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Capítulo 3 Qual a verdade por trás de tudo
Maxon:
- Sabrina! - Madeleine Prescott respondeu com os olhos marejados - Sabrina o encontrou. - Sabrina? - questionei. Aquele não era o nome daquela mulher? A que chorava copiosamente durante o enterro de Simon?
- Duas horas antes -
Quando toda aquela multidão se dispersou, me ajoelhei ao lado do túmulo e Simon e depositei uma rosa branca sobre a terra. - Por que você fez isso, irmão? - questionei sentindo o coração pesado - Por que você não pôde esperar por mim? Por que não pôde viver mais um dia? Senti a presença de alguém atrás de mim, então, me levantei e me virei em direção daquela pessoa. Era aquela mulher. A mesma mulher que chorava ao lado do caixão do meu irmão, agora estava parada a minha frente. O rosto pálido, lábios esbranquiçados e roupas encharcadas pela chuva. Seus olhos estava inundados de lágrimas. - Simon! - ela disse com a voz fraca, erguendo a mão e para tocar o meu rosto - É você? Você está aqui? Você voltou? Quando seus dedos finos e frios tocaram minha face, seus olhos se reviraram e ela pendeu para trás. Desmaiando. Me apressei em segurar seu corpo, para que ela não caísse no chão. - Sabrina! - uma voz feminina se fez ouvir. Uma mulher aparentando ter a mesma idade que ela corria ao nosso encontro. - Sabrina! - ela repetia alto, chamando a atenção de outras pessoas - Alguém liga para o socorro.
- Hora atual -
- Sabrina Hart! - ela repetiu - Ela era amiga do seu irmão. - Por que foi ela quem o encontrou? - questionei - Ele não estava aqui? - Parece que Simon e Sabrina combinaram de se ver para comemorar a promoção dela no trabalho, mas o Simon não apareceu! - ela contou - Sabrina veio até aqui para perguntar o motivo, então ela o encontrou morto. Na banheira. Então, foi assim? Que nível de intimidade os dois tinha para que ela até mesmo entrasse no banheiro do quarto dele? Ela desmaiou quando me viu. E ela também me chamou de Simon. Ela pensou que eu fosse o meu irmão e desmaiou logo em seguida. Por que? Por que ela estava chorando tanto no enterro? Por que desmaiou? Seria choque por sermos quase iguais, ou culpa por algo? Eu não sabia a resposta. Mas queria muito descobrir. "Sabrina Hart, quem é você, e o que você significou para o meu irmão?"
Sabrina:
Abri os olhos encarando a claridade do teto. Minha mente estava nublada. Eu mal me lembrava do que aconteceu depois do enterro. - Sabrina, você acordou! - a voz de Silvia ecôou longe, mesmo ela estando tão perto de mim - Eu sabia que iria acabar passando mal. Você não come nada há dois dias. Qual o sentido disso? Devagar, eu voltei a ouvir normalmente. - Acha que o Simon iria gostar de te ver se desgastando desse jeito? - ela perguntou. - O que aconteceu? - perguntei ao me sentar sobre o leito hospitalar - Como eu vim parar aqui? - Olha só, você nem se lembra! - ela reclamou carrancuda - Você insistiu em voltar para se despedir direito do Simon, mesmo contra a minha vontade. Quando eu cheguei ao túmulo dele, você já havia desmaiado nos braços do irmão dele. - Irmão? - não. Definitivamente era o Simon. Eu vi ele. Eu tinha certeza de que era o Simon. - O irmão do Simon que mora na Inglaterra! - ela contou - Eu só soube ontem que ele viria. Mas, o vôo atrasou e ele só chegou a tempo de ver o enterro. - Está dizendo que era o irmão dele? - questionei - Por que ele se parecia exatamente com o Simon? - Você não sabia? - ela questionou fazendo uma careta de surpresa - Eles eram gêmeos! Gêmeos?
- Duas semanas antes -
- Você parece feliz! - comentei ao vê-lo sorrir para o papel - Por acaso, isso é uma carta de amor? - Sim! - Simon sorriu animado - O amor mais puro e genuíno do mundo. - Nossa, você está mesmo disposto a me deixar com ciúmes heim! - resmunguei - Quem é ela? - Como é? - ele perguntou - Eu quis dizer que é o meu irmão. É uma carta do meu irmão! - Do seu irmão? - sorri sem graça - O que mora em Londres? - E eu tenho outro irmão para quem eu envio cartas? - ele questionou - Você sabe bem que ele é a metade da minha alma. - Você é tão cafona! - resmunguei - Você vai para Londres de novo? - Não. Desta vez é ele quem vai vir para Portland! - ele contou. - A Madeleine deve ter ficado feliz com a notícia. - Ela não sabe! - Simon negou - Eles dois não tem uma boa relação. Você sabe. Meu pai levou o Maxon embora quando se divorciou da minha mãe. Agora, meu irmão e eu só nos vemos uma ou duas vezes por ano. Acredite, se a nossa mãe soubesse, o Maxon nem sequer cogitaria a idéia de vir para Portland. Ele não quer ver ela. Eu sabia que a relação entre as pessoas da família do Simon era complicada, mas não imaginava que fosse tanto a ponto do filho nem sequer avisar a mãe que estaria vindo para o país. - E você parece se importar muito com o que ele quer ou não! - falei. - Claro que sim. Fomos gerados em uma mesma bolsa, o que ele pensa e sente é mesmo importante para mim! - ele disse de uma forma carinhosa - Como eu disse, o amor mais puro e genuíno de todos. Ele é a pessoa mais importante do mundo para mim. - Nossa, falando assim me deixa ainda mais enciumada do que se fosse uma mulher! - reclamei. - Deixa de drama! - ele disse depositando um beijo no topo da minha cabeça - Você sabe bem que mesmo eu tendo um irmão gêmeo, você sempre vai ter um lugar especial no meu coração. Que tal assim, você e o Maxon são as duas pessoas que eu mais amo. - Assim está melhor! - sorri para ele. - Que tal isso, quando ele vier em dois meses, eu vou apresentar vocês dois! - ele sugeriu - o que acha?
- Dias atuais -
- O nome dele é Maxon! - comentei. - Então, você já o conhecia? - Silvia questionou - Você... - Eu nunca tinha visto ele antes! - contei - O Simon disse que tinha um irmão gêmeo, mas eu nunca pensei que eles fossem tão parecidos. - A semelhança é mesmo assustadora! - ela concordou - Eu mesma teria ficado aterrorizada ou desmaiado se não soubesse que eles eram gêmeos. O que eu estava pensando? Que o Simon tivesse voltado? Ele não iria voltar mais. Havia me abandonado. Me deixado para sempre. Mesmo depois de me prometer que nunca me abandonaria, como a minha mãe fez, mesmo assim, ele me abandonou sem pensar duas vezes. "Simon Ravenwood, você não cumpriu sua promessa!" - Eu quero ir para casa! - falei. - Você deveria ficar em observação por mais algum tempo! - Silvia insistiu - E além do mais, não é bom que você fique sozinha depois de tudo o que passou. - Eu estou bem! - declarei - Só quero ir logo para casa! - Tudo bem! - ela concordou - Mas, eu vou com você!
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