Pular para o conteúdo principal

Capítulo 3 Rei das profundezas

Eu deveria ter fugido.

Era a única coisa lógica a fazer.

Havia um grupo de criaturas predatórias cercando-nos no meio do oceano, e o único ser entre elas e mim era um monstro que eu conhecia havia menos de uma hora.

Ainda assim, quando Vael avançou, eu não consegui me afastar.

Segurei seu braço.

- Vael.

Ele parou.

A criatura que nos cercava também.

Era enorme.

Maior do que qualquer coisa que eu já tivesse visto.

Seu corpo parecia uma mistura grotesca de serpente e peixe, coberto por placas ósseas. Não possuía olhos. Apenas uma abertura vertical no rosto, que se abriu lentamente.

Dentes.

Centenas deles.

Meu estômago revirou.

- O que é isso?

Vael não respondeu.

- Vael.

- Fique atrás de mim.

- Você já disse isso.

- Então obedeça.

Eu quase revirei os olhos.

- Não me dê ordens.

Ele virou o rosto.

- Mara.

A maneira como disse meu nome fez meu corpo inteiro se arrepiar.

Não havia irritação em sua voz.

Havia algo mais.

Um aviso.

Olhei novamente para a criatura.

Ela se aproximou.

Vael rosnou.

O som foi tão profundo que senti a vibração dentro do peito.

A criatura recuou.

Eu arregalei os olhos.

- Você fez ela recuar.

- Sim.

- Por quê?

- Porque ela sabe quem eu sou.

- Quem você é?

Vael mostrou os dentes.

- O rei.

Meu coração bateu mais rápido.

O monstro sem rosto avançou novamente.

Dessa vez, Vael não esperou.

Ele desapareceu.

Não literalmente.

Seu corpo se moveu tão rápido que meus olhos não acompanharam.

Um instante estava diante de mim.

No outro, estava sobre a criatura.

As duas massas colidiram.

A água explodiu ao redor.

Eu fui empurrada para trás.

Girei.

Não sabia para onde estava indo.

Não sabia onde era cima.

Não sabia onde era baixo.

A única coisa que conseguia ver eram sombras.

Vael e a criatura lutando.

Garras.

Dentes.

Sangue.

Muito sangue.

O oceano ficou escuro.

Eu deveria ter fugido.

Mas não havia para onde ir.

Então ouvi um som.

Um grito.

Não de Vael.

Da criatura.

Olhei.

Vael havia cravado as garras no pescoço dela.

A criatura se contorceu.

Tentou escapar.

Ele não deixou.

Por um instante, os olhos de Vael encontraram os meus.

E eu entendi.

Ele não estava lutando para vencer.

Estava lutando para matar.

Meu estômago revirou.

- Vael!

Ele ignorou.

- Vael!

A criatura tentou atacá-lo novamente.

Ele arrancou uma parte de sua garganta.

O sangue se espalhou.

Eu gritei.

- Pare!

Vael congelou.

A criatura aproveitou.

Escapou.

Desapareceu na escuridão.

As outras foram atrás.

Em poucos segundos, estávamos sozinhos.

Vael permaneceu imóvel.

O sangue escorria por seu corpo.

Eu o encarava.

Ele olhou para mim.

- Você está ferida?

Balancei a cabeça.

- Não.

- Tem certeza?

- Sim.

Ele se aproximou.

Eu recuei.

Vael parou.

O silêncio entre nós foi estranho.

Eu olhei para as garras dele.

Ainda estavam cobertas de sangue.

- Você matou aquela coisa?

- Não.

- Você tentou.

- Sim.

- Por quê?

- Ela queria matar você.

- Então?

Vael parecia genuinamente confuso.

- Então eu tentei matá-la.

- Você não podia simplesmente mandá-la embora?

- Não.

- Por quê?

- Porque ela voltaria.

- E se voltasse?

- Eu a mataria.

A resposta foi simples.

Definitiva.

Eu engoli em seco.

- Você não hesita.

- Não.

- Você não sente culpa?

Vael me observou.

- Por matar um predador que tentava devorar você?

- Não foi isso que perguntei.

Ele permaneceu em silêncio.

- Vael.

- Eu sinto culpa pelos mortos.

Aquilo me surpreendeu.

- Sente?

- Sim.

- Mas você acabou de dizer que não hesitaria em matar aquela criatura.

- Não são coisas incompatíveis.

- Para mim são.

- Você é humana.

- E você não?

Vael ficou imóvel.

- Não.

- Eu sei que você não é humano.

- Não.

- Eu quis dizer...

Parei.

Ele me observava.

- Esqueça.

- Não.

- Vael.

- Você perguntou.

- Não quero mais saber.

- Por quê?

- Porque você transforma qualquer conversa em uma coisa estranha.

- Eu não entendo.

- Eu sei.

Ele continuou olhando para mim.

Então levantou uma das mãos.

Eu imediatamente recuei.

Vael parou.

- O que está fazendo?

- Você está sangrando.

Olhei para o próprio corpo.

Não havia sangue.

- Não estou.

- Eu.

Ele apontou para o próprio braço.

- Você está ferido?

- Não.

- Então...

- O sangue é da criatura.

- Ah.

Ele aproximou a mão do meu rosto.

Eu me afastei.

- Não.

Vael parou.

- Eu não vou machucar você.

- Eu sei.

- Então por que recuou?

- Porque você está coberto de sangue.

Ele olhou para si mesmo.

- Isso é um problema?

- É nojento.

Vael piscou.

- Nojento?

- Sim.

- Você prefere que eu esteja coberto de sangue humano?

Meu rosto perdeu a cor.

- O quê?

Ele inclinou a cabeça.

- Era uma pergunta.

- Você é horrível.

- Eu sei.

- Pare de dizer isso!

- Por quê?

- Porque...

Não consegui terminar.

Ele estava sorrindo.

Eu percebi.

Vael estava sorrindo.

Não como um humano.

Seus dentes continuavam assustadores.

Mas havia uma mudança em sua expressão.

Uma espécie de satisfação.

- Você está se divertindo.

- Sim.

- Comigo?

- Sim.

- Você é um idiota.

- Não sei o que isso significa.

- É melhor assim.

---

Continuamos a viagem.

Dessa vez, Vael nadou mais rápido.

Eu não reclamei.

Ainda estava pensando na luta.

Ele havia matado sem hesitar.

Talvez tivesse razão.

Talvez aquela criatura realmente tivesse me matado.

Mas havia algo que não conseguia esquecer.

Quando ele me viu com medo...

Ele parou.

Não porque eu pedi.

Não porque a criatura tinha fugido.

Ele parou porque eu disse seu nome.

Isso me incomodava.

Muito.

- Vael.

- Sim?

- O que aconteceu com as outras mulheres?

Ele continuou nadando.

- Já conversamos sobre isso.

- Não conversamos o suficiente.

- Não chegaram até mim.

- Mas foram enviadas.

- Sim.

- Então onde estão?

- Não sei.

- Isso não faz sentido.

- Muitas coisas não fazem sentido para você.

- Você poderia explicar.

- Poderia.

- Então explique.

Vael ficou em silêncio.

- Você faz isso de propósito?

- O quê?

- Fica em silêncio quando não quer responder.

- Sim.

- Isso é extremamente irritante.

- Eu sei.

- Vou jogar uma pedra em você.

- Você está no oceano.

- Então vou encontrar uma pedra.

- Boa sorte.

Eu cerrei os olhos.

Ele estava definitivamente se divertindo.

- Você acha que é engraçado?

- Às vezes.

- Você não parecia tão engraçado quando estava arrancando a garganta daquela criatura.

- Ela não era engraçada.

- Por que não?

- Porque queria comer você.

- Você está obcecado com essa história de me comer.

Vael parou.

Eu percebi tarde demais que havia falado alguma coisa errada.

Ele se virou.

- O que foi?

Seus olhos estavam fixos em mim.

- Você disse que eu estou obcecado.

- Sim.

- Com você.

- Não foi isso que...

- Foi.

- Não.

- Foi.

- Não foi!

- Você disse que estou obcecado com a ideia de alguém comer você.

- Isso não significa...

- Significa.

- Você é impossível.

Vael se aproximou.

Muito.

Meu corpo ficou tenso.

- Você tem medo de mim?

A pergunta era diferente dessa vez.

Mais séria.

Eu não respondi imediatamente.

Ele continuou:

- Eu perguntei antes.

- E eu respondi.

- Quero saber agora.

Olhei para ele.

A água se movia lentamente ao nosso redor.

- Sim.

Vael ficou imóvel.

- Por quê?

- Porque você é um monstro.

- Isso não explica.

- Porque você é muito maior do que eu.

- Isso também não explica.

- Porque você matou uma criatura diante de mim.

- Ela queria matar você.

- Ainda assim.

Ele ficou em silêncio.

- E porque você me levou contra a minha vontade.

A expressão dele mudou.

- Eu não sabia que você não queria vir.

- Eu disse.

- Depois que chegamos.

- Eu disse antes.

Vael pareceu confuso.

- Quando?

- Na vila.

- Você disse que eu era um monstro.

- E que não queria ir.

- Você disse muitas coisas.

- Eu estava tentando fugir!

- Sim.

- Então você deveria ter entendido.

Vael ficou imóvel.

Por um longo momento, não disse nada.

Então perguntou:

- O que significa ser escolhido?

Eu franzi a testa.

- O quê?

- Você disse que não queria ser escolhida.

- Sim.

- Mas eu não compreendo o que isso significa.

- Você não sabe?

- Não.

- Mas você disse que eu era a escolhida.

- Sim.

- Então como não sabe?

- Porque não fui eu quem escolheu você.

Fiquei em silêncio.

- Quem escolheu?

- Os humanos.

- Elias?

- Sim.

- Então por que me chama de escolhida?

Vael não respondeu.

Olhei para ele.

- Vael.

- Porque foi o que disseram.

- Quem?

- Os anciãos.

- Eles falaram com você?

- Há muitos anos.

- Quando?

- Quando o primeiro tributo foi enviado.

Meu coração acelerou.

- Você conheceu o primeiro?

- Sim.

- E depois?

- Conheci todos.

- Todas as mulheres?

- Sim.

- Você disse que nenhuma chegou ao seu reino.

- Nenhuma.

- Então como conheceu?

Vael parou.

Eu percebi que ele estava evitando a resposta.

- Você está mentindo.

- Não.

- Está.

- Não.

- Então explique.

- Não posso.

- Por quê?

- Porque não sei.

Aquilo me calou.

Vael desviou o olhar.

- Eu não sei onde elas foram parar.

- Você não tentou descobrir?

- Tentei.

- E?

- Não encontrei respostas.

- Por trezentos anos?

- Sim.

- Então por que continuou esperando?

Ele me encarou.

- Porque Elyra prometeu.

Meu coração apertou novamente.

- O que ela prometeu?

- Que voltaria.

- E você acreditou?

- Sim.

- Mesmo depois de trezentos anos?

- Sim.

- Você é um idiota.

- Talvez.

Dessa vez, não consegui evitar.

Ri.

Foi apenas um som curto.

Mas ri.

Vael ficou imóvel.

Eu parei.

- O quê?

Ele estava olhando para mim.

- Você riu.

- E daí?

- Você riu.

- Eu sei.

- Você não deveria estar rindo.

- Por quê?

- Você estava com medo de mim.

- Ainda estou.

- Mas riu.

- Uma coisa não impede a outra.

Vael pareceu pensar.

- Humanos são estranhos.

- Você já disse isso.

- Continuo achando.

- Problema seu.

- Sim.

Ele começou a nadar novamente.

E, dessa vez, eu não consegui impedir o sorriso.

---

O palácio surgiu diante de nós.

Eu não sabia que existiam palavras capazes de descrevê-lo.

A construção era gigantesca.

Erguia-se do fundo do oceano como uma cidade inteira.

Torres negras atravessavam a água.

Pontes ligavam estruturas enormes.

Janelas iluminadas brilhavam em azul.

Havia jardins.

Fontes.

Estátuas.

Tudo submerso.

Tudo impossível.

Eu fiquei olhando.

- É aqui?

- Sim.

- Você mora aqui?

- Sim.

- Sozinho?

- Sim.

- Por trezentos anos?

- Sim.

Meu peito apertou.

Não sabia por quê.

Talvez porque, pela primeira vez, eu tivesse conseguido imaginar.

Trezentos anos.

Sozinho.

Esperando alguém que nunca chegou.

Olhei para Vael.

Ele não parecia triste.

Mas talvez tivesse aprendido a esconder.

- Por que não foi até ela?

- A superfície não é meu lugar.

- Mas você foi até Vespera.

- Para buscá-la.

- E se ela estivesse lá?

- Eu a traria.

- Contra a vontade dela?

Vael me olhou.

- Não.

A resposta veio imediatamente.

- Então por que me trouxe?

- Porque achei que você fosse ela.

Meu coração parou.

- O quê?

- Quando vi você.

Ele olhou para mim.

- Eu pensei que fosse Elyra.

- Mas você sabia meu nome.

- Porque disseram seu nome.

- Então por que achou que eu era ela?

Vael não respondeu.

- Vael.

- Você se parece com ela.

- Eu nunca vi Elyra.

- Eu vi.

- E daí?

Ele se aproximou.

- Seus olhos.

Fiquei imóvel.

- O que tem meus olhos?

- São iguais aos dela.

- Minha mãe disse que eu tinha os olhos do meu pai.

- Sua mãe mentiu.

Eu senti uma pontada de raiva.

- Você não conhece minha mãe.

- Não.

- Então não diga que ela mentiu.

- Ela mentiu sobre Elyra.

- Talvez não soubesse.

Vael ficou em silêncio.

- Você disse que ela desapareceu.

- Sim.

- Talvez ela tenha voltado para a superfície.

- Não.

- Como sabe?

- Porque eu procurei.

- Onde?

- Em todos os lugares.

Aquela resposta me atingiu.

- Você procurou por ela?

- Sim.

- Por trezentos anos?

- Sim.

- E nunca desistiu?

Vael me encarou.

- Eu prometi esperar.

Não consegui responder.

Ele começou a nadar novamente.

Dessa vez, eu o segui.

---

Entramos no palácio.

A primeira coisa que senti foi frio.

Não o frio do oceano.

Um frio diferente.

O lugar parecia abandonado.

Havia corredores enormes.

Portas.

Salões.

Estátuas.

Mas nenhum som.

Nenhuma criatura.

Nenhum sinal de vida.

- Você realmente vive aqui sozinho?

- Sim.

- Isso é deprimente.

Vael olhou para mim.

- O que significa?

- Que é triste.

- Não é triste.

- É.

- Não.

- É.

- Não.

- Você é uma criatura de trezentos anos discutindo comigo sobre se sua casa é triste.

- Minha casa não é triste.

- É enorme e vazia.

- É silenciosa.

- É triste.

Vael parou.

- Você fala demais.

- E você fala de menos.

- Talvez.

- Pare de dizer talvez.

Ele continuou andando.

Entramos em um salão.

Havia uma mesa enorme.

Cadeiras.

Velas.

Tudo perfeitamente organizado.

Eu parei.

- Você esperava alguém?

Vael não respondeu.

Olhei para a mesa.

Havia apenas dois lugares.

Um diante do outro.

Meu estômago se apertou.

- Vael.

Ele não olhou para mim.

- Por que existem duas cadeiras?

- Porque sempre existiram.

- Isso não responde.

- Uma era dela.

Eu olhei para a cadeira.

- Elyra?

- Sim.

- Você nunca tirou?

- Não.

Meu peito apertou.

Aquilo era absurdo.

Três séculos.

E ele ainda mantinha uma cadeira esperando.

- Você realmente acreditava que ela voltaria.

- Sim.

- Até agora?

Vael me encarou.

- Até você.

Eu não consegui respirar.

Ele se aproximou.

Devagar.

Dessa vez, eu não recuei.

- Eu não sou ela.

- Eu sei.

- Então pare de olhar para mim como se eu fosse.

- Eu não olho.

- Olha.

- Não.

- Vael.

Ele ficou em silêncio.

- Eu não sou Elyra.

- Eu sei.

- Não sou sua noiva.

- Eu sei.

- Não fiz nenhuma promessa a você.

- Eu sei.

- Então pare de agir como se eu tivesse feito.

Vael permaneceu imóvel.

- Eu não sei o que você é.

A honestidade daquela frase me atingiu.

- E você?

Ele inclinou a cabeça.

- O que tem eu?

- O que você é para mim?

Vael pareceu pensar.

Por um longo tempo.

Então respondeu:

- Não sei.

Pela primeira vez, uma resposta dele me deu esperança.

Talvez aquilo significasse que eu ainda poderia ir embora.

Talvez ele realmente não soubesse.

Talvez eu ainda tivesse escolha.

Então ele se aproximou.

Colocou a mão sobre a mesa.

As garras tocaram a madeira.

- Mas sei o que você é para o Abismo.

Eu franzi a testa.

- O quê?

Vael olhou para mim.

- Perigo.

O chão tremeu.

Eu perdi o equilíbrio.

Vael me segurou.

- O que foi isso?

Ele não respondeu.

Outro tremor.

Mais forte.

Algo bateu contra o palácio.

Uma vez.

Duas.

Três.

Vael virou a cabeça.

Sua expressão mudou.

- O que está acontecendo?

Ele me soltou.

- Fique aqui.

- Nem pense nisso.

- Mara.

- Eu não vou ficar sozinha.

- Você está em perigo.

- Então me leve com você.

- Não.

- Por quê?

Vael se aproximou.

- Porque não sei o que está lá fora.

- Você acabou de dizer que é o rei.

- E daí?

- O rei deveria saber.

Ele me encarou.

- Você é irritante.

- Você já disse.

O chão tremeu novamente.

Dessa vez, uma rachadura surgiu na parede.

Vael imediatamente ficou diante de mim.

- Não se mova.

- Vael...

Ele rosnou.

Não para mim.

Para alguma coisa do lado de fora.

Então ouvi.

Uma voz.

Distante.

Vinda da água.

Uma voz humana.

- Mara.

Meu sangue gelou.

Era minha mãe.

- Mãe?

Vael virou-se para mim.

- Não.

- É ela.

- Não é.

- Como sabe?

A voz veio novamente.

- Mara!

Eu dei um passo.

Vael segurou meu braço.

- Não.

- É minha mãe!

- Não é.

- Solte-me!

A voz gritou novamente.

Dessa vez, porém, havia algo errado.

Minha mãe nunca pronunciava meu nome daquele jeito.

A voz parecia...

Vazia.

Como se alguém tivesse aprendido a imitá-la.

Olhei para Vael.

- O que é isso?

Ele me puxou para perto.

- Uma criatura que aprendeu seu nome.

- Por quê?

Os olhos dele ficaram luminosos.

- Porque agora ela sabe que você está aqui.

A voz veio novamente.

Mais perto.

- Mara.

Vael mostrou os dentes.

- E ela não deveria saber.

Eu senti o braço dele apertar minha cintura.

- O que ela quer?

Ele olhou para mim.

- Você.

- Por quê?

Vael ficou em silêncio.

Então disse:

- Porque você não é apenas a descendente de Elyra.

Meu coração parou.

- Então o que eu sou?

As portas do salão explodiram.

Vael me puxou contra o peito.

Uma criatura entrou.

Mas não era como as outras.

Ela tinha forma humana.

Pele pálida.

Cabelos longos.

Olhos negros.

E o rosto...

O rosto era o da minha mãe.

Eu gritei.

Vael me colocou atrás dele.

A criatura sorriu.

E falou com a voz dela.

- Finalmente encontrei você.

Vael rosnou.

A criatura olhou para ele.

- Rei Vael.

- Saia.

- Não.

- Você não pertence a este reino.

- Nem ela.

A criatura apontou para mim.

Vael se moveu.

- Não olhe para ela.

A coisa riu.

- Você ainda não contou?

- Cale-se.

- Ela não sabe.

- Cale-se!

- Não sabe o que existe em seu sangue.

Eu olhei para Vael.

- O que ela está falando?

Ele não respondeu.

- Vael.

A criatura sorriu.

- Pergunte ao seu monstro.

Meu coração bateu violentamente.

- O que existe no meu sangue?

Vael ficou imóvel.

A criatura recuou.

- Pergunte.

- Vael!

Ele fechou os olhos.

Quando os abriu, havia algo terrível neles.

- Você não é apenas humana.

O mundo pareceu parar.

- O quê?

- Mara...

- Você disse que eu era humana.

- Eu disse que você era descendente de Elyra.

- Isso não responde!

A criatura começou a rir.

Vael avançou.

- O sangue dela pertence ao Abismo.

E, naquele momento, eu compreendi que minha fuga de Vespera não havia me salvado.

Eu havia apenas trocado uma prisão por outra.

Porque, se Vael estivesse dizendo a verdade...

Talvez eu nunca tivesse sido humana de verdade.

Isso é tudo que está disponível no momento.

Continue lendo para acompanhar a história.

Continuar lendo

Lista de capítulos

107 capítulos no total

  1. Capítulo 1Capítulo 1 O tributo
  2. Capítulo 2Capítulo 2 O reino submerso
  3. Capítulo 3Capítulo 3 Rei das profundezas

Lançamentos