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Capítulo 2 Bae-Te-Mi

Bae-Te-Mi

Se formos comparar com o padrão atual, a família Kim, a minha família, pertencia à classe média. Não éramos ricos, mas também nunca vivemos em situação de miséria. Mamãe era coreana; papai, brasileiro, descendente de coreanos e filho de imigrantes que foram para o Brasil na década de 70, levando poucas malas, muitos sonhos e a coragem de começar uma vida inteira em outro país. Meus pais se conheceram na faculdade, quando meus avós paternos mandaram papai de volta ao país de origem da família. O objetivo era dar a ele uma educação melhor, aproximá-lo das raízes e, principalmente, salvar aquela pobre alma da esbórnia em que parecia decidido a viver. Na cabeça de meus avós, Seul, os estudos e a disciplina fariam dele um homem responsável. O que eles não imaginavam era que, naquele mesmo lugar, ele encontraria o amor e mudaria o rumo de toda a família. No ensino médio, papai já era o terror das meninas. Alto, musculoso, de cabelos lisos, sorriso fácil e um jeito galanteador que parecia natural, ele chamava a atenção por onde passava. Todas se apaixonavam, suspiravam pelos corredores e quase vendiam a alma por um beijo escondido no ginásio de esportes, longe dos olhos dos professores. E o rapaz ainda era tão inteligente que, mesmo levando a vida com uma despreocupação irritante, tirava notas boas e escapava das broncas mais sérias. Por trás daquela aparência de bom moço, porém, existia um moleque que adorava uma farra, gostava de andar pelas ruas com um grupo de amigos e acreditava que a juventude jamais terminaria. Os companheiros fumavam, bebiam e sempre encontravam alguma festa, algum bar ou alguma confusão para transformar uma noite comum em aventura. Papai acompanhava tudo com entusiasmo, para desespero de meus avós. Assim, meus avós o enviaram para a casa de meus bisavós, para fazer o último ano do ensino médio em Seul e se preparar para entrar em uma boa universidade. A mudança não foi apresentada como escolha, mas como a última tentativa de colocá-lo nos trilhos. Os pais queriam que ele se tornasse juiz ou médico renomado, alguém com uma profissão respeitada, salário seguro e um título capaz de encher a família de orgulho. Entretanto, não se pode controlar o destino, muito menos obrigar um espírito criativo a caber dentro de um plano pronto. Papai se tornou artista. Tinha talento, sensibilidade e mãos capazes de transformar ideias em beleza, mas não se deu muito bem na parte comercial. Não sabia empreender, cobrar pelo próprio trabalho ou transformar inspiração em um negócio estável. Ainda assim, foi com ele que aprendi a desenhar, observar detalhes e não desistir de uma criação só porque a primeira tentativa deu errado. No fim, eu, sua única filha, consegui voar alto apoiada justamente nos ensinamentos que ele me passou, mesmo sem perceber que estava preparando minhas asas. No primeiro ano de faculdade, ele conheceu mamãe. Apaixonou-se com a rapidez de quem nunca teve paciência para viver nada pela metade. Em apenas um ano, sem preparar discursos, pedir bênçãos ou dar aos pais qualquer possibilidade de interferência, limitou-se a avisar: - Casei-me. Foi outra grande decepção para meus avós, talvez maior do que o abandono das carreiras que haviam escolhido para ele. Mas, como diz o ditado, o que não tem remédio, remediado está. O jeito foi aceitar a jovem esposa, engolir as expectativas frustradas e, ao mesmo tempo, libertar o filho das obrigações que até então assumiam por ele. A resposta de vovô foi tão curta quanto o comunicado do casamento e muito mais dura: - Agora é por sua conta. Vire-se. A partir daquele instante, papai deixou de ser apenas o filho rebelde protegido pelo dinheiro da família. Precisava sustentar a casa, cuidar da mulher que amava e aprender, na prática, o preço das próprias escolhas. Vivemos uma vida sem grandes provações materiais, mas sempre com o dinheiro contado. As contas eram pagas, havia comida na mesa e nunca me faltou o essencial, embora qualquer gasto fora do planejamento exigisse conversa, cálculo e, muitas vezes, renúncia. Mamãe também era artista, designer de interiores, e possuía um olhar especial para cores, espaços e formas. Ainda assim, só conseguiu alavancar de verdade a carreira nesse ramo quando viemos para o Brasil, onde encontrou mais oportunidades e liberdade para mostrar seu talento. Eu cheguei ao mundo em uma noite quente de vinte e três de junho. Na maternidade, mamãe dividiu o quarto com outra jovem muito bonita, que também aguardava o momento de conhecer o filho. Não me lembro de nada, é claro. Soube dessa história ao ler um diário antigo, encontrado por acaso, perdido na escuridão de uma despensa lá de casa, entre caixas empoeiradas, objetos esquecidos e lembranças que pareciam não querer ser encontradas. A mulher também deu à luz naquele mesmo dia. Para ela, era o segundo filho; já tinha uma menina de cinco anos, que, mais tarde, se tornaria o terror de minha existência na Coreia do Sul. Naquela noite, porém, nossas mães eram apenas duas jovens cansadas, emocionadas e assustadas com os bebês recém-nascidos nos braços. Conversaram, dividiram confidências e acabaram criando uma proximidade breve, daquelas que parecem destinadas a desaparecer assim que cada uma deixa o hospital. E foi o que aconteceu. Até os cinco anos, não nos vimos mais. Morávamos em regiões opostas: nós, no Norte; eles, no Sul. A distância, a rotina e as obrigações apagaram o contato, até que papai recebeu uma proposta de trabalho. Como coincidência não existe - ou pelo menos gosto de acreditar que não -, a linha do destino, ou outra força qualquer, amarrou novamente nossas histórias. Mudamos de bairro e fomos morar exatamente na mesma rua, na casa em frente à da antiga companheira de quarto de mamãe. Entre tantos bairros, tantas ruas e tantas casas em Seul, fomos parar diante da única família que já havia dividido conosco o início de uma vida. No dia da mudança, tudo estava escuro na casa da frente. As janelas permaneciam fechadas, o portão imóvel e nenhum ruído denunciava que alguém morasse ali. Nunca imaginamos o que o destino nos reservava atrás daquela fachada silenciosa. Na manhã seguinte, um sábado de outono iluminado pelo sol, fomos à praça arejar os ânimos e descansar um pouco da bagunça das caixas, antes que o pior do inverno chegasse. O vento já soprava frio, mas o céu estava claro e convidativo. Como toda criança, brinquei, corri, pulei e inventei mundos até me cansar. Mesmo ofegante, eu continuava aos pulos quando um carro parou diante da casa da frente. As portas se abriram e uma família começou a descer, carregando bolsas e conversando entre si. Eu cantava para mamãe, sem qualquer vergonha, repetindo uma música que havia aprendido havia pouco. A mulher, ao ouvir aquela voz infantil e olhar em nossa direção, primeiro diminuiu o passo. Depois ficou imóvel por um instante, observando o rosto de mamãe como quem procurava uma lembrança antiga. Reconheceu-a quase de imediato. A surpresa em seus olhos foi tão grande que parecia que os anos entre a maternidade e aquela manhã haviam desaparecido de uma só vez. A mulher atravessou a rua apressada, ainda olhando para mamãe com uma expressão espantada, como se não acreditasse no que via. Quando chegou perto de nós, parou por alguns segundos, tentando confirmar se aquela lembrança antiga não era apenas uma peça pregada pela memória. - É a senhora do hospital, não é? A jovem que dividiu o quarto comigo na maternidade? Como está? Mamãe também pareceu surpresa. Abriu um sorriso cordial e segurou as mãos da mulher, reconhecendo nela a antiga companheira de quarto. - Sou eu, sim. Que coincidência a encontrar depois de tantos anos! Estou bem, e você? - perguntou mamãe, cumprimentando-a com carinho. Depois apontou para a nossa casa. - Vocês moram aqui? Nós nos mudamos ontem para a casa da frente. - Moramos aqui há algum tempo. Não acredito que serão nossos novos vizinhos! Quando ouvi sua filha cantando, achei a voz tão bonita que olhei para cá. Então reconheci você. Está diferente, é claro, mas o rosto continua o mesmo. - E você também não mudou tanto assim - respondeu mamãe, sorrindo. - Parece que foi ontem que estávamos naquele quarto, cada uma com seu bebê nos braços. Enquanto as duas conversavam, olhei para o menino que permanecia um pouco atrás da mãe. Ele mantinha a cabeça baixa e as mãos unidas diante do corpo, como se desejasse ficar invisível. Parecia desconfortável com toda aquela conversa de adultos e, de vez em quando, levantava os olhos apenas o suficiente para me observar. Não esperei que alguém nos apresentasse. Aproximei-me dele com a facilidade de quem, aos cinco anos, ainda não conhecia vergonha ou cerimônia. - Sou Bae-Te-Mi. E você, como se chama? Ele demorou um pouco para responder. Primeiro olhou para a mãe, talvez esperando que ela falasse por ele. Depois voltou os olhos para o chão e mexeu a ponta do sapato sobre a calçada. - Sung-Jin - respondeu com a voz tão baixa que quase não consegui escutar. Inclinei o corpo para a frente, tentando enxergar melhor seu rosto. - Sung-Jin? É um nome bonito. Você mora mesmo naquela casa? Ele apenas confirmou com a cabeça. - E você estuda aqui perto? Outra vez, ele balançou a cabeça afirmativamente. Era realmente muito tímido. Suas respostas pareciam ficar presas na garganta antes de conseguirem sair. Mesmo assim, percebi que continuava me observando por baixo da franja. - Você não fala muito, não é? - perguntei. Ele levantou os olhos por um instante, surpreso com minha sinceridade. - Falo. - Então fale comigo. - Não sei o que dizer. - Pode dizer que quer ser meu amigo. Ele finalmente esboçou um sorriso, pequeno e contido. - Mas eu ainda não conheço você. - Conhece, sim. Eu acabei de dizer meu nome e moro na casa da frente. Já é suficiente. Estendi a mão para ele com toda a segurança que uma criança poderia ter. - Vamos ser amigos. Sung-Jin olhou para minha mão, depois para meu rosto. Pareceu pensar seriamente sobre a proposta, como se aquela fosse uma decisão muito importante. Por fim, segurou meus dedos com cuidado. - Vamos ser amigos - repetiu. - Pronto. Agora você já tem uma amiga nova. - E você tem um amigo novo - acrescentou ele, ainda falando baixo. - Então venha brincar comigo. Tenho brinquedos dentro das caixas, mas ainda não sei em qual delas. Podemos procurar. Pela primeira vez, ele ergueu a cabeça de verdade. Havia curiosidade em seu olhar. - Sua casa está cheia de caixas? - Muitas. Parece até um labirinto. Ontem quase não encontrei meu quarto. Ele soltou uma risadinha, e aquela foi a primeira vez que ouvi o som de sua alegria. Enquanto isso, nossas mães continuavam conversando, relembrando a maternidade, o nascimento dos filhos e os anos em que ficaram sem notícias uma da outra. Quando perceberam, já atravessávamos a rua juntos, como se a amizade estivesse decidida muito antes daquele encontro. - Mamãe, Sung-Jin vai brincar comigo! - anunciei. - Vai? E você perguntou à mãe dele se pode? Olhei para a mulher, esperando a autorização. - Pode, sim - respondeu ela, sorrindo. - Mas não incomode. - Ele não incomoda. É muito quieto. Sung-Jin ficou vermelho e baixou novamente a cabeça. - Bae-Te-Mi, não deixe o menino sem graça - repreendeu mamãe, embora estivesse segurando o riso. Pouco depois, já estávamos todos em nossa casa. Mamãe precisou afastar algumas caixas para abrir espaço na sala. Preparou chá quente para as duas, e o vapor subiu das xícaras enquanto elas continuavam a conversar como se tentassem recuperar, em uma única tarde, todos os anos em que permaneceram afastadas. Eu e o menino tímido ficamos na sala, sentados no chão diante da televisão ligada. No começo, Sung-Jin permaneceu calado, com as pernas cruzadas e as mãos apoiadas nos joelhos. Eu falava pelos dois, mostrava meus brinquedos, contava sobre a mudança e reclamava das caixas espalhadas pela casa. - Você sempre fala tanto assim? - ele perguntou depois de algum tempo. - Sempre. E você sempre fala tão pouco? - Quase sempre. - Então vai dar certo. Eu falo e você escuta. - E quando eu quiser falar? - Eu deixo. Ele riu novamente. Nem preciso dizer que nossas mães se tornaram amigas inseparáveis. A antiga proximidade, nascida naquele quarto de hospital, voltou com ainda mais força. Passaram a tomar chá juntas, fazer compras, trocar receitas e dividir preocupações sobre os filhos. Se uma precisava de ajuda, a outra atravessava a rua sem cerimônia. Com o passar dos meses, as duas casas pareciam uma só. Não se podia dizer o mesmo de nossos pais. Eles trabalhavam o dia inteiro, saíam cedo e voltavam tarde. Mal se encontravam e, quando isso acontecia, limitavam-se a cumprimentos educados e conversas curtas. Acredito que nunca gostaram verdadeiramente um do outro. Não chegavam a brigar, mas existia entre eles uma distância silenciosa, uma espécie de antipatia escondida sob a boa educação. Talvez fossem apenas diferentes demais para construir a mesma amizade que unia nossas mães. A partir daquele dia, eu e Sung-Jin também nos tornamos inseparáveis. Brincávamos na rua, fazíamos as refeições juntos e atravessávamos de uma casa para a outra como se não existisse portão entre elas. Eu o tirava da solidão e ele, com seu jeito tranquilo, diminuía um pouco minha agitação. Quando eu me metia em alguma confusão, era Sung-Jin quem tentava me impedir. Quando ele se escondia do mundo, era eu quem o puxava pela mão. - Venha, Sung-Jin. Não tenha medo. - Não estou com medo. - Está, sim. - Só estou pensando. - Você pensa demais. - E você não pensa antes de fazer nada. - Por isso somos amigos. Um compensa o outro. Estudamos na mesma escola durante toda a infância. No ensino fundamental, dividimos carteiras, tarefas, brincadeiras e pequenos segredos. Ele continuou tímido com quase todo mundo, mas nunca comigo. Ao meu lado, falava, ria e até discutia quando eu exagerava. Eu conhecia o significado de cada silêncio dele, e Sung-Jin sabia reconhecer meu humor apenas pelo modo como eu atravessava o portão de casa. Até o final do ensino fundamental, tudo foi tranquilo. Éramos apenas duas crianças que cresceram juntas, unidas por uma amizade que parecia indestrutível. Depois veio a adolescência, acompanhada de suas descobertas, inseguranças e sentimentos difíceis de explicar. No ensino médio, os olhares começaram a demorar mais do que deveriam, os silêncios ganharam outros significados e a amizade, tão simples durante tantos anos, passou a esconder algo que nenhum de nós tinha coragem de dizer. Tudo permaneceu tranquilo até o dia em que... - Filha, acorde. Em que estava pensando? Você parecia tão distante... - mamãe se aproximou do berço e sorriu. - Byeol é linda, igual à vovó. Abri os olhos devagar, ainda presa às lembranças que rondavam minha cabeça. - Oi, mamãe. A que horas chegou? - De madrugada. Sua tia conseguiu falar comigo e vim assim que pude. A médica disse que já vai liberar você. - Ela me observou por alguns segundos, desconfiada. - Você estava sonhando acordada. Acho até que falou o nome daquele rapaz. Desviei o olhar para minha filha, dormindo tranquila no berço ao lado. - Deve ter sido impressão sua. - Não foi. Filha, esqueça esse homem. Ele não merece você, muito menos essa criança. Lembre-se sempre das palavras que ouviu da boca dele e do acidente que sofreu depois de sair transtornada. Byeol tem você, seus avós e sua tia. Não precisa de um pai que virou as costas para as duas. Ele é um... - Eu já tenho raiva suficiente dele, mamãe. Pode ficar em paz. Não precisa fazer elogios tão bonitos a seu respeito. Ela respirou fundo e decidiu não continuar. Aproximou-se do berço outra vez, ajeitou a manta sobre o pequeno corpo e tocou delicadamente a bochecha da neta. - E essa neném da vovó? Linda demais. Parece até uma bonequinha. - Depois se voltou para mim. - Filha, estive pensando... Vamos ensinar somente português para ela. Para que incentivá-la a voltar a um país que lhe traz lembranças tão dolorosas? - Mamãe, nós ainda não sabemos falar português tão bem. Eu mesma me confundo com algumas palavras. Vamos ensinar as duas línguas. O coreano faz parte de quem somos e não tem culpa do que aconteceu comigo. - Tenho medo de que, um dia, ela queira voltar para lá. - Se isso acontecer, será uma escolha dela. Não quero criar minha filha com medo de um país ou presa às dores que são minhas. Além disso, ela precisa conseguir conversar com a senhora sem dificuldade. Mamãe lançou um olhar indignado para mim. - Está dizendo que meu português é ruim? - Estou dizendo que o nosso português ainda precisa melhorar - respondi, contendo um sorriso. - Depois que nós duas aprendermos melhor, podemos usar mais o idioma daqui, onde vamos viver. Mas Estrela conhecerá suas duas origens. - Estrela? - mamãe repetiu, olhando para a menina. - Então decidiu mesmo chamá-la assim? - Aqui, sim. Byeol na Coreia e Estrela no Brasil. Os dois nomes terão o mesmo significado. Mamãe sorriu, vencida. - Combina com ela. Essa menina chegou para iluminar nossa vida. Voltei para casa naquele mesmo dia. Era uma jovem de dezoito anos, com uma filha nos braços e sem o pai dela ao nosso lado. A partir dali, seríamos nós duas contra todas as dificuldades que aparecessem. Eu precisava amadurecer, crescer profissionalmente e encontrar uma maneira de sustentá-la sem depender para sempre de meus pais ou de minha tia. Estrela havia sobrevivido comigo a um acidente, a três meses de coma e a uma mudança para o outro lado do mundo. Depois de toda aquela luta, eu faria o possível para que ela brilhasse. Seu nome não seria apenas bonito; seria também uma promessa. Eu deixaria de ser a garota patética e incapaz que certas pessoas acreditavam que eu fosse. Não permitiria que as palavras ditas por Sung-Jin continuassem decidindo quem eu era. A dor ainda existia e, por mais que eu tentasse negar, as lembranças dele permaneciam vivas. Porém, agora havia alguém mais importante do que minhas mágoas. Esperei apenas Estrela completar três meses para começar a trabalhar na loja de bijuterias de titia. Não foi fácil deixá-la em casa nas primeiras semanas. Eu saía com o coração apertado, conferia várias vezes se havia leite suficiente e telefonava sempre que encontrava alguns minutos livres. Entretanto, sabia que aquele esforço era necessário. Comecei atendendo clientes, organizando vitrines e aprendendo tudo o que podia sobre vendas. Observava cada peça, os gostos das mulheres e a forma como uma joia simples conseguia mudar o brilho no olhar de alguém. Aos poucos, o talento que herdei de papai para o desenho encontrou um caminho. Foi naquela pequena loja de bijuterias que comecei a construir minha vida. Ali, entre balcões, caixas e cadernos de esboços, dei os primeiros passos para me tornar uma grande empresária. Tudo por mim, mas, acima de qualquer coisa, por Estrela.

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Lista de capítulos

12 capítulos no total

  1. Capítulo 1Capítulo 1 SOLIDÃO DO PARTO
  2. Capítulo 2Capítulo 2 Bae-Te-Mi
  3. Capítulo 3Capítulo 3 Bae-Te-Mi

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