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Capítulo 2 O empresário

CAPÍTULO 2 Eduardo Cooper — Confesso que fiquei ansioso para saber do que se trata esse almoço. — Ele diz. Encaro rapidamente o homem em minha frente se empanturrar com um pedaço de gordura da carne mal passada que ocupava todo seu prato. — Só preciso de informações sobre uma ex-funcionária. — Digo sem rodeios e impaciente. — Ah, certo! De quem quer saber? — Me olha curioso. — Natasha Damasceno. — Meu estômago vibra quando digo o nome da minha, possível, nova funcionária. — Ah! Como sinto falta dela. — Suspira pesadamente enquanto limpa o canto da boca com um guardanapo. — Por que a demitiu? Aquilo era suspeito, não? — A garota é um espetáculo no que faz. Sempre foi muito empenhada e nunca precisei chamar sua atenção ou fazer qualquer reclamação. O problema era que eu tinha alguns clientes com situações complicadas com o Conselho Federal de Contabilidade, então eu precisava achar uma forma de ajuda-los. Tínhamos duas opções: a dela e a minha. Eu segui a minha. — Penso que nunca escutei ninguém descrever tão animadamente sobre uma funcionária. — E o que aconteceu? — Vejo o medo tomar forma em seu rosto, havia algo bem errado. — Segui o caminho mais rápido, de certa forma, por de baixo dos panos, mas no fim não adiantou nada e tive que pagar uma multa absurda para o Conselho Federal. Só para não prejudicar meus clientes. — Mesmo ele se empanturrando e falando de boca cheia, consigo entender tudo o que diz. — E quanto a opção que ela deu? — Era o certo a se fazer, mas demoraria muito. Para ser sincero, alguns clientes não gostaram que uma simples funcionária desse tanto palpite. Bem, – Fez uma pausa para limpar novamente a boca e dar um gole em sua taça com água. — Ela percebeu o que estava acontecendo, me deixei ser influenciado por eles a demiti. No fim das contas tive que fazer da forma que ela havia proposto, era o caminho mais correto. Clientes podem agir erroneamente. — E por que não a chamou de volta? Isso deveria ser bem óbvio, se sente falta da ótima funcionária era simples. Chama de volta. — Tentei, mas ela recusou. — Ele revira os olhos e corta outro pedaço de gordura. Meu estômago embrulha só de observar isso. — Ofereceu aumento? — Um belo aumento, mas recusou. — Algum problema familiar? Já bastavam os meus. — Nunca deixou assuntos pessoais atrapalharem seu trabalho. Alguns colegas deram em cima, as coisinhas de sempre, ela é muito bela, mas nunca deu moral. Havia um homem, acredito que seja namorado dela, que quase todos os dias a buscava. — Era o que precisava saber, obrigado pelas informações Sr. Jonas. Deixo dinheiro suficiente para a conta e me despeço. Saí o mais rápido possível dali, mais um minuto e eu vomitaria em cima da mesa. Nem quero pensar na situação da saúde dele. Que homem sem decência! Aceita e concorda em fazer coisas ilegalmente. Farei uma denúncia anônima ao Conselho Federal, eles costumam investigar empresas que tem erros exorbitantes de contabilidade, com certeza vão adorar minha ligação. E claro, vou pedir mais um prazo para a minha, não que eu seja corrupto, ou roube minha própria empresa, é que eu não sou o melhor administrador do mundo. Sei que algo de errado está acontecendo e não sei em quem confiar. Mesmo minha empresa tendo quase quatro anos de atuação, ainda sou aprendiz no ramo. Não trabalho ativamente em cada detalhe, dedico boa parte do meu dia para Zoe, sou muito presente para que ela não se sinta menosprezada por mim, claro que nunca será. Mesmo assim, sei os lucros que minha empresa deveria ter, mesmo investindo em áreas diversificadas. Comecei minha empresa com Gael, Sarah e Dorothy, cada um formado em um ramo diferente. Aos poucos, fomos crescendo. E Caramba! Hoje somos uma associação. Associação Cooper. Encho meus pulmões de ar com satisfação, pois finalmente meu império está construído e está deslanchando. Já deveria estar entre as nuvens, se não fosse por um detalhe. Mas agora, depois desse breve momento com Sr. Jones, já tenho a escolhida para saber que merda está acontecendo na minha empresa e espero seriamente que a Srta. Damasceno faça jus a sua fama de boa moça. As outras duas selecionadas me decepcionaram logo de cara, quer dizer, no currículo. Natasha já fez alguns cursinhos extras relacionadas ao ramo da economia e administração, juntando isso com seu bom senso, certamente deve ser uma máquina de trabalho. Perfeição e ética. Preciso correr! Sarah precisa entrar em contato com ela o mais rápido possível. Já eu, preciso buscar Zoe na escola antes do horário, pois houve mais uma ligação da diretora, de novo. Foi outra briga com uma coleguinha. Não sei mais o que fazer, já conversei, deixei de castigo, tirei alguns brinquedos e a pestinha ainda bate nas coleguinhas. Até contrataram uma professora só para ficar com ela. Melhorou um pouco, mas quando chega o momento de brincar, sai de perto. A saúde está ótima, nenhum diagnóstico de bipolaridade ou transtorno de qualquer coisa. Já sabemos o problema, todos sabem. Faz dois anos que todos sabem. A falta da mãe. Ela quer uma mãe. E isso é algo que não posso dar. CAPÍTULO 3 Natasha Damasceno Respiro fundo após a série de abdominais, meu corpo todo dói por causa dos exercícios pesados de hoje. Pego minha garrafinha de água e dou um gole grande, no fone de ouvido está tocando Alok, mas logo para com a vibração de uma ligação. Resmungo atendendo, espero que não sejam problemas, hoje gostaria de um dia livre para cuidar de mim. — Alô? — Respiro fundo. — Natasha? — Reconheço a voz e sorrio. — Sim, eu mesma. — Banco a desentendida. — Bom dia, aqui é Sarah do RH da Associação Cooper. Foi eu quem fez sua entrevista. Eu sei amorzinho. — Ah! Olá, Sarah. Me desculpa, não reconheci sua voz. Mentir é feio, Natasha. — Você está bem? Está ofegante! — Estou sim, estou na academia. — Ah! Certo. Bem, estou entrando em contato para lhe informar que o Sr. Cooper a escolheu para ser nossa nova parceira. — Disse animada. — Uau! Isso é demais! — Podemos contar com você? — Indaga sugestiva. — Claro, quando começo? — Lhe encaminharei no e-mail os documentos que preciso que traga. Assim que estiver com todos, estamos no seu aguardo. — Estou feliz pela notícia, providenciarei tudo. — Aguardamos, até mais. — E desliga. Solto um gritinho de felicidade, mas logo disfarço quando algumas pessoas me olham curiosas. Santa Pipoca! Já posso jogar nas casas de jogos?! Com certeza ganharia todos. Menos Natasha, menos. A que se dane! Eu estava com uma convicção muito forte que eu conseguiria esse trabalho. Saio saltitante da academia, atraindo muitos olhares. Associação Cooper se preparem, aqui vou eu!

Entro no elevador depois de falar com as recepcionistas. Meu coração parece querer sair do peito, respiro fundo tentando manter a respiração normalizada. Essa empresa é um sonho! Alguém grita para que eu segure a porta e assim faço. Dou espaço para o rapaz que entra afobado, ele sorri largo agradecendo e terminando de arrumar a gravata. — Eu sou desastre para chegar no horário, obrigado. — Ele agradece. — Não foi nada. — Nunca te vi aqui, como se chama? — Ergue a sobrancelha direita me olhando curioso. — Sou Natasha Damasceno. — Uou! Minha nova colega de trabalho. Prazer, sou Gael Baker. — Diz todo animado me estendendo a mão. A pego sorrindo de volta. Sinto um frio na espinha. Opa! Terreno perigoso. — Então, quando vai começar? Preciso mesmo da sua ajuda, as coisas aqui são uma correria. —Talvez na quinta, só vim assinar alguns papéis. O elevador para e ele faz sinal para que eu saia na frente. — Então, seja muito bem-vinda. Ele me dá uma piscadinha enquanto as portas se fecham. Me viro na ponta dos saltos admirando o espaço enorme ao meu redor. Magnífico! Um balcão alto de mármore preto, as enormes janelas de vidro rodeando todo o espaço, poltronas brancas ao lado contrário do balcão, uma pequena mesinha com algumas revistas expostas, um aroma agradável no ambiente. Respiro fundo e sorrio. Ando até o balcão e sou recebida com um sorriso pela moça ruiva. — Boa tarde, posso te ajudar? — Sorri gentilmente. Estou adorando o atendimento daqui. — Oi, Sarah me chamou. — Natasha? Parece que estão à minha espera. — Isso! — Dou um enorme sorriso. — Siga o corredor, na última porta a esquerda. — Indicou. — Obrigada! Sigo até a porta mencionada e bato. Ignoro o nervosismo presente no meu estômago enquanto espero. A garota ruiva, que não consegui pronunciar o nome do pequeno crachá, está me encarando, o que só me faz ficar mais afobada. Logo escuto a voz de Sarah pedindo para que eu entre. Sarah sorri ao me ver, observo sua sala rapidamente: espaçosa, sem muitos armários, a roupa social um pouco frouxa em seu corpo, o coque quase se desfazendo. Percebo o cansaço em seu rosto pela falta de maquiagem. Fecho a porta e me sento à sua frente na cadeira almofadada. Confortável até demais, quase sumo nela quando meu corpo se afunda. Essa não era a sala em que fui entrevistada, a outra ficava no primeiro andar, olhando ao redor, aqui é bem mais aconchegante. — Animada? — Pergunta piscando repetidas vezes. — Muito. — Suspiro aliviada por ela estar tão receptiva. — Sr. Cooper espera que dê certo com você aqui. — Disse tão animadamente enquanto pegava uma pasta, então ela para do nada e seus olhos se arregalaram. — Falei demais. — Tudo bem, não escutei nada. Sarah entrega os papéis e repete algumas informações que deu na entrevista. Assino todas as páginas e consigo ver que a assinatura do meu novo chefe já está aqui também. Credo, que rabisco. Nem o melhor falsificador conseguiria copiar esse rabisco. — Me acompanhe, vou mostrar sua sala. A sigo até o elevador e quando as portas se fecham quase morro do coração — Mulher, você tem muita sorte! Vai trabalhar ao lado do Gael, aquele homem é lindo de morrer. — É mesmo. — Tento não parecer muito eufórica com a ideia enquanto ela só faltou pular no meu pescoço de tão animada. — Sabe quem é? — Estava no elevador comigo. As portas se abrem e saímos. Novamente o lugar é enorme, desconfio que todas as saídas do elevador para as salas devem ter um grande espaço vago até a mesa da atendente. A mesa muito bem desenhada em forma de "L" está cheia de papéis espalhados com uma garota concentrada mexendo no computador, mais ao fundo, duas portas, o espaço é branco e tem apenas um sofá com um vaso decorativo, nada mais. — Candice, essa é Natasha Damasceno. Candice é secretaria de Gael e agora, é sua também. Logo a mulher se vira para nós, se levanta vindo até mim. Ela é alta, loira, os olhos castanhos claros, pouca maquiagem, um gloss rosado e seus olhos descem e sobem por meu corpo reparando em minha roupa. Eu também faço isso. Sei lá, não curti essa calça social com essa jaqueta jeans que ela está usando. — Seja bem-vinda. — Diz ela. Trocamos rápidos beijos nas bochechas e sorrio de leve. — Ela te deixará a par de tudo e qualquer dúvida, recorra a ela. — Completa Sarah. Sarah se despede e quando as portas do elevador se fecham a secretária dá dois pulinhos animada. Estou começando a pensar que todos aqui tem esse problema. Santa Pipoca, espero que não seja contagioso. — Vem! — Me chamou completamente animada. Me puxou pelo braço, apresso meus passos para acompanha-la. Ela foi abrindo a sala do lado esquerdo e já entrando, entro logo em seguida. A sala é linda, uma mesa enorme, mais ao fundo com as bases de madeira rústica e o plano de vidro e a cadeira de couro preta. Me aproximo e encaro a enorme janela que me dá uma vista encantadora da cidade. Olho ao redor: dois enormes armários de arquivos, um frigobar, ar- condicionado e um aquecedor. As paredes todas brancas, o teto é de gesso desenhado com luminárias incríveis de cristal. — Linda, não é? — É sim! — Digo ainda admirada. — Como Gael ficou muito tempo sem uma parceira, eu acabei pegando um pouco do trabalho. Só que eu faço apenas o que realmente sei e ele revisa, mas assim que você começar a sua mesa estará cheia de papéis. Pela pilha que está na mesa dela, com certeza deve estar animada para se livrar da papelada. — Tudo bem. — Se quiser, pode fazer uma decoraçãozinha aqui para se sentir mais à vontade. O Sr. Cooper não liga muito, desde que não suje as paredes. — Bom saber... Candice, tem uniformes da empresa? — Até tem, mas muitos reclamam que não fica bom e quase não usam. Então a única exigência é estar sempre vestida formalmente. — Eu adorei. — Não contenho minha curiosidade e pergunto. — Por que Gael ficou tanto tempo sem uma ajudante? — Sr. Cooper é muito meticuloso em relação aos cargos mais complexos. O que vou te falar morre aqui, mas... Depois que o RH faz a entrevista e seleciona as mais aptas, ele mesmo vai atrás do último emprego da pessoa para saber mais. — Como é?! Calma aí sociedade! Que cara ousado. — Isso quer dizer que ele teve um almoço de negócios com seu último chefe e, dependendo do que eles conversaram, ele achou que você merecia. Por que ela está me olhando como se eu fosse um prêmio? — Tá legal... Isso é estranho. — Concordo. — Ela sorri sapeca e se aproxima. — Todo mundo aqui se ajuda, somos bem próximos. Sr. Cooper não tolera briguinhas e concorrências, então você se dará bem. — Isso é ótimo, mas meu foco é meu serviço, Candice. Pode parecer que eu seja antipática, mas... Só gosto das coisas corretas e isso acaba me isolando um pouco. — Entendo. — Percebo um pouco a decepção em sua voz. — Mas realmente essa vista é incrível! — Que bom que gostou! Ajuda a relaxar e preciso dos meus funcionários relaxados. — Uma voz masculina surge. Candice dá um pulinho de susto e logo assume uma pose mais séria. Me viro e na porta está um homem muito elegante.

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Lista de capítulos

25 capítulos no total

  1. Capítulo 1Capítulo 1 O empresário
  2. Capítulo 2Capítulo 2 O empresário
  3. Capítulo 3Capítulo 3 O empresário

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