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Capítulo 3
Allison fitou as portas fechadas de mogno do escritório de Baker por um longo momento. Então, ela se virou e subiu a grande escadaria. Cada degrau parecia mais pesado que o anterior, mas ela se forçou a continuar se movendo.
Ela entrou em seu quarto — um cômodo que nunca pareceu ser dela. Paredes em um suave tom de creme, móveis antigos de carvalho francês, cortinas que custavam mais do que o aluguel mensal da maioria das pessoas. Era lindo. Era frio. Era uma exposição de museu à qual ela não pertencia mais.
Ela não se permitiu olhar para trás.
Ela foi direto para o closet e puxou uma pesada mala de viagem Louis Vuitton da prateleira de cima. O couro estava gasto, o zíper de latão, manchado. Ela havia comprado aquela bolsa oito anos atrás, em sua primeira viagem a Paris com o pai, antes de ele morrer. Era uma das poucas coisas que ela realmente valorizava.
Ela começou a fazer as malas. Mecânica. Eficiente. Sem hesitação.
Ela pegou apenas o essencial: seu laptop, dois discos rígidos criptografados contendo os dados pessoais de sua empresa, o velho caderno de seu pai — aquele onde ele havia escrito à mão suas estratégias para o Montgomery Group — e três terninhos de corte impecável. Ela não dobrou nada. Apenas enfiou tudo lá dentro.
Seus olhos pousaram no espelho da penteadeira. Várias fotos de família emolduradas estavam sobre a superfície de vidro. Ela e o pai, rindo em um piquenique da empresa. Ela e a mãe, antes que o desaparecimento de Cheyanne a tivesse tornado amarga. Ela e Finn, na festa de noivado deles.
Allison não hesitou. Ela passou o braço pela penteadeira, derrubando os porta-retratos de prata, virados para baixo, na lata de lixo. O vidro trincou contra o cesto de metal. O som foi satisfatório.
Seu celular vibrou. Uma chamada de Emilee Costa — sua melhor amiga, a única pessoa no mundo em quem confiava completamente.
Allison atendeu, colocando no viva-voz enquanto jogava um par de saltos na mala de viagem.
— Oi — a voz de Emilee soou pelo alto-falante, alta e enérgica. — Você está pronta para a nossa reserva no Le Bernardin? Estou morrendo de fome. Estou sonhando com o lagosta thermidor deles há três dias.
— O jantar está cancelado — Allison declarou, impassível, enquanto fechava o zíper de um bolso lateral.
Silêncio. Então: — Por quê? O que aconteceu?
— Peguei o Finn e a Cheyanne transando no meu Range Rover.
Um momento de silêncio mortal pairou na linha.
Então, Emilee soltou uma série de xingamentos criativos e em alto volume que fariam um marinheiro corar. — Aquele parasita inútil, covarde, de Wall Street! Eu vou voar para Nova York agora mesmo e castrá-lo com uma faca de manteiga! Vou mandar as bolas dele para a mãe dele em uma caixa de presente!
Allison quase sorriu. Quase.
— Baker e Katharine acabaram de dar meu anel de noivado para a Cheyanne — Allison continuou, com a voz desprovida de inflexão.
Emilee gritou. Não palavras. Apenas um grito puro e cru de incredulidade e fúria. O áudio estourou no alto-falante do celular.
— Você está brincando comigo? — Emilee finalmente conseguiu dizer. — Eles fizeram O QUÊ? Onde você está agora? Saia dessa casa tóxica neste instante!
Allison agarrou o pesado zíper de latão da mala de viagem e o fechou. — Estou saindo agora mesmo. Posso ficar na sua casa no Soho?
— Sim! Óbvio! — Emilee gritou. — Terei tequila e um taco de beisebol esperando por você. Nós vamos destruí-los, Allison. Todos eles, até o último. Anda logo.
Allison encerrou a chamada. Ela jogou a bolsa pesada sobre o ombro. A alça de couro cravou dolorosamente em sua clavícula, mas o desconforto físico a mantinha com os pés no chão. Isso a lembrava de que ainda estava viva, ainda se movendo, ainda lutando.
Ela saiu de seu quarto e desceu pela escada estreita dos fundos, usada pelos funcionários. Ela não passaria pelo saguão principal. Ela não lhes daria a satisfação de vê-la sair de cabeça baixa.
Ela saiu furtivamente pela enorme cozinha industrial. O chef particular ergueu os olhos enquanto picava vegetais, com os olhos arregalados de confusão.
— Senhorita Montgomery? Está tudo...
Allison o ignorou e empurrou as portas de serviço, saindo para a noite fria de Nova York. O ar frio atingiu seu rosto, clareando sua mente.
Ela andou dois quarteirões pela avenida antes de chamar outro táxi. Jogou sua bolsa no porta-malas e deslizou para o banco de trás.
— Soho — disse ela ao motorista.
Enquanto o táxi acelerava em direção ao centro, a mente de Allison trabalhava a mil. A adrenalina estava diminuindo, substituída por uma lógica fria e dura. Ela revisou mentalmente a estrutura acionária do Montgomery Group. Seu pai lhe deixara vinte e cinco por cento das ações com direito a voto. Baker controlava outros vinte por cento. O restante estava espalhado entre acionistas minoritários e investidores institucionais.
Sem a aliança matrimonial com os Kensington a apoiando, Baker convocaria imediatamente uma reunião de emergência do conselho. Ele tentaria tirar dela seus direitos de voto. Ele argumentaria que ela estava "instável", "emocionalmente comprometida", "incapaz de liderar". E o conselho — a maioria dos quais devia seus cargos a Baker — provavelmente concordaria.
Ela precisava de um apoiador. Alguém com capital suficiente para aterrorizar Baker. Alguém cujo nome, por si só, faria o conselho pensar duas vezes antes de contrariá-la.
Alguém cujo poder superasse o do ramo da família Kensington de Finn.
O táxi a deixou em uma rua de paralelepípedos no Soho. Ela pegou o elevador de carga até o loft de Emilee — um espaço amplo com paredes de tijolos aparentes, uma claraboia enorme e uma ilha de cozinha que tinha visto mais sessões de terapia do que culinária de verdade.
As portas de metal se abriram, e Emilee imediatamente a atacou com um abraço feroz e esmagador.
Allison inspirou o cheiro do perfume caro de Emilee — Chanel No. 5, o mesmo que sua mãe costumava usar antes de tudo dar errado. Pela primeira vez na noite, ela sentiu seus ombros relaxarem um pouco.
Emilee se afastou, pegou dois copos de shot da ilha da cozinha e despejou uma dose cheia de tequila Patron em cada um. Ela entregou um para Allison.
— Beba — ordenou Emilee.
Allison pegou o copo e virou-o sem hesitar. A bebida queimou um rastro de fogo por sua garganta, acomodando-se calorosamente em seu estômago vazio.
Elas se moveram para o sofá de veludo macio no centro do loft. Allison sentou-se, apoiando os cotovelos nos joelhos, encarando o assoalho.
— Estou prestes a ser expulsa do conselho — disse Allison. — Baker vai usar isso para tomar tudo o que meu avô construiu. Tudo pelo que meu pai morreu.
Emilee andava de um lado para o outro, seus saltos batendo agressivamente no chão. — Vazamos o vídeo da câmera do painel para o Page Six. Arruinamos a reputação do Finn. Nós os destruímos socialmente. A mãe do Finn, Eulalie, se importa mais com as aparências do que com qualquer outra coisa — se aquele vídeo se tornar público, ela o deserdará.
Allison balançou a cabeça. — Não. Um escândalo como esse derrubaria as ações da Montgomery. Isso prejudica minha própria herança. Preciso de um ataque cirúrgico. Não de uma bomba.
Ela olhou para Emilee. Seus olhos estavam frios, focados. — Preciso de um casamento de conveniência. Alguém com capital suficiente para fazer Baker recuar, e um nome grande o suficiente para fazer Finn engasgar.
Emilee parou de andar. Ela soltou uma risada seca. — Certo. Vamos à loja de bilionários. Pegamos um príncipe saudita ou um magnata da tecnologia? Ouvi dizer que o Elon está solteiro de novo.
Allison não riu.
Sua mente voltou ao terminal do aeroporto. Ela se lembrou do impacto. O terno de carvão feito sob medida. A aura de poder aterrorizante e sufocante. O calor da mão dele em sua cintura. E o nome que o homem atrás dele havia chamado.
Adam.
Os olhos de Allison brilharam com uma determinação súbita e perigosa.
— O que você sabe sobre Adam Kensington?
Emilee deixou seu copo de shot cair na mesa de centro de vidro. Ele bateu ruidosamente, derramando tequila na superfície polida. Seu queixo literalmente caiu.
— Adam Kensington? — a voz de Emilee saiu como um guincho. — Tipo, o tio do Finn? O fantasma de Wall Street? O homem que devora empresas no café da manhã e deixa salas de reunião em prantos?
— Esse mesmo.
Emilee agarrou os ombros de Allison. — Você enlouqueceu? Adam Kensington não é um homem. É uma força da natureza. Ele nunca foi fotografado com uma mulher. Ele nunca esteve em um relacionamento. Wall Street acha que ele é assexuado ou... — ela baixou a voz — ...impotente. E você quer se casar com ele?
Allison sorriu. Foi um sorriso genuíno e afiado que esticou suas bochechas.
— Exatamente. Um bilionário impotente e avesso ao toque é o candidato perfeito para um casamento de fachada. Sem expectativas físicas complicadas. É uma transação puramente comercial.
— Você é louca — sussurrou Emilee.
— Talvez — disse Allison. — Mas me tornar a tia do Finn é o primeiro passo perfeito da minha vingança.
Emilee encarou o rosto determinado de Allison. Um arrepio percorreu seus braços. Ela percebeu que sua melhor amiga estava prestes a jogar o jogo mais perigoso de Nova York.
Isso é tudo que está disponível no momento.
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