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Capítulo 3 O Retorno
Ponto de vista de Artemis. Nova York nunca dorme, mas lá no alto, no topo do arranha-céu da Adalwolf Global, o silêncio imperava. Eu não precisava de silêncio para me concentrar naquele ar carregado de ambição, o mesmo que se respirava em cada canto daqueles escritórios que, muito em breve, deixariam de ser de Sebastian Adalwolf. Cinco anos se passaram desde que Samantha morreu. A mulher que contemplava a cidade a seus pés já não era aquela Luna derrotada que fugiu da humilhação. Eu me tornei uma predadora e construí um império financeiro com o objetivo de desmantelar o do meu ex-marido. — Senhora Thorne, a equipe legal já terminou a revisão final — a voz de Liam me tirou dos meus pensamentos. Liam era o meu braço direito. Era o único humano que conhecia, mesmo que fosse um pedacinho do meu passado. Eu me virei e fitei meu reflexo no espelho. Meu terno cinza-grafite estava impecável, igual ao meu coque. — Alguma ponta solta, Liam? Ele ajeitou os óculos antes de responder: — Nenhuma. O acordo de fusão que apresentamos não tem nenhuma brecha. É uma jogada de mestre Ele vai ter que aceitar, ou vai ver a sua principal subsidiária afundar em menos de um mês. Estamos colocando a pressão certa. Sorri de bocha fechada. — A pressão sempre funciona, querido Liam, sobretudo quando a arrogância é o ponto fraco. O Sebastian nunca esperaria uma jogada assim, tão silenciosa e tão inevitável. Ele jurava que só assinaríamos aquele contrato de fachada para acalmar os velhos do Conselho. Aproximei-me da mesa e toquei o dossiê com o selo da Adalwolf Global. Anos atrás, tinham me obrigado a assinar um papel ridículo numa mesa como essa. Um contrato sem alma que só servia para dar estabilidade a duas alcateias poderosas. Aquele documento me transformou na esposa invisível, a Luna sem voz, antes que o próprio Alfa me humilhasse e ferisse daquela maneira. Meia hora depois, Liam e eu fomos no elevador privado em direção à cobertura da Torre Adalwolf. A reunião não era oficial, não estava em nenhuma agenda. Era uma emboscada para obrigá-lo a negociar antes da junta trimestral. Quando as portas do elevador se abriram, olhei para o ambiente da cobertura, elegante e austera. Uma secretária pálida, que parecia saída de uma revista, olhou-me com uma mistura de surpresa e desconfiança. — Tenho uma reunião urgente com o CEO Sebastian Adalwolf. Sou Artemis Thorne, da Thorne Acquisitions. Ele está me esperando — disse-lhe, usando um tom de voz baixo. A moça hesitou, mas o sobrenome Thorne pesa muito neste mundo dos negócios. — Um momento, por favor, senhora. Mal se passou um minuto quando as portas se abriram. E lá estava um homem alto, robusto, com aquela mandíbula quadrada e um rosto de quem nunca na vida perdeu uma batalha. Cinco anos não tinham lhe tirado nada. Pelo contrário, os anos tinham afiado as suas feições e colocado mais frieza naqueles olhos dourados. Sua presença de Alfa era como um muro, uma força que eu recordava com uma amargura que me queimava. — Thorne? Não tenho nada na minha agenda… — Ele resmungou. Seus olhos se estreitaram enquanto escaneavam o meu rosto. Senti minha loba se agitar por dentro diante daquele reconhecimento antigo e selvagem. Permaneci calma. Não me mexi nem um milímetro, apesar de tê-lo tão perto e de sentir o seu olhar em cima de mim. Tinha ensaiado minha postura mil vezes na frente do espelho para aquele momento. — Alfa Adalwolf. É um prazer — disse-lhe, estendendo-lhe a mão com firmeza. Ele ficou imóvel por um momento antes de me cumprimentar. Seus olhos desceram até a minha boca e voltaram a subir. — Conheço esses olhos — murmurou num rosnado baixo, daqueles que só nós, os lobos, entendemos. — É a primeira vez que nos vemos, senhor Adalwolf — respondi. — Aliás, muitas pessoas têm olhos azuis como os meus. Ele soltou minha mão e se afastou para nos deixar entrar. Seu escritório era enorme, com um janelão que mostrava a cidade inteira. — Sentem-se. — Sebastian apontou para a cadeira e olhou para o meu assistente. — Liam, certo? — falou com a mesma frialdade com que antes tinha se dirigido a mim. Liam assentiu com um sorriso e estendeu a mão para cumprimentá-lo, mas Sebastian se recusou a cumprimentá-lo e olhou para mim. Eu me acomodei no sofá de couro branco, cruzando as pernas sem nenhuma pressa, enquanto Liam colocava o dossiê sobre a mesa de centro de vidro. — Estamos aqui pelo acordo de fusão. Sua equipe nos ignorou a semana toda, então pensei que uma visita pessoal fosse agilizar as coisas. Tempo é dinheiro, e soube que AlfaTech está perdendo muito. Sebastian nem olhou para os papéis. Sentou-se na minha frente, recostando-se com uma calma que dava mais medo do que qualquer grito. — A sua empresa é a minha maior concorrente em energia limpa. — Sebastian enfatizou. — Não faço negócios com quem tenta me arruinar. — E quem disse que quero a sua ruína, Sebastian? Só busco uma sinergia. Minha subsidiária de energia eólica é a peça que falta na sua cadeia. Eu lhe dou a tecnologia e o senhor entra com a distribuição. É um trato justo. Ele se inclinou um pouco para a frente e, por fim, vi que perdia um pouco o controle. Estava me analisando, procurando a fêmea submissa com quem tinha se casado.
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