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Capítulo 2
Adam Kensington observou Allison Montgomery desaparecer na multidão. Sua mão ainda formigava de onde ele havia segurado a cintura dela. O tecido do casaco dela estava frio, mas por baixo, ele sentiu calor. Vida.
Ele se virou para Kip Downs, seu assistente, que ainda olhava para ela com a boca aberta.
— Feche a boca — disse Adam, secamente. — Você parece um peixe.
Kip fechou a boca abruptamente. — Aquela era Allison Montgomery. A noiva do seu sobrinho. Aquela que você tem...
— Eu sei quem ela é — interrompeu Adam. Sua voz era puro gelo.
Ele sabia quem ela era há anos. Muito antes de Finn sequer notá-la. Ele a observara à distância, acompanhando sua carreira, suas conquistas, sua dignidade silenciosa. E ele observara Finn — seu sobrinho mimado e arrogante — conquistá-la com mentiras e charme.
Mas não mais.
— Siga-a — disse Adam. — Quero saber para onde ela vai. Com quem fala. Tudo.
Kip hesitou. — Adam, você tem certeza? Ela ainda é, tecnicamente...
— Ela não será por muito tempo — disse Adam. Ele pegou o celular e enviou uma mensagem rápida para sua equipe de segurança. Então, caminhou em direção à saída, suas pernas longas devorando o chão.
Kip se apressou atrás dele. — E a reunião com os investidores japoneses?
— Reagende.
Kip suspirou. Ele trabalhava para Adam Kensington há oito anos. Já o vira adquirir empresas, destruir rivais e aterrorizar salas de reuniões. Mas nunca o vira olhar para uma mulher daquele jeito.
Isso era novo. E perigoso.
Allison saiu pelas portas de correr do terminal. O ar frio de Nova York atingiu seu rosto, trazendo-a de volta à realidade. Ela levantou a mão e chamou um táxi amarelo, deslizando para o banco de trás de couro desgastado.
— Upper East Side — disse ela ao motorista. Então acrescentou: — Na verdade, não. Apenas dirija. Eu digo para onde.
Ela precisava de tempo para pensar.
O táxi entrou no trânsito. Allison olhava fixamente para o horizonte de Manhattan enquanto o táxi acelerava pela Van Wyck Expressway. Os imponentes prédios de vidro pareciam dentes irregulares contra o céu cinzento.
Ela abriu o celular novamente. O vídeo ainda estava lá, salvo em sua nuvem. Desta vez, não tocou o áudio. Apenas assistiu à evidência visual de sua vida desmoronando.
As mãos de Finn nos quadris de Cheyanne. O sorriso de Cheyanne. O jeito como se moviam juntos, como se já tivessem feito aquilo centenas de vezes.
A raiva dentro dela parou de ferver e começou a congelar. Solidificando-se em uma casca dura e protetora ao redor de seu coração. Sua respiração desacelerou. Sua postura se endireitou.
Ela não iria quebrar.
Ela não iria implorar.
Ela iria destruir os dois.
Mas primeiro, ela precisava pegar suas coisas.
— A Propriedade Montgomery — disse ela ao motorista.
O táxi parou em frente aos imponentes portões de ferro forjado vinte minutos depois. Allison pagou e subiu os amplos degraus de calcário. A casa se erguia sobre ela, fria e grandiosa, cada pedra gritando dinheiro antigo.
Ela empurrou as pesadas portas de carvalho da frente.
O cheiro de lírios frescos e cera de chão cara encheu suas narinas. Imediatamente, ela ouviu o som de cristais tilintando e risadas leves vindo da sala de estar formal.
Eles estavam comemorando.
Allison caminhou em direção ao som. Seus saltos estalavam no chão de mármore como uma contagem regressiva.
Ela parou na entrada em arco da sala de estar.
Baker, seu tio e o chefe interino da família, estava sentado em sua poltrona de couro lendo o Wall Street Journal. Katharine, sua esposa, bebia chá de uma delicada xícara de porcelana. Cheyanne e Finn estavam sentados juntos no sofá de veludo, casuais, confortáveis, como se pertencessem àquele lugar.
Como se Allison fosse a intrusa.
Finn foi o primeiro a levantar o olhar. Ele viu Allison parada na entrada. Seu rosto empalideceu. Sua mão tremeu ao pousar o copo de uísque.
Cheyanne pulou do sofá. Ela forjou um sorriso brilhante e excessivamente entusiasmado — o tipo que sempre usava quando estava mentindo.
— Allie! — ciciou Cheyanne, correndo em sua direção com os braços abertos. — Como foi a ida ao aeroporto? O voo da sua amiga pousou? Estávamos tão preocupados com você!
Allison não disse nada. Apenas se desviou do abraço.
Cheyanne tropeçou desajeitadamente, seus braços agarrando o ar. Ela recuperou o equilíbrio e olhou para Allison com olhos grandes e inocentes.
— Allie? O que há de errado?
Baker bateu o jornal na mesa de centro de mogno. O som alto ecoou pela sala.
— Qual é o seu problema? — exigiu Baker em voz alta, fuzilando Allison com o olhar. — Por que está agindo de forma tão desrespeitosa com sua irmã? Ela acabou de tentar cumprimentá-la, e você...
Allison tirou o celular do bolso.
Ela não disse uma palavra. Tocou na tela, selecionou o arquivo de vídeo e apertou o ícone do AirDrop conectado à enorme smart TV montada acima da lareira.
O vídeo em alta definição do caso de Finn e Cheyanne começou a ser reproduzido instantaneamente na tela imensa. O volume estava no máximo.
Voz de Finn: — Diga que sou melhor do que ela.
Voz de Cheyanne: — Você é. Deus, você é.
O áudio de seus gemidos e dos sussurros desesperados de Cheyanne ecoou pelos tetos abobadados.
Katharine ofegou. Seus dedos amoleceram. A delicada xícara de porcelana caiu de sua mão, estilhaçando-se em dezenas de pedaços no tapete persa de valor inestimável. O chá quente encharcou a lã, espalhando-se como uma mancha.
Finn pulou do sofá. Seu rosto estava completamente sem cor. Ele procurou freneticamente o controle remoto da TV na mesa de centro, suas mãos tremendo violentamente.
— Espere, Allison, eu posso explicar! — gaguejou Finn, com a voz falhando. — Não é o que parece! Desligue isso!
Cheyanne explodiu em lágrimas imediatas e teatrais. Ela caiu de joelhos no tapete, cobrindo o rosto com as mãos, seus ombros tremendo em soluços perfeitos e ensaiados.
— Ele me forçou! — lamentou Cheyanne. — Eu não queria, Allie! Ele não me deixava ir! Ele disse que se machucaria se eu não...
Allison cruzou os braços sobre o peito. Ela observava o caos com olhos mortos. Seu coração batia em um ritmo lento e constante.
Ela esperou que Baker — o chefe da família, irmão de sua mãe, o homem que prometera a seu pai em seu leito de morte que a protegeria — expulsasse os traidores de casa.
Em vez disso, o rosto de Baker passou do choque para uma fúria roxa. Ele fuzilou Finn com o olhar, depois seus olhos se voltaram bruscamente para Allison.
Baker apontou um dedo grosso e violento para Allison.
— É assim que você lida com um assunto de família? — gritou Baker, sua saliva voando sobre a mesa de centro. — Expondo nossa roupa suja em uma tela de televisão como um reality show? Você não tem senso de decoro! Nenhum respeito! Como ousa trazer esse lixo para a minha casa!
Allison sentiu um golpe físico no peito. O ar lhe faltou nos pulmões.
Ela olhou para Baker. Olhou de verdade para ele. E entendeu.
Ele não estava com raiva de Finn. Não estava com raiva de Cheyanne.
Ele estava com raiva dela por expô-los.
Katharine correu para a soluçante Cheyanne. Ela envolveu a garota mais nova com os braços, embalando-a gentilmente, olhando para Allison com puro veneno.
— A culpa é sua — sibilou Katharine. — Você o afastou com sua frieza. Nunca deu a Finn o calor que ele precisava. Estava sempre trabalhando, sempre distante. Veja o que você os fez fazer!
A boca de Allison se abriu. Depois se fechou.
Os fez?
Ela os fez?
Finn viu a reação de Baker. Ele parou de procurar o controle remoto. Endireitou a postura, ajustando a gravata, e imediatamente transferiu a culpa.
— Katharine está certa — disse Finn, sua voz ganhando confiança. — Você nunca esteve emocionalmente disponível, Allison. Eu tentei. Deus sabe que eu tentei. Mas você era como uma parede. Eu precisava de uma conexão real. Cheyanne me deu isso. Ela me entendeu.
Cheyanne espiou por entre os dedos, lágrimas escorrendo por suas bochechas. — Eu não queria me apaixonar por ele, Allie. Simplesmente aconteceu. Por favor, me perdoe.
Baker pigarreou, alisando a frente de seu colete. Ele olhou para Finn, depois para Cheyanne, e então de volta para Allison.
— Para evitar um escândalo público — anunciou Baker friamente —, o noivado Montgomery-Kensington continuará como planejado.
Allison soltou uma risada sombria e sem humor. O som arranhou sua garganta. — Você espera que eu ainda me case com ele?
Baker olhou para ela como se fosse uma idiota. — Não. O noivado está sendo transferido para Cheyanne. Ela e Finn são claramente uma combinação melhor. O conselho precisa da aliança com os Kensington. O preço das ações não pode arcar com um escândalo.
Katharine assentiu em concordância, acariciando o cabelo de Cheyanne. — Você precisa se afastar pela felicidade de sua irmã, Allison. Pense na empresa. Pense na família.
Finn caminhou até Cheyanne e pegou sua mão. Ele olhou para Allison com algo que poderia ser pena.
— Sinto muito que tenha acabado assim, Allison. Mas você e eu nunca fomos certos um para o outro. Você encontrará alguém eventualmente. Alguém tão frio quanto você.
Allison olhou para as quatro pessoas na sala.
Seu tio. Sua tia. Sua irmã. Seu noivo.
Todos os quatro, juntos, reescrevendo a história, fazendo dela a vilã.
O absurdo puro e absoluto da situação rompeu seu último laço emocional com a família. Ela sentiu um estalo físico no peito. O peso esmagador de tentar agradar a essas pessoas — os anos provando seu valor, trabalhando o dobro de qualquer um, engolindo seu orgulho e sua dor — desapareceu.
Substituído por uma leveza assustadora e vazia.
Ela não gritou. Não chorou.
Apenas assentiu lentamente.
Um sorriso assustadoramente calmo tocou seus lábios. Não alcançou seus olhos — nem de perto.
— Ok — disse Allison suavemente.
A sala ficou em silêncio.
— Ok? — repetiu Cheyanne, confusa.
Allison virou nos calcanhares sem dizer uma única palavra. Ela saiu da sala de estar, deixando-os em um silêncio mortal.
Ela andou pelo corredor e parou. Encarou as portas fechadas de mogno do escritório de Baker — o quarto onde seu pai costumava trabalhar, onde ele a ensinara a ler um balanço quando ela tinha doze anos.
A realidade de seu completo isolamento penetrou em seus ossos.
Ela estava sozinha.
Mas estar sozinha significava que ela não devia nada a ninguém.
Lista de capítulos
480 capítulos no total
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