boneca descartada, caindo no chão. Ela segurava a garganta, tossindo e engasgando enquanto tentava respirar desesperadamente. O catarro e as lágrimas manchavam sua maquiagem impecável. Quando ela ergueu os olhos para mim, vi um novo tipo de medo neles, um medo primitivo. Fiquei de pé sobre ela com uma expressão de total desgosto no rosto, e ordenei: "Se mande." Ela se levantou desajeitadamente, parecendo um emaranhado patético de membros. Sem sequer ousar olhar para mim novamente, ela cambaleou até a porta, tentando abrir a maçaneta. Pouco antes de abri-la, ela lançou um último olhar de ódio por cima do ombro. "Você vai se arrepender disso!", ela gritou, mas sua ameaça não passava de um eco vazio. Ao ver o sorriso frio que surgiu nos meus lábios, um arrepio visível percorreu a espinha dela. Em seguida, ela abriu a porta e fugiu, seus passos ecoando pelo corredor. A porta se fechou, me deixando em silêncio mais uma vez. Me recostei na parede, sentindo meu corpo tremer ligeiramente com a adrenalina. Erguendo a mão, olhei para meus dedos, que agora estavam imóveis. Esta noite, eles haviam conhecido a violência pela primeira vez. E isso era só o começo.
Lista de capítulos
350 capítulos no total
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