/0/16293/coverbig.jpg)
/0/17580/coverbig.jpg)
Capítulo 2 Capitulo 02
Ann Mi-Suk
Pela primeira vez em muito tempo, dormi feliz, com o coração cheio de esperança e expectativa pelo dia seguinte. No horário de sempre, uma das empregadas da casa veio me acordar para o café da manhã, o qual, como de costume, foi feito em silêncio total, meu pai não admitia conversas à mesa enquanto ele lia seu jornal. Com o tempo me habituei e não sentia vontade de falar, apenas esperava que todos terminassem sua refeição, para enfim, me retirar também. Ao fim da refeição, quando estava subindo as escadas, ouvi mamãe me chamando. ― Ann, querida, espere que vou com você para escolher o vestido que usará está noite. ― Tudo bem, mamãe. Mas por que toda essa arrumação? Será apenas um jantar... ― Não é um noivado comum e seu pai quer impressionar seu futuro marido. E pelo que ouvi de seu pai, o noivo faz questão de que seja algo grande. Dou de ombro e sigo pelo corredor até o quarto. Quando terminamos de escolher tudo para me apresentar como a mercadoria cara e perfeita em uma vitrine, viro para minha mãe e lhe dou um abraço apertado. As lágrimas surgem e eu sinto meu peito se apertar, talvez eu nunca mais a veja, mas será necessário. ― Não tenha medo, minha pequena ― era desta forma carinhosa que mamãe me chamava desde criança. Mesmo depois de adulta e estar mais alta do que ela, continuava pequena aos seus olhos. ― Você foi preparada para ser esposa de um homem importante, vai se sair bem... ― Não me preocupo com isso ― fungo, se ela ao menos imaginasse. ― Tenho muito medo... ― minha voz falha e eu sinto meu lábio tremer. Acabo mordendo-o para não falar mais do que devo. ― Obrigada por todos esses anos de amor e carinho, mamãe. Eu amo muito você. ― Eu também a amo, minha pequena ― nos abraçamos e ficamos assim por um tempo. Depois que mamãe saiu de meu quarto, permaneci ali trancada. Eu não tinha permissão para circular entre tantas pessoas desconhecidas. Já havia ido a varandas várias, lembrando-me de tudo que Hyun e eu havíamos combinado. No horário combinado, saí pela varanda e segui pela lateral esquerda. Embaixo de uma palmeira estava o pacote com o que eu iria precisar, voltei ao quarto e escondi tudo embaixo da cama. Tive um sobressalto quando ouvi alguém bater na porta e entrar logo em seguida. Eram meu pai e mamãe... ― Querida... ― dou um sorriso sem graça em direção a eles. ― Seu pai e eu gostaríamos de presenteá-la com uma joia para esta noite. Levanto e fico esperando que se aproximem de mim. Com um estojo quadrado, em veludo azul marinho em mãos, meu pai pigarreia e diz. ― Ann Mi-Suk, você pode pensar que sou rude e cruel por tudo que viveu esses anos e agora com o casamento, mas tudo foi feito para o seu bem. Quase dei uma resposta malcriada, dizendo que a única coisa com a qual ele se importava era aquela maldita máfia, mas engoli. Não era hora de discutir, minha liberdade estava muito perto. ― Não se preocupe. Se não morri todos esses anos, não será agora com um casamento arranjado ― disse fria. ― Ann ― mamãe fala. ― Não vou brigar, mamãe, não se preocupe. Já aceitei o meu destino. Cruzo os dedos às minhas costas por estar dizendo uma mentira. ― Muito bem ― ele fala. ― Até porque não tem opção. Pegue... ― estende a caixa. ― Eram da sua avó. Não me lembro dos meus avós. Mamãe conta que eles morreram quando eu era muito pequena, mas não é hora de pensar nisso. Pego a caixa e murmuro um, obrigada. Ele sai e mamãe pergunta se quero auxílio para me arrumar, agradeço e digo que prefiro fazer isso sozinha. Quando ela sai, tranco a porta e corro para pegar os itens embaixo da cama, deixando a caixa com a joia ali. Meia hora depois, confiro meu visual no espelho. Nem eu mesma me reconheço, espero que dê certo. Com o coração disparado e quase saindo pela boca, deixo meu quarto e sigo as instruções que meu amigo me deu, em poucos minutos me misturo ao pessoal que está deixando o local em vans brancas. Não acredito que estou tão perto, minha alegria é tanta que não consigo parar de sorrir. Tento me controlar para não dar bandeira e espero a minha vez de entrar no carro, quando enfim estou dentro, me acomodo e sinto-o em movimento, os poucos minutos até a saída parecem uma eternidade. Meu coração sofre um baque quando o veículo para na portaria e um dos seguranças manda abrir a porta de trás. Começo a rezar silenciosamente pedindo para não ser descoberta, o homem apenas passa os olhos em todos e libera a saída. Solto um suspiro audível e dou um sorriso amarelo para a moça a minha frente, não ousava olhar para os lados. Pouco mais de meia hora se passa e o carro para, quando a porta se abre, todos começam a descer. Parece que é um ponto de parada, as pessoas começam a se despedir e irem para todos os lados. De repente me sinto perdida, para onde vou agora? Onde está o Hyun, que não vi até agora? Distraída, olho em volta, admirada por estar fora dos muros da mansão. ― Ei, moça, vai para onde? ― um rapaz estranho pergunta. Fico na dúvida se devo responder ou não. ― Agora que está livre não fala mais com os amigos? Só agora percebo a voz dele. ― Hyun, é você? ― me jogo em seus braços. ― Shh... não diga meu nome. A partir de agora não seremos mais nós... vamos embora para a nossa nova vida. Sorrindo, me afasto e digo... ― Tem uma coisa que eu gostaria de fazer, será como símbolo da minha nova vida, minha liberdade. ― Tudo o que você quiser... Seguro em sua mão e juntos, caminhamos rumo ao desconhecido. De hoje em diante, eu estava confiante de que seria feliz. E seria eu mesma a escrever meu futuro.
Lista de capítulos
202 capítulos no total
/0/18137/coverbig.jpg)
/0/20394/coverbig.jpg)
/0/19894/coverbig.jpg)
/0/19438/coverbig.jpg)
/0/20216/coverbig.jpg)
/0/6618/coverbig.jpg)
/0/20193/coverbig.jpg)
/0/19313/coverbig.jpg)
/0/19305/coverbig.jpg)
/0/20309/coverbig.jpg)
/0/19303/coverbig.jpg)