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Capítulo 3 Conversa
Meu celular voltou a vibrar, e até já sabia quem era tinha desligado o telefonema sem nem da a mínima importância para o que ela estava dizendo. Sair do quarto do Elano indo para minha sala. Fiquei impressionado com a insistência dela se bem que já devia ter me acostumado. Era sempre assim. O mal foi ter aceitado esse seu mal costume. – Sophia, normalmente as pessoas trabalham, sabia? – Indago. – Eu sei muito bem disso. Já marquei com a Megan para o sábado à noite. – Conta, mas seriam em meus termos. – Vou conhecer essa sua amiga e se eu não me interessar não adianta insistir, entendeu? – E sabia que não iria me interessar. – Você vai gostar. – Confirmou convencidamente. – Temos um acordo? – Pergunto. – Temos chato. – Concordou. Respiro aliviado. Tínhamos um acordo. – Preciso trabalhar. – Respondi desligando o aparelho. Sair da minha sala indo ver alguns pacientes antes que esse hospital realmente começasse a ficar uma loucura. Nem percebi o dia passar, estava tão focado que perdi a hora, tinha que ver a Maia. Já tinha aceitado que a Bittencourt tinha mexido comigo, por alguma obra do destino me sentir atraído por ela desde o primeiro momento, eu reconheço é insano, mas essa vontade de ficar perto dela já é maior que qualquer coisa. Essa preocupação exagerada. Cheguei perto da porta quando escuto risadas, ela estava com alguém e ao invés de entrar diretamente fiquei escutando a conversa. Nada ético para um médico. Mas era meu nome que eu havia escutado. – Você é uma sortuda! – Falou uma garota devia ser a irmã dela. – Claro, estou em um hospital usando esse lindo traje, meus cabelos parecem o mesmo de uma vassoura usada, estou com essa agulha no pulso e ate há pouco tempo estava com um tubo. Sortuda deve ser pouco! – Comentou ironicamente. – Estou falando do seu medico, Miguel Belucy. – Disse. – Thoebe! – Exclamou em tom repreendendo. – Ele é um gostoso, viu aqueles olhos? O cabelo claro? E o corpo físico! Ele parece um dos atores daquele filme 300. E você é uma sortuda sim. – Afirmou. Esperava que a Maia pensasse a mesma coisa. Era a opinião dela que eu queria saber. – Sim ele é lindo concordo e deve ter uma namorada. – Responde. – Tenho certeza que não tem. – Comenta segura. – Ah é? E como tem tanta certeza? – Perguntou. – Se ele tivesse uma namorada ela estaria aqui cortando as asinhas das assanhadas! – Exclamou fazendo a Maia cair na risada e esse som fez com que fizesse o mesmo. Sorrir como um idiota encantado. – Das assanhas iguais a você né! –Rebateu. – Que seja! Como você pode ser minha irmã em? – Perguntou. – Já me fiz muito essa pergunta. – Brincou. – O babaca do meu cunhado perguntou se você esta bem. – Informou a Thoebe. Como assim a Maia tinha namorado? – Não sei por que ele me traiu. – Resmungou. Pelo visto não. – Você tem sorte ficou com o irmão certo o Evans é um cara ótimo. Já o Jheremy não vale nada. – Completa. Pelo visto não sou o único que teve decepções no ramo relacionamento. – Eu sei meu namorado é incrível mesmo. – Concordou. – Modesta você. – Mencionou. – Mas falando serio ainda gosta do Jheremy? - Perguntou. Gostava? Fiquei ainda mais atento. – Isso é serio? Você sabe que não. Quem ama não trai nunca. –Esclareceu. – Sabia, aliás nunca achei que você realmente o amasse. - Ressaltou. - Nunca demonstrou, nem sofrer você sofreu. – Completa. Nem todo sofrimento é mostrado, tem pessoas que sentem tanto, mas não aparentam. – Existe um sentimento chamado amor próprio. - Lembrou. E estava certa. – Por que não investe no medico? – Perguntou Thoebe. Ótimo conselho. – Enlouqueceu? – Perguntou. – Você gostou dele que eu sei. – Afirmou com humor na voz e não escondendo a animação. – De fato você enlouqueceu. – Conclui. – Está vendo você fica toda nervosinha. Agora só resta saber se é recíproco! – Exclamou. Sorrir com a conversa e já estava na hora de interferir antes que a Maia se irritasse mesmo. Abrir a porta esperando alguma resposta dela e como imaginei tudo que tinha ali era silêncio. – Como esta se sentindo? – Perguntei acabando com o Silêncio. – Vou melhorar assim que tirarem isso de mim. – Falou mostrando a mão com as injeções. Incomodava mesmo, muitos pacientes reclamavam que coça bastante. – Doutor Belucy quem cala consente não é? – Perguntou Thoebe. Percebi seu olhar em sua irmã, ela a estava provocando. – Obviamente. – Respondi olhando para Maia. – Não concordo o silencio é a melhor resposta para alguns tipos de perguntas. – Explicou. – Ou talvez a pessoa concorde e só não queira admitir. – Insinuo. – Concordo com isso.– Disse minha futura cunhada. – Isso é uma conspiração? – Perguntou contrariada. Com certeza a paciente mais linda do mundo. – Por quê? Qual é o assunto? – Perguntei a encarando. – É que... bom. É porque... – É por que eu perguntei se você tinha namorada, ela acha que sim e eu acho que não! – Exclamou direta. Encaro a Maia que está sem graça. – Compreendo. – Admito. – E quem esta certa? – Perguntou Thoebe. No mesmo instante o celular dela começou a tocar, ela saiu do quarto deixando-me sozinho com a Maia. – Vou te fazer algumas perguntas. – Aviso parando ao seu lado. – Tudo bem. – Concorda. – Quando os sintomas começaram? – Pergunto. – Eu sempre sentir dor, nessa região acho que tem alguns meses. Mas achei que iria passar, achei que era estresse. – Respondo. – Essa massa se movimentava? – Indago. – Não. Nunca senti. – Diz. – Sentia desconforto ao urinar e defecar? – Perguntei novamente. – Só na hora de urinar, ardia. – Informou. – Tem alguma coisa que parecia diminuir o desconforto? – Pergunto. – Era repentino não contínuo. – Explica. – Ok, era só isso. – Precisava saber dessas informações para inserir em sua ficha. – Não vou voltar a sentir essa dor? – Perguntou ela. - Nunca mais. - Confirmei. A cirurgia tinha sido um sucesso. – Então já posso ir pra casa? – Perguntou. – Não felizmente você terá que ficar em observação, por causa da cirurgia recente. – Falei. Ela balançou a cabeça em consentimento. – Felizmente? – Perguntou surpresa. A porta foi aberta e de novo interrompidos, a mãe dela entrou trazendo uma pequena mala de rodinhas e uma bolsa. Claro que não daria em cima dela aqui, é a minha paciente, mas deixaria claro que gosto de tê-la aqui e bem. – Demorou dona Mariah. – Reclamou fingindo aborrecimento. – Nem tanto dona impaciente. – Respondeu. – E a Thoebe? – Perguntou a Maia. – Disse que vinha mais tarde. Aliás doutor Miguel não tem problema ela trocar de roupa? – Perguntou. – Com tanto que sejam roupas leves. Ela vai ficar alguns dias em observação. – Comento. Nada de roupas apertadas e que não fossem respiráveis. – Quantos dias? – Perguntou minha paciente. – Aproximadamente uns dez dias. – Respondo, percebendo que detestou saber disso, sei que ninguém quer ficar todo esse tempo em um hospital. Se perguntar a qualquer um aqui, o desejo é irem para casa. – É muito tempo eu tenho uma prova no vestibular. –Falou ela. Então essa era sua urgência. – Quando vai ser essa sua prova? – Pergunto. – Quarta- feira. – Respondeu. – Teria como remarcar? – Perguntei preocupado. Sei como o vestibular é importante. – Não. – Afirmou aflita. – Acompanharei você no dia da sua prova. – Não era o ideal, mas não tinha outro jeito. – Obrigada. – Seu olhar atento no meu. – Disponha. – Respondi a olhando. Ela sorriu mais uma vez sem graça. – Mãe preciso de um banho. – Retrucou. – Vou chamar a enfermeira para te ajudar. – Respondi, antes que saísse tinha que responder uma pergunta. – Diz pra Thoebe que ela tinha razão. - Disse piscando pra ela e saindo.
...
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