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Capítulo 3 Centro de treinamento

Quando voltei a mim e ao abrir os olhos, estava em um quarto estranho, ainda meio zonza, tentei olhar ao redor e me achar, a parede era rosa bebê, tinha uns quadros de boy band na parede, algumas flores, borboletas, tentei sentar na cama e acabei caindo sentada no chão, e aí fui ver a cama, tudo rosa também, mas um rosa mais escuro, e o tapete era pink então quando dei por mim...

-Natalin: Que horror!!! Gritei indignada - Esse quarto é todo rosa, que mau gosto é esse? Quem me pôs aqui? - e fui logo olhar minha roupa. Ainda bem estava de preto.

-Leon: A Princesa acordou? - ouvi alguém me chamar, quando notei a presença de alguém na porta.

Era um senhor já com uns cinquenta anos, cabelos castanhos e compridos até o ombro, barba malfeita, olhos azuis feito céu, alto devia ter uns um metro e noventa centímetros, de altura e corpo atlético.

-Natalin: Quem é você? disse quase caindo novamente, pois ainda estava entorpecida.

-Leon: Sou Leon. Gabriel lhe trouxe a minha casa para treiná-la e lhe ensinar a lidar com o que está lhe acontecendo.

-Natalin: Sei! - disse olhando ao redor - E não me diga que esse horror aqui é meu quarto?

-Leon: Não o seu estão aprontando - Disse rindo - venha conhecer o restante e as pessoas que aqui vivem. Ah mais uma coisa - ele me olhou meio que por cima de seu ombro, pois estava de costas já pronto para sair do quarto - Não fale para ninguém quem você é ou o que você é tudo bem?

Ele falou tão sério e com um tom de voz de dar medo que só balancei a cabeça que sim e nem me atrevi a perguntar o " Por quê?".

Ao sair do quarto me deparei com um lugar muito iluminado, era tanta luz que me deixava desnorteada e quase cega, reparei que as paredes eram todas brancas. Não existiam janelas apenas entrada de ar condicionado. Ele percebeu que eu levei a mão um pouco acima dos olhos para me proteger e ver melhor.

-Leon: Logo você se acostuma com a claridade - me disse - Aqui é um centro de treinamento. Fica escondido no subsolo de Londres.

-Natalin: Alguns instantes atrás eu estava na Alemanha como vim parar em Londres? - pensei.

-Leon: Gabriel lhe trouxe. Ele viaja na velocidade da luz - uma voz respondeu dentro da minha mente. Olhei para Leon e ele, de costas para mim, completou - Posso ler seus pensamentos e também lhe responder através deles.

Acho que na hora meus olhos não se importaram com a claridade porque eu os arregalei, que se pudesse saiam do meu rosto. Estava achando estranho tudo mais do nunca, além de não perguntar também não podia pensar, pois ele iria saber do mesmo jeito.

Entramos numa sala gigantesca. Tinha vários computadores , uma tela tipo de cinema na parede, várias pessoas olhando os computadores com uns aparelhos no ouvido que tinha uma ligação com microfone e tinha um rapaz que olhava atentamente a tela na parede.

Ele era alto tinha um metro e oitenta centímetros, corpo atlético a pele branca, cabelos loiros e baixinhos, olhos verdes que nem as águas do mar, senti dentro de mim um calor, algo que me fazia querer olhar ele por mais tempo, não sei identificar isso, nunca tinha sentido. Ele olhou para Leon e com o semblante de preocupação disse:

-Allan: Para que temos que procurar essa garota? disse indignado.

-Leon: Tudo ao seu tempo! Já lhe disse isso. Chame o resto da equipe para o salão principal - olhou para mim e disse - venha!

Nem olhei para o rapaz apenas segui o Leon, o salão principal era grande mas não com a imensidão da sala anterior , se esse salão aqui coubesse cem a trezentas pessoas , a anterior caberia mil a três mil pessoas, para se ter uma ideia da imensidão que falo.

No centro do salão tem uma mesa retangular feita de madeira maciça, pintada de um verniz escuro meio que imitando uma estrutura medieval, as cadeiras eram de ferro com couro branco, ele se sentou na primeira e pediu para que eu me sentasse na do lado dele.

O Silêncio na sala me fez lembrar daquela manhã que a Madre me chamou até a sua sala, então bateu aquela dor novamente e sem que eu quisesse começou a rolar gotas de lágrimas no meu rosto. Leon que estava próximo percebeu que eu chorava e pela expressão dele se surpreendeu, ele ia me perguntar algo mas alguém abriu a porta da sala.

O Mesmo rapaz voltou com mais quatro três rapazes e uma moça, Leon se levantou e fez sinal com a mão para que eu ficasse de pé também , eles ficaram ali parados, então Leon apresentou Lígia, Fred, Addan e Juan, o rapaz que já tinha visto alguns minutos atrás era Allan e para terminar disse.

-Leon: Essa é a nova integrante da equipe de vocês, Natalin!

A reação foi diversa.

-Lígia: Legal eu tenho companhia agora! - gritou.

-Mais um! - disse Fred franzindo a testa, claramente demonstrando que a equipe já estava completa.

-Prazer - disse Addan meio que vamos acabar logo com isso.

Allan nem olhou para mim, isso me fez lembrar do convento novamente, algumas pessoas não gostavam da minha presença, agiam como se eu não existisse, isso fez com que aquela dor da morte da Madre viesse e junto uma sensação estranha e desagradável que eu não sei explicar.

Então após as apresentações todos se sentaram na mesa e Leon começou a falar.

-Fred, você fez a análise que eu lhe pedi daquela amostra?

-Sim - Fred respondeu levando as mãos ao rosto - A amostra não é pura então fica difícil de traçar alguma característica.

Amostra? Pensei... Que tipo de amostra que ele está falando?

-Certo! - disse Leon e então olhou para o Juan - E você o que tem para mim?

-Bom - disse Juan olhando para o Allan e novamente para o Leon - de acordo com as plantas de movimentação do mundo e submundo, os demônios de todas as piores espécies estão caçando duas pessoas. Eu permaneci de cabeça baixa ouvindo tudo que estava sendo dito, mas não deixei de pensar como assim duas pessoas?

-Juan: Sabemos que uma tem praticamente dezesseis ou dezessete anos e a outra apenas onze ou doze anos.

Dezesseis anos, ele está falando de mim? Tentei não demonstrar nenhuma expressão. Enquanto eu pensava Leon me observava e logicamente ele estava lendo meus pensamentos.

-Juan: E o que me deixa mais curioso é que o plano superior (céu) também se agitou nesses últimos dias temos mais vindas de anjos na terra e com mais frequência do que a dos demônios.

Será que ele está falando do Gabriel? Não ele disse que tem muito mais vindas de anjos. Deve ter mais com certeza.

Leon olhou para mim, senti uma sensação estranha que me fazia querer sair daquele lugar às pressas, abaixei a cabeça sem querer olhar para ele, isso me fez pensar o porquê instintivamente fiz isso.

Sabia que estavam falando de mim em uma parte, mas não podia falar nada para eles que era eu, porém a informação da outra pessoa me intrigou, quem era e porque estavam a caçando também?

Leon pela expressão do seu rosto leu meus pensamentos.

Desde que cheguei percebo que ele me observa muito, só de lembrar que ele lia meus pensamentos senti que precisava tomar mais cuidado.

Ele despertava uma sensação estranha, não me sentia confortável em saber que ele estava na minha cabeça.

-E você Lígia o que tem para mim? disse Leon voltando sua atenção para a equipe.

-Fui à biblioteca fazer pesquisas nos livros angelicais, nos das bruxas, na verdade em todos.

Aqui tem livros de todos os planos? Deve ter alguma informação sobre meus Pais.

-Lígia: Só encontrei uma lenda em comum na dos anjos e dos vampiros, diz a lenda que existe uma ou um híbrido, ou seja meio vampiro e meio anjo.

Eles não sabem que é uma garota então, deve ser por isso que aquele homem perguntava onde está a criança, ele não sabia que era uma garota.

-Lígia: E que tem uma criança que nasceu depois que tem o dom de dominar o " demônio " desse híbrido. Então essa garota pode me dominar? Isso me deixou muito mais pensativa.

-Lígia: Vou assim dizer pois não compreendi muito bem, preciso de mais tempo, pois, a tradução não está perfeita, os anjos não temem a criança, mas já os demônios a querem morta ou morto, isso é ordem direto de Lúcifer.

Leon olhou para o Addan que logo foi falando.

-Eu encontrei manchetes principalmente na Alemanha que um convento teve nove freiras mortas e uma madre, nas notícias que rolam no submundo mataram cem vampiros nesse convento sem explicação.

Ele está falando do meu convento. Novamente veio o aperto no peito.

-Addan: O bispo falou que as irmãs e a Madre tiveram uma doença rara que veio a descobrir já na hora da morte. E encobriu os corpos dos vampiros para não assustar os cidadãos, com esse ataque já foram 10 conventos.

Nesse momento não consegui me conter.

-Natalin: Como assim 10 ataques? - Eu perguntei meio que num tom agressivo.

Todos se entreolharam menos o Addan que continuou olhando para a mesa e os papéis que segurava, ignorando totalmente a minha pergunta, pelo cheiro do seu sangue percebi que ele se irritou.

-Responda a pergunta! - disse Leon.

-Addan: Foram conventos de cidades próximas, só que a única diferença é que nos outros nenhum vampiro morreu e a morte das freiras foi no total e junto de três a cinco adolescentes órfãos que moram no orfanato do convento em torno de dezesseis a dezessete anos tanto menino quanto menina. - ele respondeu contrariado.

-Natalin: Obrigada - voltei a baixar a minha cabeça não sabia desses ataques até agora, isso fez com que a cena da Madre naquele chão viesse novamente em minha mente, e aquela dor e a sensação de vazio preenchia meu peito, novamente senti que algumas lágrimas saiam dos meus olhos.

Leon olhou para o Allan, que estava de cabeça baixa com as mãos em cima da mesa e os dedos entrelaçados. -Você não tem nada a me falar, Allan? perguntou Leon

-Não sei...  - disse Allan balançando a cabeça - porque estamos a procura dessa menina de doze anos? Deveríamos achar o híbrido e matar, não é o que eles querem? Então acabaríamos com essa guerra e com morte de pessoas inocentes.

O cheiro do sangue do Allan transbordava irritação e indignação.

-Não é assim - respondeu Leon - não podemos matá-la ela é o equilíbrio entre a vida e a morte.

-Ela!!!! Indagou Lígia - então é mulher?

-Não sei - disse Leon - só estou falando ela como pessoa, porque pessoa não tem feminino ou masculino. Agora vão aos seus afazeres, pois tenho que conversar com Natalin um pouco.

Todos se levantaram e saíram tão rápido quanto entraram, continuei de cabeça baixa, pois o que eu acabei de ouvir era algo que me deixou intrigada e também pensativa, afinal muitas pessoas morreram por minha causa e eu nem estava sabendo.

Leon olhando para mim, me observando por alguns instantes, pois, percebeu que era muita informação para que eu absorvesse de uma vez.

-Você entendeu o que foi dito aqui? - perguntou Leon me olhando atentamente.

-Natalin: Sim - respondi olhando para minhas mãos que estavam sobre a mesa - sei que Lúcifer mandou todo tipo de demônio atrás de mim, mas não sabia dessa garota e nem desses outros ataques.

-Bem - disse Leon - quando você estava completando quatro a cinco anos ela nasceu, ela é filha de uma mortal com um bruxo.

-Bruxo?!?! - disse com ar de dúvida - existem bruxos?

-Existem bruxos, sim - falou Leon - esse bruxo conhecia sua mãe, ajudou a fazer seu parto - eu escutava atentamente, ele percebendo isso continuou a falar - Ele se casou com uma mortal, antes dele morrer ele transferiu todo seu saber e conhecimento para a filha que ainda estava sendo gerada.

Então existem Bruxos - pensei olhei para o Leon ele não parecia estar mentindo.

-Os vampiros o encontraram e a única coisa que conseguiram arrancar dele era que você foi levada para um convento. - Leon terminou de contar me observando.

Mais uma pessoa morreu por minha causa, novamente aquele sentimento estranho que senti depois da morte da Alice me veio à tona.

Algo que apertava meu peito, não sabia explicar. Continuei de cabeça baixa, prestando muita atenção no que Leon falava.

-A menina é poderosa, com certeza soube se esconder bem esses anos , a mãe dela quando deu a luz, em um orfanato e logo morreu. - disse Leon observando cada reação minha.

-Agora ela deve saber que você já sabe dela e que está a sua procura. Então ela irá deixar que fique visível para que a achemos, mas também ela corre o risco de que eles a achem primeiro. - dessa vez olhei para ele e sua expressão era de preocupação.

-Natalin: Então ela pode me domar? perguntei pensativa.

-Não - Leon riu - ela vai lhe ajudar a controlar esse instinto assassino que você tem e não te domar.

-Natalin: Ah tá! - falei sentindo me mais leve - Porque eles não podem saber sobre mim? E porque o Allan acha que tenho que morrer? E olha que em muitos momentos concordo com ele.

-Bom para lhe falar a verdade - eu o olhei, Leon estava com o olhar vago - não desconfio deles, é que não sei se é seguro alguém saber de você agora, pois, pode colocar a operação em risco e eu não conseguiria lhe treinar.

Suas palavras soavam de uma forma dolorida em meus ouvidos, mas uma sensação estranha que estava sentindo.

Não sabemos como seria a reação deles, depois de saberem a verdade. Bom venha já está tarde lhe levarei ao seu quarto. - disse Leon se levantando.

-Natalin: Mas eu não durmo - disse com a voz mais baixa do que o costume, como queria poder fechar os olhos, minha mente desligar por alguns instantes.

-Eu sei mas ninguém pode saber sobre isso - disse Leon, já de pé indo sentido a porta, novamente olhou sobre os ombros - você ficará no quarto a noite inteira por enquanto.

Me levantei e o acompanhei pelos corredores, fui percebendo que apenas tinha portas e não tinha janelas e eu nem entendia como se entrava lá.

Paramos em frente a uma porta. Levei a mão na maçaneta, lembrei do quarto que acordei e isso me fez com que as pernas perdessem as forças e não quisesse entrar. Quando abri a porta e olhei o quarto senti uma leveza no peito, que pensei " ainda bem ".

-O que foi? achou que seria como o seu quarto? - perguntou Leon.

Eu o olhei e ele não estava com a expressão seria, ele tinha um leve sorriso no canto de boca, fiquei sem entender.

-Natalin: Achei que seria rosa - respondi fazendo careta - que nem o que eu acorde, mas me parece o quarto lá do convento. - me remeteu a um calor no peito e ao mesmo tempo um vazio.

-Sim - respondeu Leon rindo - quisermos que você se sentisse em casa por isso montamos igual o de lá. Agora entre e tranque a porta.

Entrei e fiz o que ele me pediu e sentei na cama e então fiquei pensando na reunião que eu participei em tudo que foi dito, então concordei com o que o Leon falou de ninguém saber de mim por enquanto.

Deitei a cabeça no travesseiro e pensando como fazer as horas passarem e aí lembrei da Madre como eu queria ela ali, me senti perdida sem ela.

Então me lembrei de quando tinha nove anos, e estava na janela da sala do orfanato olhando lá fora, era um dia chuvoso, as crianças junto com as Irmãs estavam organizando e enfeitando a árvore de natal, como eu não queria fazer mal a alguém eu fiquei recolhida no canto, a chuva que caía lá fora era fina, foi quando a Madre se aproximou.

-Está observando a natureza pequena? - perguntou a Madre carinhosamente.

-Natalin: Sim - responde sem olhar para ela - acho interessante como essa água cai do fininha do céu. Como cai água do céu, Madre? perguntei

-A água que está na superfície da terra, ao ser aquecida pelo calor do sol, evapora e se mistura com o ar. No alto da atmosfera o ar é muito frio. Nessa região o vapor d'água se condensa, formando pequenas gotinhas de água ou minúsculos cristaizinhos de gelo que flutuam no ar, dando origem às nuvens. - enquanto a Madre me contava eu ia imaginando a cena.

-Com o tempo mais e mais água pode se condensar, aumentando o tamanho das gotinhas. Quando o peso não permite mais que fiquem suspensas, as gotas caem de volta para a superfície da Terra. São as gotas de chuva! - a Madre me explicou com um sorriso nos lábios.

-Madre, porque meu nome é Natalin? - perguntei com um tom mais baixo que o natural e senti um aperto no coração.

-Madre Margareth: Bem - disse ela acariciando meus cabelos - Quando Gabriel lhe trouxe ainda recém nascida era um dia antes do natal, então eu e o Bispo Bento resolvemos colocar seu nome em homenagem ao natal. - ela fez uma pausa e com suas mãos em nós meus braços me trouxe próximo ao seu peito - senti um calor dentro de mim e uma leveza no coração, não queria sair daquele abraço e ela continuou falando.

-Madre Margareth: Sabe o dia que você chegou aqui era um dia como esse chuvoso. Você era tão pequena, chorava tanto - riu - mas logo que eu te peguei em meus braços, você ficou tão calma e começou a sorrir.

Coloquei minha cabeça no colo dela e fiquei curtindo o carinho que ela fazia, e pensando e imaginando como era a chuva....

-Natalin: Ah como sinto sua falta Madre - disse com os olhos se enchendo de lágrimas.

Como queria saber mais sobre minha história. Saber sobre meus pais, preciso achar aquela garota, ela pode ser a chave de todo o mistério que me ronda.

Então me levantei e fui até o espelho, me olhei, a Madre falava que eu era linda. Eu fico a pensar se sou mesmo?

Não sou muito alta tenho um metro e cinquenta centímetros, pele branca a Madre falava que era da cor da neve, olhos castanhos escuros, cabelos compridos e ondulados pretos, sou um pouco gordinha.

Será que puxei quem ao meu pai ou a minha mãe?

Fui até o guarda roupa abri e vi minhas roupas, sempre escuras, pretas, azul escuro, marrom, não usava roupas claras.

Apesar que a Madre sempre falava pra eu usar, também não usava saias, já vestidos usava raramente. Nunca levei jeito pra isso.

A Madre era linda apesar que ela não podia se maquiar ou se arrumar, mas a Madre sempre estava linda e arrumada, com a túnicas sempre limpinhas e passadas.

Sempre dando dicas pras meninas do orfanato de como se portar e vestir.

Voltei para a cama e comecei a imaginar como era minha mãe? o que ela fazia? e meu pai, bom nunca falaram coisas boas dele, mas eu queria pelo menos saber o nome deles, para poder procurar mais histórias ou registro.

Como será que é o céu? Como será que é o submundo? Todos os anjos são iguais ao Gabriel? Todos os vampiros são iguais ao que eu matei?

Será que se eu morrer realmente acabaria a guerra? As pessoas parariam de morrer? Essa menina é tão boa como falaram? Ela realmente existe? São tantas dúvidas e tantos porquês que pairam em minha mente.

Será que vou conseguir vencer isso dentro de mim? tanta coisa pra saber e nem sei por onde começar, nem onde procurar.

Cada dia que passa minha vida fica cada vez mais complexa e misteriosa.

Queria poder dormir e acordar e pensar que tudo isso não passa de um pesadelo e que a Madre vai estar lá de novo.

Passei a noite toda perdida em meus pensamentos.

Na manhã seguinte ainda continuei deitada na minha cama, sem nenhuma vontade de levantar e sair lá para fora.

Escuto alguém bater na porta.

-Natalin. Posso entrar? - era Leon.

Me levantei e caminhei até a porta, a destranquei e abri para que ele entrasse, não estava com um pingo de vontade de falar, só olhei para ele e voltei a me deitar na cama.

Leon percebeu que eu não me encontrava bem. -O que aconteceu que você não quis sair do quarto ainda? - perguntou o Leon sentando numa cadeira ao lado da cama.

-Natalin: Eu não sei explicar. Me sinto cansada, desanimada. - dei uma pausa e continuei - estou sentindo algumas coisas estranhas depois da morte da Madre que não sei explicar - meus olhos se encheram de água e começou a escorrer gotas de lágrimas no meu rosto.

-O que você sente? - perguntou Leon.

-Natalin: Como explicar, quando penso no convento, na Madre sinto meu peito direto e um vazio enorme, com isso sempre rolam essas lágrimas, nunca aconteceu isso antes.

-Você está sentindo tristeza e saudades - falou Leon me observando atentamente.

-Natalin: Isso não é sentimentos? Eu nunca tive sentimentos antes.

-Gabriel me falou que você podia identificar os sentimentos das pessoas. Como nunca sentiu? - perguntou Leon desacreditado.

-Natalin: Aprendi a entender a expressão das pessoas a Madre me ensinou isso. Eu sinto na verdade o cheiro desses sentimentos no sangue das pessoas.

-No sangue? - questionou Leon.

-Natalin: -Sim. Sinto cheiro no sangue das pessoas, mas o estranho que quando alguém se corta o cheiro que me vem não é de dor da pessoa, mas sim do adocicado do sangue.

-Pelo jeito vou ter que te ensinar muitas coisas. - falou Leon - Gabriel nunca conversou com você sobre isso?

-Natalin: Nunca contei a ele, só a Madre sabia, mas não falei a ela como era que eu sabia.

-Natalin, você não sente as emoções das pessoas pelo cheiro do sangue. - Leon começou a me explicar - você sente as emoções que estiverem mais evidente na pessoa. Isso é um dom de Anjo.

Nesse momento parei de olhar para o teto, olhei para o Leon ele estava com a expressão séria, percebi que ele sabia muita coisa sobre esse assunto. Então me levantei e sentei na cama de frente para ele.

Percebendo que conseguiu chamar a minha atenção Leon continuou falando.

-Leon: Natalin, você nunca prestou atenção de como seu corpo reage quando você sente o sentimento das pessoas? Você nomeia eles pela expressão, mas você sente com o corpo.

-Natalin: Mas como isso é possível? - eu não estava acreditando no que eu estava ouvindo.

-Natalin, você é híbrida, e além disso possui alma, seria normal você sentir os sentimentos seus e das pessoas. - Leon falou isso numa naturalidade, que para mim era algo surreal.

-Natalin: Sério!? - ainda estava desacreditada.

-Sim. - Leon olhou para mim com um sorriso no rosto. - quando você sentir o sentimento de alguma pessoa preste bem atenção em você, como você está reagindo, assim você irá aprender a identificar o que sente.

Fiquei alguns minutos ainda o olhando desacreditada em tudo que eu ouvi.

-Natalin, você está passando por um sentimento de luto pelo que aconteceu com a Madre, isso não irá passar rápido - Leon me olhou nos olhos - mas com o tempo irá doer menos, você passou por muita coisa nesses últimos dias, hoje irei deixar você aqui no quarto como é sua vontade.

Mas amanhã você está lá fora se misturando com as pessoas e com a equipe. - disse se levantando e indo em direção a porta.

Assim que Leon fechou a porta, eu deitei novamente, agora com informações que eu nunca tive, eu sempre tive sentimentos, sempre os senti, mas nunca os percebi.

Tinha algo para ficar pensando até amanhã. E amanhã será um grande desafio para mim, lidar com pessoas.

Isso é tudo que está disponível no momento.

Continue lendo para acompanhar a história.

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Lista de capítulos

18 capítulos no total

  1. Capítulo 1Capítulo 1 Prefácio
  2. Capítulo 2Capítulo 2 Anjo ou Demônio
  3. Capítulo 3Capítulo 3 Centro de treinamento

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