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Capítulo 3 Phoebe
Gina me puxou para perto do estacionamento, dizendo que ia dirigir. Ela bebeu demais até para seus próprios padrões, o que me fazia pensar que não estava nenhum pouco capacitada para dirigir neste estado. — Acho melhor pedir um táxi. Você não pode dirigir assim. — Eu disse. Gina olhou para mim por cima do ombro, riu e apontou para um Porsche cinza do outro lado do estacionamento. — É o carro do George. — Ela disse. Os olhos de Gina brilharam maleficamente. — Aquele babaca partiu o meu coração. Nada mais justo do que eu partir o carro dele. — Ela ergueu o queixo, largou minha mão e andou ridiculamente rápido em seus saltos de quinze centímetros. Eu a segui, porque sabia que era inútil não fazer isso. — Eu devia ter trazido meu taco de baseball. — Contou. Eu apressei os passos e a ultrapassei. — Tem certeza de que é uma boa ideia? — Perguntei. Ela me encarou, fez que sim e pareceu hesitar por mais alguns segundos antes de assentir mais uma vez. — O George não vai gostar nada disso. E se tivermos entendido errado? Ele podia só estar tendo um jantar de negócios com aquele cara e a Eve. — Tentei dizer. — Além disso, não quero perder meu emprego, e você sabe que ele é super amigo do chefe. Ah, e olha que coincidência! Ele é o meu chefe. — Expliquei. — Não vou culpá-la por nada disto. Eu mesma vou ferrar com o George, e não preciso de ajuda. — Disse ela, me empurrando gentilmente para o lado. Gina continuou marchando na direção do carro do George, e percebi só então que havia outro carro quase idêntico estacionado ao lado do carro do babaca. — Gina! — Corri apressadamente, e consegui puxá-la pela blusa antes que tirasse o salto do pé — que era incrivelmente fino. — Não pode fazer isso. E se ele pedir para você pagar? O que vai fazer? — Posso virar prostituta e fazer programa. Aposto que vai compensar todos esses meses que tive que transar com aquele cretino. — Disse ela. Certo... — Mas… mas… Gina… — ela continuou marchando, e eu a segui estacionamento afora. Acelerei novamente para mais uma tentativa de impedi-la. — Você sabe, pelo menos, se aquele é o carro dele? Ela piscou, avaliou o carro e franziu as sobrancelhas. — E por que não seria? — Tem dois carros praticamente iguais. — Só tem um carro. Olhei para os carros. Continuava tendo dois carros cinza estacionados lado a lado. — São dois carros. — Que seja. — Ela disse, dando de ombros. — Ninguém vai culpar uma mulher bêbada por quebrar um carro de um babaca. Não… claro que não. Continuei seguindo. Gina parou, tirou os saltos e se inclinou na frente do carro luxuoso. Ela usou o salto do sapato para arranhar o capô, então seguiu, desenhando um tracejado até a porta do lado esquerdo. Era satisfatório, de algum jeito. — Seu filho da puta! — Berrou. — Isso é por ter me enganado. — Ela bateu na janela do carro. Um barulho alto começou a apitar. — Gina! — E isso é por ter me feito aguentar seu pau de dois centímetros na cama! — Ela chutou o pneu. — Porra! — Gina começou a pular num pé só, então, uma voz grave e alta disse atrás de mim: — Que porra estão fazendo com o meu carro? — Eu virei, percebendo que não era George. Era… o cara estranho. — Por que deixou ela fazer isso? E… ah, meu Deus… Ele me olhava como se eu fosse maluca. — Eu posso explicar. Eu juro que… — e como se já não fosse o bastante… Eu vomitei nele. O estranho ficou coberto por meu vômito. Seu rosto lindo estava perplexo, me encarando. De algum jeito, enquanto me encarava, eu percebi que estava se controlando ao máximo. — Entra no carro. — Ele disse. Eu engoli o gosto amargo, olhei para cima e tentei entender o que acabou de falar. — Quanto vocês duas beberam? Não podem dirigir assim. Principalmente a sua amiga. Gina estava xingando o carro, como se fosse culpa dele ela ter se machucado. — Eu não vou entrar no seu carro. — Você vomitou em mim, e a sua amiga destruiu o meu carro. É claro que vai. — Você é um estranho. — Argumentei. — Você também, e olha só… não é você quem está fedendo a vômito. — Ele disse, irritado. — Eu não vou entrar no seu carro. — George pediu para que eu as levasse em segurança para casa e, além disso, se eu quisesse ter feito algo contra você, já teria motivos o suficiente. Entra na porra do carro. — Ele disse, seu tom seco e mandão. Eu estava pronta para relutar, mas quando me lançou um olhar que praticamente confirmava que não pediria de novo, cedi. — Está bem. Eu me dirigi ao carro e ele começou a tirar o paletó sujo de vômito. Por sorte, sua roupa de baixo ainda estava intacta, embora as calças tenham se sujado. Com os braços cruzados, parei na frente do carro, e percebi seu olhar frio. Ele pegou a flanela e limpou o rosto. Como ele conseguia parecer tão zangado? Suas sobrancelhas espessas estavam juntas e os olhos azuis fixos em mim, tão escuros quanto o céu noturno. Sua boca estava traçada numa linha reta. Ele se inclinou e abriu a porta do carro. — Entre. Eu estirei a língua antes de entrar e ele bufou, revirando os olhos. Me sentia vitoriosa por ganhar uma batalha silenciosa. Chance, o Irritadinho, contornou o carro e conversou com Gina. Eu escutei sua breve conversa, e para a minha surpresa, ele a tratou super bem: — Tem certeza de que não quer ir ao hospital? Parece bem ruim. — Ele disse. Sua mão estava no ombro dela, e Gina estava chorando, olhando para ele. Ela fez que não, respondendo à pergunta que ele fez. — Ok. — Estou tonta, e quero sair daqui. Podemos ir logo para casa? Eu apoiei o cotovelo na porta e respirei fundo antes de assistir ao Bom Cretino Amigo abrir a porta traseira e acomodar Gina no banco de trás. Depois, ele voltou, abriu a porta do motorista e sentou no banco ao meu lado. — Eu quero ir junto da Gina. Ele virou o rosto para mim. Magicamente sua expressão de irritação voltou. — Não vai. — Disse secamente, ligando o carro. Estreitei os olhos. — Como é que é? — O carro é meu e vai onde eu quiser. — Explicou, voltando os olhos para o volante. — Além disso, ela precisa de um tempo só. Sem más companhias. — Do que me chamou? — Você é terrível. — Ele disse, sem olhar para mim. Estava tão irritada, que não consegui reagir. De certa forma, ele estava certo. Eu ando tão ocupada que nem percebi que o namoro da minha melhor amiga estava indo mal. E ainda, foi culpa minha tudo isso estar acontecendo. Percebendo que finalmente fiquei quieta, ele voltou o olhar para mim. — Parece que desliguei a função malcriada. — Cala a boca. — Eu disse. Meia hora depois, ele deixou Gina em sua casa, e para se certificar de que ficasse bem, deu seu número a ela. Gina insistiu para que eu subisse junto, mas nos despedimos com um abraço curto. Essa noite precisava acabar. — Se cuida. — Eu disse, beijando dois dedos. Era o nosso sinal para " Eu te amo, Vadia". Chance estava calado. Quando voltamos para o carro, ele me pegou pelo cotovelo gentilmente e me guiou para o carro. Ele abriu a porta, eu entrei e segundos depois, quando ele estava sentando ao meu lado, eu disse: — Desculpa. Por… por ter sido grossa. — Chance se acomodou no banco e começou a dirigir, sem se importar com o meu pedido de desculpas. Por que ele era tão chato e irritante? — Idiota. — Não é assim que se pede desculpas, linda. — Brincou ele. Eu ergui a sobrancelha e vi um sorrisinho em seu rosto. — E, além disso, eu preciso de mais do que um pedido de desculpas. — Não me chame de linda. Eu nem conheço você… Ele estacionou no meio-fio. — O que está fazendo? — Eu sou Chance Müller, tenho trinta e dois anos, dono de uma empresa bem sucedida de produtos íntimos femininos, odeio gatos e tenho quase certeza de que já vi sua boceta. — Ele disse. Perplexa, eu o encarei. Ele apoiou o braço no volante e esperou minha resposta. — Eu tenho quase certeza de que você é maluco. — Ele riu. — E não, você nunca viu a minha vagina. — Eu poderia ver, se quisesse. — Convencido. — Sua vez. Vai lá, Estressadinha… conta tudo. — Ele disse, desafiando-me. Claro que não fazia lógica contar nada sobre mim a um estranho, principalmente um estranho como Chance Müller. Mas mesmo assim, eu abri a maldita boca e disse: — Sou Phoebe Morris, tenho vinte e sete anos, advogada, odeio caras metidos e tenho quase certeza de que já o vi. Ele me analisou. — Não. Eu nunca tiraria minha calcinha para você. — Mais uma risadinha, e dessa vez, internalizei aquele maldito sosorrisinho entre as minhas pernas. Por que ele tinha que ser tão bonito? — Onde quer que eu te deixe, Phoebe? — Perguntou ele. Sendo tão educada quanto, respondi: — No meu apartamento, por favor. — Alguma chance de tirar sua calcinha para mim? Eu estreitei os olhos, e ele deu gargalhada. Chance Müller era intrigante. Muito intrigante.
Isso é tudo que está disponível no momento.
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