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Capítulo 2

Ponto de vista de Dawn Crawford: Passei a noite em claro. Sentada na janela, observei as fogueiras da comemoração se transformarem em brasas, e meu coração também. Com os primeiros raios de sol tocando o céu, me levantei. Então, olhei para o espelho, vendo a mulher pálida me olhar de volta, com olheiras roxas. Apesar disso, eu não iria me abater. Eu era a Luna da Matilha Blackwood. Mesmo que meu companheiro tivesse me traído, eu não iria perder minha dignidade. Após escolher um conjunto preto elegante, prendi meu cabelo branco-prateado num coque apertado e bem-feito na nuca. Em seguida, passei uma maquiagem para esconder meu cansaço. A Casa da Matilha estava silenciosa quando entrei no corredor. Embora a bagunça da celebração fracassada da noite passada tivesse desaparecido, o clima estava pesado e constrangedor. Me deparei com ele enquanto ia para o refeitório. Jaxson. A barba por fazer no seu rosto me dizia que ele também não havia dormido. Seus olhos eram um turbilhão complexo de emoções enquanto ele me olhava. Quando ele abriu a boca para falar, passei por ele sem dizer uma palavra. "Dawn, precisamos conversar." Suas palavras, o comando do Alfa, ecoaram na minha mente. Embora eu quisesse cortar esse vínculo repugnante, como ele era o Alfa, não pude bloqueá-lo completamente. Em vez disso, concentrei minha vontade e construí uma barreira gélida em torno da voz dele na minha cabeça. Embora isso não fosse silenciá-lo, abafaria suas palavras e o faria sentir minha rejeição. De repente, ele resmungou, um som suave e agudo de surpresa. Ele havia percebido minha barreira mental. Um lampejo de choque e raiva cruzou seu rosto. Então, entrei no refeitório. Julianne já estava sentada na mesa longa e polida, na cadeira ao lado do assento do Alfa, que era o meu. Ao me ver, ela se levantou imediatamente e abriu um sorriso humilde e perfeito. "Bom dia, Dawn. Dormiu bem?" Ignorando sua pergunta, lancei um olhar frio para ela e me virei para a empregada que estava por perto, dizendo: "Mude meu lugar para a outra ponta da mesa." Os olhos da empregada se arregalaram em pânico. Olhando para mim e depois para Jaxson, que acabara de entrar atrás de mim, ela ficou paralisada de indecisão. Diante do meu pedido, o sorriso de Julianne vacilou e seus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente, criando uma imagem perfeita de inocência ferida. "Eu... não queria. Só queria ficar mais perto de você..." Nesse momento, Jaxson se aproximou dela e colocou uma mão protetora no seu ombro. Me encarando, ele disse: "Dawn, pare com isso. Julianne não fez por mal." "Não quero me sentar com uma estranha. E esse é o meu lugar", afirmei calmamente, com meus olhos fixos em Jaxson. O clima no refeitório ficou tenso. De repente, uma voz feminina severa rompeu a tensão. "Jaxson, deixe ela se sentar onde quiser." Era a mãe de Jaxson, Eleanor Fisher, a ex-Luna que me treinara e cuja autoridade na matilha só era inferior à do seu filho, que saiu de um corredor lateral. Ela usava um terno impecável e sua expressão era severa enquanto seus olhos afiados nos observavam. Como ex-Luna, ela sabia da importância da minha posição. O maxilar de Jaxson se contraiu, mas ele acabou cedendo à sua mãe. "Mãe, Dawn está exagerando." "Sua companheira destinada está chateada por causa da mulher que você trouxe para nossa casa. Isso não é exagero. Seu dever é acalmar sua Luna, não ficar aqui a culpando", disse Eleanor, com sua voz baixa, mas cheia de um poder incontestável. O rosto de Julianne empalideceu, e ela olhou para Jaxson em busca de ajuda. Sob o olhar inabalável da mãe, Jaxson acabou cedendo. Ele deu um aceno brusco para a empregada, que correu para fazer o que eu havia pedido, e então levou Julianne para um assento do outro lado, longe de mim. Fiquei sentada sozinha na cabeceira da mesa, tomando meu café da manhã com minha elegância habitual, como se nada tivesse acontecido. Durante todo o tempo, pude sentir o olhar ardente de Jaxson sobre mim. A refeição terminou em um silêncio sufocante. Após limpar os lábios com o guardanapo, me levantei para sair. "Dawn, não vá embora. Precisamos conversar", Jaxson tentou se comunicar mentalmente novamente, com um tom de súplica desta vez. Parei, mas não me virei. Reforcei meu escudo mental, fazendo com que sua voz se tornasse um murmúrio distante e distorcido na minha mente. Então, saí do refeitório sem olhar para trás. Pude sentir a raiva dele, mas, por baixo dela, havia algo mais... confusão. Essa foi uma pequena e fria vitória. Logo, fui para o escritório da matilha, que era o meu, o lugar onde eu administrava nosso mundo. Mas, quando abri a porta, parei. Jaxson já havia pedido para levarem as malas de Julianne para a pequena suíte ao lado do meu escritório, os quartos destinados ao futuro herdeiro Alfa. Ele não estava apenas trazendo ela para nossa casa, mas a deixando invadir o espaço destinado ao meu futuro filho. Isso era uma nova declaração de guerra.

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  2. Capítulo 2Capítulo 2
  3. Capítulo 3Capítulo 3

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