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Capítulo 3 Emilayne Aurora 💖
Vejo a penúltima garota entrar no tal escritório e minhas mãos suam mais ainda, estava nervosa, com medo e ansiosa, eu precisava desse emprego, minha vó precisava de mim, e eu morreria se ela não aguentar, eu não sei e nem quero viver sem ela, ela é a única pessoa que eu tenho nessa vida inteira, é a minha base!
Desde que me conheço por gente foi sempre eu e a minha vó, meus pais só serviram para me fazer e jogar nas costas dela, sempre foi eu e ela pra tudo, minha vó não teve muitos filhos, foi só minha mãe e meus dois tios, já falecidos.
Na verdade, primeiro ela teve minha mãe, depois veio meu tio do meio que morreu quando criança, e anos depois veio meu outro tio que nasceu morto, minha vozinha já sofreu tanto que me recuso deixar ela sofrer já no final da sua vida.
Minha avó já beira seus setenta e cinco anos, junto da sua idade avançada, veio o alzheimer e parkinson, eu não tenho estruturas para cuidar dela, não é má vontade, se eu pudesse ficaria com ela meu dia inteiro, mas eu preciso trabalhar, preciso de dinheiro para manter a saúde dela mais estável que posso, fora os outros gastos necessários.
Morávamos juntas, até um mês atrás, quando ela caiu e quebrou o fêmur, precisando assim de cirurgias, eu não estava em casa, estava trabalhando e precisei deixá-la sozinha, infelizmente é a nossa realidade.
Não tenho com quem deixá-la para trabalhar, e na verdade, nem trabalho fixo eu tenho, as vezes pego algum bico por aí como faxineira, babá, algo do tipo e foi em uma dessas que aconteceu o acidente.
Nesse dia eu tinha saído para fazer uma faxina, tínhamos combinado que ela não iria fazer muitos movimentos bruscos, já para não ocorrer nada, mas ela é teimosa, como quase todos os idosos que existem nesse mundo, disse que ficou entediada e quis ir arrumar a casa, não deu outra, os tremores pelo corpo começou e ai ela caiu de mal jeito, foi uma queda tão feia que nem do chão ela conseguiu levantar, de tanta dor que sentiu.
Só quando eu cheguei, quase a noite que pude socorrer ela, infelizmente não tenho dinheiro para pagar um plano de saúde bom para ela, então tive que levar no sus e por Deus, se arrependimento matasse, eu estaria morta.
Minha vó está em um hospital público de emergência, esperando há um mês uma cirurgia no fêmur, fora as outras patologias, o alzheimer dele já está avançado, já não me reconhece direito e fica muito agitada no hospital, precisando ser contida, amarraram ela, não tinha jeito, ou amarravam, ou ela iria se machucar.
Eu me sinto extremamente mal por tudo isso, me sinto culpada, mas no fundo eu sei que não tinha nada que eu podia fazer naquele momento, eu precisava trabalhar para nos manter, para comprar os remédios dela, ela até tem uma aposentadoria, porém não dá pra quase nada, só os remédios para manter ela em sã consciência, tentar segurar um pouco o alzheimer é quatrocentos reais, e ela só recebe mil e duzentos.
Com o que sobra e com o que recebo eu compro as coisas que precisamos, feira, fraldas descartáveis para ela, remédios necessários e afins, o bom é que não precisamos pagar aluguel, minha vó tem sua casinha, que meu vô lutou tanto para conseguir ainda em vida.
Meu vô faleceu há alguns anos atrás, avc, trabalhou até onde conseguiu por nós, sou grata por tudo que ele fez por mim e por minha vó, se não fosse ele, não sei o que seria de nós duas, de verdade!
Com ele vivo era complicado, mas ainda sim, era mais fácil, eu não me sentia tão pressionada, tão inútil como me sinto todos os dias, mas eu creio que de onde ele estiver, ele estará olhando e cuidando de nós.
Saio dos meus pensamentos com a porta do escritório sendo aberta e franzo a testa, foi tão rápido que até me assustei, Será que ele já escolheu alguém? Não pode ser, eu preciso desse trabalho, por favor Deus, me ajude!
A moça passa por mim sem falar nada, nariz em pé, quase cuspindo fogo, eu solto o ar que estava preso na garganta e levanto, indo em passos largos até a porta que estava meio aberta e meio encostada.
__ não é possível que não exista uma mulher decente e profissional nesse mundo, puta que pariu! - antes de bater na porta consigo escutar o murmuro e reclamação dele e meu corpo quase convulsiona de medo.
Mas não deixo o medo me abater, toco lentamente na porta, batendo fraco.
__ entre. - escuto a voz ríspida que faz meu corpo arrepiar de medo, mas faço o que ele mandou, empurro um pouco a porta e movo as minhas pernas para dentro do escritório, vendo um homem branco, forte, vestido de camisa social e uma calça jeans, o perfume exalando por dentro do escritório e a cabeça baixa, olhando alguma coisa no computador enorme que tem na sala. - bom dia, como você se chama? - pergunta me tirando do transe e eu vejo que tinha paralisado na porta, dou um sorriso sem graça, encostando a porta novamente e me movendo até a cadeira a sua frente, onde a mesa dividia o espaço entre nós dois.
__ Bom dia, me chamo Emilayne. - falo com a voz tímida, porém firme, vejo ele concordar com a cabeça e me olhar suspirando, estava estampado no rosto dele que ele já havia desistido e que o emprego não seria meu, mas eu não sou de desistir fácil, a pior parte já foi, que foi a parte de me deslocar da minha cidade até a parte dos bilionários, não iria embora sem esse emprego.
__ certo, me diga suas experiências Emilayne. - pediu com a voz ríspida e tudo dentro de mim deslocou, eu não tinha experiência alguma, tenho apenas dezoito anos, nunca trabalhei de carteira assinada, a derrota já estava quase declarada.
Suspiro fundo e tomo postura, criando coragem para começar a falar!
Isso é tudo que está disponível no momento.
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