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Capítulo 2

O sol da manhã iluminava o chão de linóleo com seus raios longos e pálidos. Chloe não havia dormido, e seus olhos ardiam com uma exaustão intensa e dolorosa que ia além do cansaço do parto.

Enquanto observava a respiração suave do seu filho e as pálpebras da filha tremularem, uma lembrança, nítida e indesejada, surgiu.

Seis meses atrás, Julian, que não aparecia em casa há muito tempo, apareceu de repente e lhe entregou um acordo de divórcio.

Os termos eram como uma execução pública no papel. Neles, ela teria que renunciar a todos os direitos sobre os bens da família Sterling e receber um pagamento único, que mal dava para pagar um ano de aluguel num bairro decente. Em troca, ela teria que assinar um acordo de confidencialidade tão rigoroso que a proibiria de falar sobre o casamento deles, a família dele ou até mesmo sobre ele.

"Isso é para compensar Amelia pelo que ela merece. Ela é a mulher que eu deveria ter escolhido desde o início", ele disse com uma voz desprovida de qualquer emoção, mantendo os olhos fixos na paisagem pela janela, sem nem sequer desviar o olhar para ela.

"E quanto aos bebês?", ela perguntou, levando instintivamente a mão até sua barriga inchada.

Nesse momento, ele se virou para ela com um olhar de uma indiferença arrepiante: "A família Sterling arcará com as despesas deles, mas não pense que pode usá-los para conseguir qualquer outra coisa."

Chloe não queria concordar de jeito nenhum, pensando que poderia suportar essa situação pelo resto da sua vida. Ela se recusou a se divorciar. Mesmo que o coração dele pertencesse a Amelia, ela manteria o título de esposa, se certificando de que Amelia nunca passasse de uma amante.

Embora ela estivesse disposta a arriscar tudo, ela acabou sucumbindo à crueldade dele.

Ele a ameaçou, dizendo que se ela não se divorciasse, o bebê no seu ventre teria que ser abortado!

Ela não podia abrir mão do seu filho de jeito nenhum.

O médico havia dito que ela tinha uma condição de saúde e que, se abortasse o bebê, provavelmente não conseguiria engravidar novamente.

Não tendo nenhum parente próximo, seu filho era sua única esperança. Ela não podia abrir mão do seu direito de ser mãe de jeito nenhum.

Pelo bem do seu filho, ela acabou assinando o acordo de divórcio.

No entanto, ela nunca imaginou que esse homem fosse tão insensível a ponto de nem sequer dar uma olhada no próprio filho.

Será que era só porque ela era filha adotiva da família Hayes, enquanto Amelia era a filha biológica?

Vinte e dois anos atrás, seus pais adotivos, que não conseguiam ter filhos após anos de casamento, a adotaram num orfanato. Mas ninguém esperava que, poucos meses depois de adotá-la, a mãe adotiva engravidasse e desse à luz sua própria filha, Amelia. A partir de então, Chloe se tornou a filha que a família não dava muita importância, e seus pais adotivos sempre deram preferência a Amelia.

Há três anos, Julian sofreu um acidente de carro e entrou em estado vegetativo. Era urgente que um casamento fosse providenciado para lhe trazer sorte. Pensando nos seus próprios interesses, a família Hayes a fez se casar com Julian.

Um ano atrás, Julian acordou inesperadamente. Ela pensou que, finalmente, depois de todas as dificuldades, ela seria feliz. Mas, para sua decepção, sua irmã Amelia se apaixonou por ele à primeira vista.

Por conta disso, ela rompeu com seus pais adotivos por causa de Julian, pois o amava. Ao longo da sua vida, ela já havia cedido demais a Amelia e não estava disposta a abrir mão do seu marido também.

Mas, por mais que ela tentasse, não conseguia conquistar o coração dele.

Voltando à realidade do quarto de hospital, ela cravou as unhas nas palmas das mãos. Eles haviam assinado o acordo de divórcio quando se encontraram, mas ainda não haviam ido ao cartório para obter a certidão de divórcio. Portanto, legalmente, eles ainda não estavam divorciados. Ela estava determinada a pôr um fim nisso o mais rápido possível.

Pelos seus filhos, ela tinha que seguir em frente. Ela precisava pegar o dinheiro e se afastar o máximo possível da família Sterling com eles.

De repente, uma batida suave na porta interrompeu seus pensamentos.

Um homem com um jaleco branco impecável entrou, com um sorriso caloroso e profissional no rosto. Ele era mais velho, talvez com uns cinquenta e poucos anos, com olhos gentis e um semblante tranquilo que o distinguia instantaneamente das enfermeiras apressadas. Seu crachá dizia: Dr. Quentin Beaumont, chefe de obstetrícia.

Ele era o chefe do departamento, e ela se perguntou por que ele estava fazendo rondas numa enfermaria comum.

"Bom dia, senhora Sterling", ele disse num tom gentil. Ele havia usado o sobrenome de casada dela, que parecia uma fachada que ela era forçada a usar. Depois, ele perguntou sobre sua recuperação, fazendo perguntas precisas e de uma forma tão genuinamente atenciosa que a pegou desprevenida.

Chloe respondeu educadamente, se envolvendo em uma barreira de cortesia ensaiada.

Nesse momento, o olhar do doutor Beaumont se desviou para os berços, e sua expressão amigável se contraiu por um segundo, enquanto seus olhos se estreitavam ligeiramente.

Então, ele se virou para ela e perguntou em um tom casual: "Os bebês se parecem com você. Sua família virá visitá-los em breve?"

Essa pergunta foi como um soco no estômago de Chloe, que desviou o olhar para suas mãos, firmemente entrelaçadas no colo. "Não tenho família", disse ela com um tom amargo.

Uma expressão fugaz e esquiva cruzou o rosto de Quentin, que notou uma pequena pinta marrom clara na parte interna do pulso esquerdo dela, logo abaixo da mão. Essa pinta era idêntica à de Eleanor, sua cunhada, assim como a da sua filha.

Nesse momento, seu coração começou a disparar. Uma ideia, uma esperança que ele havia enterrado há mais de vinte anos — uma esperança remota e aparentemente impossível — começou a surgir na sua mente.

Seu coração deu um pulo. Era exatamente por isso que ele estava lá: para confirmar a marca de nascença.

Ontem, quando viu essa mulher por acaso, ele ficou chocado com a aparência dela, que era muito parecida com a da sua cunhada. Havia até uma leve semelhança com seu irmão mais velho nos traços faciais da garota.

Por isso, ele não resistiu e coletou às escondidas uma amostra do sangue dela para um teste de paternidade.

Os resultados do teste estariam disponíveis hoje, e ele logo saberia a resposta.

"Descanse um pouco. Vou pedir para as enfermeiras cuidarem bem de você", ele disse.

Quentin voltou ao escritório com passos firmes, pronto para esperar pelos resultados do teste. Enquanto isso, ele pegou o prontuário de Chloe, onde constava seu nome verdadeiro: Chloe Hayes. Ela era adotada.

Em seguida, ele pegou outro arquivo. Os dados de DNA pertenciam à filha do seu irmão Richard. Aquela garotinha, que desapareceu no parque há vinte e dois anos, deixou uma ferida na família que jamais cicatrizou.

Eles nunca pararam de procurar por ela.

A espera era agonizante. Ele andava de um lado para o outro no seu escritório como um animal enjaulado. Cada tique-taque do relógio na parede era um golpe nos seus nervos.

Uma hora depois, uma notificação de e-mail apareceu, com o assunto direto: "99,99% de compatibilidade".

A mão de Quentin tremia tanto que ele mal conseguia controlar o mouse. Após clicar no e-mail, ele olhou para o relatório, a prova científica inegável na tela.

O médico que havia feito milhares de partos e enfrentado a vida e a morte com uma compostura inabalável sentiu seus olhos se encherem de lágrimas.

Ele a encontrou.

Ele encontrou a filha de Richard.

Após pegar seu celular, ele digitou um número que sabia de cor, o número que o ligaria ao chefe da família.

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  1. Capítulo 1Capítulo 1
  2. Capítulo 2Capítulo 2
  3. Capítulo 3Capítulo 3

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