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Capítulo 3 SEMPRE SUA LUCE.
vez. - Sim senhor, pode deixar comigo e me desculpe novamente pelo atraso, não vai mais acontecer. – Eu espero. - Acho ótimo. Agora pode ir para a sua mesa, temos muito trabalho a fazer. Sai da sala do senhor Maxon com um sorriso bem falso no rosto. No fundo ele está certo, tenho que parar de chegar atrasada, mesmo fazendo todo o meu trabalho sem erros e até mesmo antecipadamente, eu precisava deste emprego. Precisava demais. Tinha que sair do lar o mais breve possível, logo iria completar 21 anos e devo ter meu próprio cantinho. Mais alguns meses poderíamos, eu e Jason, estava economizando a mais de um ano para que isso fosse possível. Assim que cheguei a minha mesa comecei a adiantar o meu trabalho, hoje não poderia ficar trabalhando até mais tarde como sempre, porque ia sair com o cara mais gato do meu bairro, Joe Davys. Quando estava quase encerrando o meu expediente o senhor Maxon jogou uma pilha de pastas em minha mesa, fazendo com que eu desse um pulo de susto. - Bom, senhorita Smith, percebi que gosta de ficar após seu horário então não terá problemas em recolher dados sobre novos investidores e criar estratégias de como podemos conseguir mais contas, não é mesmo? Preciso delas para amanhã às 07h00 na minha mesa juntamente com uma apresentação, faça um trabalho completo pesquisando sobre os nossos maiores concorrentes e também mande uma cópia para o Senhor Dickens, em meu nome. Quando você acha que não pode odiar ainda mais uma pessoa, aparece o senhor Maxon mostrando que isso é extremamente possível. Era realmente uma pena eu já ter idade para ser presa por assassinato. - Mas Senhor eu... – não consegui nem argumentar porque ele já estava a caminho do elevador. O ódio e raiva me fizeram terminar o trabalho em menos de duas horas. Cataloguei todos os novos clientes, focando no motivo da sua escolha por nosso sistema e quais benefícios se encaixam melhor a cada um, montei sua apresentação, transformei em dashboards e fiquei com uma cópia de tudo só por precaução. O ponteiro do relógio que ficava em cima da minha mesa tocou, marcando 19h00. Comecei a me apressar. Marquei com Joe às 20h00 lá no lar, eu precisava chegar cedo e ainda me arrumar, ou tentar ficar apresentável pelo menos. Até que meu celular tocou mostrando que eu tinha uma nova mensagem. Número desconhecido avisava o visor. Mas eu já sabia a quem aquele número pertencia. Capítulo 4 Emma Smith versus A melhor cafeteira do mundo Eram duas mensagens de texto de um número desconhecido. Comecei a ler a primeira e com isso me sentei de novo em minha cadeira. Estava pronta para ir embora, era quase a hora do meu encontro. Já tinha arrumado todos os documentos, colocado na mesa do senhor Maxon e do senhor Dickens e consegui tempo de até adiantar o trabalho do dia seguinte. Mas o que estava escrito nas mensagens fez com que minha pressa fosse embora.
Desconhecido: Esqueça nossos planos pra hoje à noite, isso foi um erro. Desconhecido: Vou sair com a Kate. Fui do céu ao inferno em cinco segundos. Maldito Joe Davys. Sabia que era ele, passamos a tarde toda trocando algumas mensagens bobas que me esqueci de adicionar seu número na agenda do celular. Sua primeira mensagem chegou às 16h00. Desconhecido: Ansiosa para hoje à noite? Nem precisei pensar para respondê-lo. Emma Smith: Claro que estou, nunca fui em uma festa no Granni's. Óbvio que isso não era verdade, o que mais me deixava excitada ansiosa era sair com Joe. Ficaria feliz até se ele me convidasse para ir ao lixão, mas não ia deixar isso na cara. Depois de alguns minutos ele responde. Desconhecido: Aí, essa doeu. Então você só está me usando, senhorita Smith? Ri discretamente de sua resposta, olhei para os lados para ter certeza de que meu chefe não estava por perto e o respondi. Emma Smith: Bem, se isso significar café e muffins de graça por toda vida acho que estou sim, senhor Davys. Imediatamente ele me respondeu. Desconhecido: hmm... mas você só quer isso de mim, muffins e cafés ilimitados? Claro que não, estava querendo outras coisas meio indevidas para se escrever por mensagem de texto. Então me fiz de inocente e respondi. Emma Smith: Não tenho culpa se o seu café e seus bolinhos são os melhores da região! Tenho que me aproveitar disso. Desconhecido: Sim, mas eu possuo outras coisas que são as melhores da região. Você pode se aproveitar delas também se quiser... Ai ai, Joe, Joe. Pode ter certeza de que eu sei. Ele era bem simpático e discreto, mas já "corriam" boatos pelo bairro sobre seus relacionamentos e paqueras. Diziam que na adolescência era mais agitado, mas que Joe nunca foi um canalha com suas parceiras, sempre era muito carinhoso e cavalheiro. Também tinham outros boatos por aí que falavam de sua GRANDE pessoa, se é que você me entende. Emma Smith: está tentando me seduzir, Davys? Desconhecido: com certeza! então me diz, está funcionando? Essa tinha sido sua última mensagem, antes é claro de eu receber esta agora. Ele não só me deu um bolo como me trocou pela Kate?! QUAL É O PROBLEMA DOS HOMENS? O que mais me irrita não é nem não poder sair com Joe, ter a chance de usar pela primeira vez minha perseguida (que até então nunca foi devidamente "perseguida"), ser abraçada por aqueles braços fortes, arranhar aquelas costas firmes e largas, aí e aquele cabelo. TUDO BEM, ESSA PARTE ME DEIXA MUITO, MUITO PUTA! Mas Kate? Sério?! Esperava mais de você Joe Davys. Depois disso acho que vou ficar mais um tempo aqui na empresa. Ainda não quero voltar para o lar e José, o porteiro, sempre me avisa quando vai fechar tudo. Algumas vezes ele até me acompanha até o ponto, diz que é perigoso uma moça como eu andar por aí a noite. Já que não iria sair com Joe e estava cedo para ir embora decidir ir ao 12º andar, onde fica a melhor máquina de café do mundo que falei. Deixei minhas coisas em minha mesa e subi. Quando o elevador abriu me surpreendi com o que vi. O andar inteiro estava aceso como se todos os funcionários estivessem trabalhando ainda. Fui direto na cozinha, peguei um copo e apertei o botão cappuccino. Sem sucesso. A máquina parecia estática, não mexia e nem fazia nenhum qualquer barulho. Nada. Juntei toda a minha raiva acumulada do dia como ter me atrasado (de novo) para o trabalho, ter rasgado minha meia preferida no caminho, receber o esporro do Senhor Maxon, o toco que recebi do Joe sendo trocada por Kate, tudo isso e comecei a dar tapas na máquina. Dar tapas é eufemismo comparado ao que eu estava fazendo, depois de uns segundos comecei a espancá-la mesmo. Estava dando uma boa lição naquela maldita, escrota e estupida máquina de café quando ouvi alguém parar atrás de mim. - O que ela lhe fez para tratá-la tão mal assim? - Disse um homem com voz grave atrás de mim. E como se estivesse sido pega em flagrante fazendo algo estúpido, o que eu estava fazendo mesmo, gelei. Capítulo 5 O estranho do 12º andar Fiquei parada, imóvel por um instante, com as mãos apertando a parte de cima da máquina. Passei por um misto de sensações. Primeiro foi o medo. Quem estaria a essa hora ainda aqui na empresa e por quê? Ninguém nunca ficava até esse horário, pelo menos até agora. Segundo foi a curiosidade. A voz era de homem com certeza. Era uma mistura de firmeza, repreensão, mas também comicidade. Ele deveria estar rindo ou achando engraçada a minha discussão com a máquina de café. Ou achar que sou uma louca mesmo. - Acho melhor você dar um tempo a ela antes do 2º round, linda. - disse o estranho. Tomei coragem e me virei para olhá-lo. Acho que até senti uma glória divina na minha cara, sem exageros. Se Deus mandasse alguém para representar o sexo na terra era esse homem. Devia ter uns 30 anos, não sei bem. Pele um pouco bronzeada, cabelos negros ondulados estavam bagunçados e emolduravam seu rosto. De início seu corpo foi o que chamou a minha atenção, todo grande e forte, emanava certa segurança, conforto. Seu sorriso era de um perfeito conquistador que faziam companhia a sua postura. Estava debruçado no vão da porta, com as mãos apoiadas no batente, seu corpo ocupava todo o vão. Porém o que me enfeitiçou foram seus olhos. Foi muito estranho. Sabia que nunca havia visto aquele homem em minha vida, mas algo em seus olhos teimava me dizer o contrário. Enquanto isso, minha mente e meu coração travavam sua própria batalha. Não conseguia parar de olhá-los, eram como faróis me chamando, cada vez mais. Tinham uma cor escura, tal qual carvão, onde quase não se distinguia de sua pupila. Cílios e sobrancelhas negras e grossas contornavam e aperfeiçoavam seu olhar, os tornando cada vez mais enigmáticos. Para muitos, até mesmo para mim, a beleza dos olhos estava em sua cor como azul, verde ou amendoada, mas pela primeira vez percebi o quão errado era esse pensamento. No momento não conseguia pensar em um par de olhos azuis ou verdes mais bonitos que os negros do estranho em minha frente. Não reparei que minhas mãos estavam suadas até que as esfreguei em minha saia plissada, fingindo tirar dobras que não existiam. Ele também me encarava. Seu sorriso logo se desmanchou e agora estava sério. Seus olhos estavam fixos nos meus e seu olhar era incrédulo, como se estivesse com dúvida ou preocupado com alguma coisa. - O-o que – eu disse tentando voltar à realidade – O que você disse? - Oh, eu...– parecia que também estava perdido em seus pensamentos. Limpou a garganta e continuou –...Perguntei o que a máquina lhe fez, linda. Sai do meu momento de êxtase e comecei a ficar irritada de novo. Quem esse cara pensa que é? Odeio quando homens colocam apelidos em mim sem motivo ou se quer me conhecer. Por que fica me chamando de linda? Até aqui na empresa não fico em paz. - Não te interessa! - respondi irritada - Quem é você? - Calma, minha linda. Trabalho aqui como a senhorita, suponho. Estava trabalhando até mais tarde em um novo projeto, sou... – sua voz mansa e extremamente sedutora estava me tirando do sério. - Não sou sua linda! Na verdade, não sou nada sua nem te conhecer eu conheço! Se você me chamar de linda mais uma vez juro que te dou um soco na cara! Ele continuava a me olhar daquele jeito intenso, deixando-me cada vez mais sem fôlego. Soltou o batente e começou a andar em minha direção. Lentamente. Não conseguia pensar, falar, nem mesmo me mover. Não sei por que estava tão irritada com aquele estranho, mas ao mesmo tempo queria sentir suas mãos grandes e fortes em mim, explorando meu corpo todo, saciando o meu desejo me apertando contra o balcão. Não, não. O que está acontecendo comigo? Preciso pegar alguém, a abstinência está me fazendo mal. Ele continuou vindo devagar em minha direção até que começou a abrir seu paletó. Depois foi a vez de gravata. Tudo isso sem nenhum momento tirar os olhos de mim. Meu coração começou a disparar, a respiração aumentou tanto que parecia que faltava ar no ambiente, não conseguia entender o que estava acontecendo comigo. O desejo estava tomando conta e aqueles olhos quase negros estavam me levando à loucura. Ele parou a uns 30 centímetros de distância. Ainda me encarando passou a mão por de trás de minha cintura e... Tec! Tec! - Você tem que apertar mais forte. – Seu sorriso malicioso estava de volta. Comecei a encarar seus lábios e sua barba por fazer. Pensei como deve ser senti-la no rosto, esfregando em meu pescoço, qual seria a sensação dele me apertando seus lábios contra os meus... Oh céus, eu me transformei em uma tarada! - O... O-oque? – minha voz saiu fraca, quase inaudível. A gagueira estava me dominado hoje. - Eu disse que você precisa apertar mais forte. – seu tom de voz era grosso e profundo. Ai meu Deus, apertar o que mais forte? Como assim? Será que ele estava pensando o mesmo que eu? - Apertar o-o que mais forte?! – Fiquei um pouco com medo de perguntar. Tudo o que passava na minha cabeça não era nada inocente, queria apertar muitas coisas daquele homem ou que ele apertasse muitas coisas minhas, aí não sei! Foco, Emma, foco! Então ele passou a mão pelas minhas costas de cima a baixo e parou perto do topo da minha bunda. Comecei a ofegar. Respirar estava se tornando uma tarefa cada vez mais difícil perto dele. Até que me puxou para o lado devagar e foi se aproximando cada vez mais. Ele me apertou ainda mais, puder sentir seu corpo prensando o meu cada vez mais. Em um momento fechei os olhos, me concentrando apenas em suas mãos e o caminho que as percorriam.
Isso é tudo que está disponível no momento.
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