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Capítulo 2 A noite de núpcias

"Você aceita esta mulher —"

"Já fiz isso seis vezes. Pule para o final", Nero interrompeu.

Com o rosto pálido, o padre disse: "Mas, Alfa, os votos sagrados exigem..."

"Cinco minutos atrás, ela matou minha última noiva. Acho que podemos pular essa parte sagrada."

Eu estava ali, usando o vestido de uma mulher morta, com folhas ainda presas no meu cabelo, me perguntando se tudo isso era real ou se tinha batido a cabeça com mais força do que imaginava quando caí.

O padre limpou a garganta nervosamente. "Você, Alfa Nero Blackwater, aceita esta mulher como sua noiva?"

"Claro."

"E você...", ele perguntou, estreitando os olhos para mim. "Desculpe, qual é o seu nome?"

"Remi", sussurrei. "Remi Olandria Cross."

"Você, Remi Olandria Cross, aceita o Alfa Nero Blackwater como seu marido também?"

Abri a boca, mas nada saiu.

Apertando minha mão, Nero disse: "Ela aceita."

"Na verdade, preciso responder..."

"Ela aceita", ele repetiu, em voz mais alta, enquanto olhava nos meus olhos.

O padre se apressou em continuar com o restante da cerimônia, falando algo sobre a Deusa da Lua, laços eternos e a lei da matilha, mas eu não estava prestando atenção. Só conseguia olhar para o lençol branco que cobria o corpo da noiva a seis metros de distância.

Eles a levaram para o canto, como se ela fosse um móvel.

Vi a mão dela antes de eles a cobrirem. Havia algo verde sob as unhas. Seria... resíduo de planta? Ou outra coisa?

"Agora você pode beijar a noiva."

Ergui a cabeça. "Espere, não precisamos..."

Nero se inclinou para perto, e pude sentir seu cheiro.

"Seus pais, seus irmãos, e aquelas duas amigas que fugiram... sei onde todos eles moram", ele sussurrou.

Meu sangue gelou.

"Então você vai me beijar, e de forma convincente. Entendeu?"

Eu o encarei.

"Entendeu?", ele repetiu.

Por fim, assenti.

Após minha confirmação, ergueu a mão e segurou meu queixo antes de me beijar.

Eu já havia beijado Marcus várias vezes. Beijos doces e suaves, que traziam uma sensação de acolhimento e segurança.

No entanto, esse beijo não era nada disso.

Um beijo intenso e possessivo, que fez minha loba despertar e ficar atenta.

Quando sua boca se moveu contra a minha, meu cérebro pareceu se desligar. Esqueci onde estava, a multidão observando, tudo, exceto a forma como seu polegar acariciava meu maxilar e como meu corpo inteiro se inclinava para ele involuntariamente.

Por fim, minha loba ronronou. "Mais!"

"Cale a boca, estamos sendo ameaçadas", a repreendi.

"Mas ele tem um gosto tão bom..."

E realmente tinha. Droga!

Nero se afastou, com um sorriso estampado no rosto.

"Tem certeza de que é a namorada do meu sobrinho?", perguntou em voz baixa.

Meu rosto se tornou vermelho. "Vá se foder."

"Bom, já começamos muito bem."

Os tambores começaram a tocar, e a multidão se moveu, formando filas de cada lado de nós.

A sacerdotisa deu um passo à frente, segurando uma tigela cerimonial. Ela usava vestes brancas e seu rosto estava pintado com símbolos.

"A consumação será realizada agora.

A matilha permanecerá aqui até a confirmação do herdeiro do Alfa."

O quê?

"Desculpe, mas você acabou de dizer...", comecei, minha voz embargada pelo nervosismo.

Meu Deus!

Eles estavam esperando que a gente...

"Não! Não, não, não...", neguei.

"NERO!"

A voz de uma mulher mais velha ecoou em meio à multidão. Seus olhos eram prateados, assim como os de Nero.

"Mãe", ele disse num tom seco.

"Pare com isso agora mesmo!"

"Não é o momento para..."

"Ela não é uma de nós." A mulher me olhou com puro desdém. "Ela nem é da Matilha Moonstone, é lixo da Riverside. Ela não vai sobreviver à noite..."

"Você escolheu as últimas seis noivas, e todas morreram em poucos dias. Então me perdoe se não confio mais no seu julgamento", Nero interrompeu, sua voz caindo para um tom ameaçador.

O rosto da sua mãe se contraiu. "Seu pai se reviraria no túmulo se soubesse..."

"Meu pai está morto, e você não vai mais escolher minhas noivas." Puxando-me para mais perto, ele declarou: "Esta é minha."

A mulher o encarou por um longo momento, então seus olhos se desviaram para mim.

"Anote minhas palavras: ela não sobreviverá até amanhã de manhã."

Após dizer isso, se virou e foi embora.

Olhando para Nero, comentei: "Sua família é ótima. Super acolhedora."

Nero começou a andar.

Eu o segui cambaleando, ainda descalça, o vestido de noiva arrastando no chão.

A matilha se afastou para nós, formando uma fila de procissão.

Chegamos a um conjunto de portas maciças com guardas de cada lado.

Eram os aposentos do Alfa.

Meu estômago se revirou.

"Espere..." Tentei parar, mas Nero continuou andando, me puxando com ele.

A matilha entrou atrás de nós, se enfileirando no corredor. Mais tambores e testemunhas.

Isso era como um filme de terror, ou um daqueles romances sombrios em que a protagonista morria no terceiro capítulo.

Por fim, chegamos a outra porta, e Nero a abriu.

Era um quarto enorme com uma cama de dossel, paredes escuras e velas por toda parte.

Ele me puxou para dentro.

Estávamos sozinhos, mas eu podia ouvir a matilha esperando do lado de fora, aguardando a prova de que iríamos...

"Tudo bem, então não precisamos fazer aquilo, certo?", eu disse, minha voz num tom agudo. "Você pode simplesmente voltar lá e dizer que já está feito e eles vão embora..."

Nero se virou para mim.

"Não."

"Não?"

"A prova deve ser apresentada à sacerdotisa."

"Prova? Que tipo de prova?", perguntei, minha voz falhando.

"Meu sêmen. A prova da consumação."

O quarto pareceu girar.

"Sou virgem", confessei.

"Sei."

"Como você..." Refleti por um momento. "Quer saber? Não quero nem saber. Isso é uma loucura. Você não pode esperar que eu..."

Ele deu um passo à frente. "Minha linhagem luta contra a maldição. Se eu gerar um herdeiro com você esta noite, você terá uma chance de lutar."

"Mas as outras seis não sobreviveram."

"Minhas noivas não costumam ter sorte." Dando mais um passo, ele continuou: "Vamos fazer amor esta noite."

"SIM! Finalmente! Sim, sim, sim!", minha loba exclamou dentro de mim.

"Por acaso você se esqueceu de que seis mulheres MORRERAM?", perguntei a ela.

"Mas ele é tão..."

"Nem termine essa frase."

Nero me encarava enquanto começava a desabotoar a camisa. "Tire a roupa."

"Como é?"

"Estamos ficando sem tempo. Quanto mais esperarmos, mais forte a maldição fica."

"Mas... não posso simplesmente..."

E assim, ele tirou a camisa.

Oh. Oh, não!

Ele era musculoso como se passasse todos os dias lutando contra ursos. Seus ombros eram largos, o peitoral definido, e seu abdômen era impecável.

"Viu?", disse minha loba com um sorriso presunçoso. "Mesmo que morra, vale totalmente a pena."

"Pare de me olhar", Nero ordenou.

"Não estou olhando."

"Está sim."

"Foi você quem tirou a camisa na minha frente. A culpa é sua."

Ele esboçou um sorriso de canto, depois se virou, me dando privacidade.

Olhei para suas costas, observando a forma como seus músculos se moviam sob a pele e as cicatrizes que cruzavam seus ombros.

Ele já havia participado de lutas, e das sérias.

Levei meus dedos até os laços do meu vestido, mas hesitei.

"Consigo ouvir seu coração batendo. Você está apavorada", ele disse, sem se virar.

"Seis esposas mortas. É só fazer as contas."

"Ponto justo."

Por fim, desamarrei o vestido, o deixei cair aos meus pés e fiquei apenas de lingerie, tremendo.

Havia planejado fazer uma surpresa para meu namorado, mas agora estava seminua no quarto de um estranho, prestes a fazer sexo para talvez, quem sabe, mas provavelmente não, sobreviver a uma maldição.

Nero desabotoou o cinto.

Eu deveria ter desviado o olhar para o outro lado, mas não o fiz.

Ele abaixou as calças e as tirou. Agora, estava apenas de cueca, e eu podia ver tudo: os músculos das suas coxas e seu traseiro incrivelmente perfeito.

"Que imaginação fértil para alguém prestes a morrer. E seu namorado não te traiu?", minha loba provocou.

"Ele é atraente. Um fato inegável", murmurei.

Nero subiu na cama e puxou o lençol sobre si, então se virou para me olhar.

Seus olhos se arregalaram.

Pela primeira vez desde que o conheci, vi seu controle se romper.

Suas pupilas se dilataram e sua respiração ficou ofegante. Observei seu corpo reagir sob os lençóis, sua excitação se tornando cada vez mais evidente.

Ele era tão lindo!

Oh, meu Deus!

Ele estava duro, muito duro, e havia... muito mais dele do que eu imaginava.

"Caralho", ele murmurou.

Congelei.

Ele me encarava como se eu fosse a única coisa no mundo, como se tivesse esquecido como pensar.

"Você é..." Ele balançou a cabeça, como se estivesse tentando clarear a mente. "Porra."

"Isso não é uma frase completa", observei.

De repente, ele se moveu rapidamente, se ajoelhando na cama à minha frente e erguendo a mão para segurar meu rosto.

"Você é linda para caralho, Olhos Atrevidos."

Perdi o fôlego enquanto ele se inclinava, seu polegar traçando meu lábio inferior.

"Vou..."

Sua mão deslizou pela minha barriga, depois mais para baixo.

Eu estava sem ar, incrédula que isso estava acontecendo.

Mas então, ele parou, sua mão se afastou e todo o seu corpo ficou tenso como se ele tivesse se lembrado de algo.

"Vista-se", ordenou.

"O quê?"

Ele pegou minhas roupas e as jogou em cima de mim.

"Vista-se agora."

"Mas pensei que você disse que tínhamos que..."

"Mudei de ideia." Ele saiu da cama, enrolando uma toalha em volta de si.

"Mas e a prova? E a matilha lá fora..."

"Sou o Alfa. Eles me obedecem, não o contrário", ele disse, sua voz fria e distante novamente.

"Mas isso me daria uma chance de lutar contra a maldição..."

Ele se virou para mim, os olhos brilhando em prata.

"Talvez eu não queira que você lute contra a maldição. Talvez queira que você morra."

Suas palavras me fizeram encolher.

Após me encarar fixamente por mais um segundo, pegou a calça, a vestiu e foi até a porta.

"Espere..."

A porta se fechou atrás dele, e ouvi o barulho da tranca do lado de fora.

Ele me trancou aqui!

Apertei meu vestido, seminua, olhando para a porta.

Lá fora, a música ainda tocava, e a matilha continuava esperando, mas ele me deixou aqui, sozinha.

Com as mãos trêmulas, vesti o vestido novamente.

"Não vou morrer aqui. Não sou como aquelas heroínas estúpidas de romances que morrem por algum alfa amaldiçoado. Que se foda!"

Precisava sair e voltar para meus pais, para Jade e Zaya, para as pessoas que realmente se importavam comigo.

Pensando nisso, comecei a procurar uma saída no quarto, uma janela para escapar, uma chave... qualquer coisa!

Mas não encontrei nada!

Quando estava prestes a tentar arrombar a porta, avistei algo embaixo da cama.

Um livro.

Não, um caderno de esboços.

Peguei o caderno, encontrando páginas e páginas de desenhos.

Eram criaturas, lobos em meio à transformação, mas de uma forma distorcida. Seus ossos se quebravam de maneiras que não deveriam ser possíveis. Havia anotações escritas com uma caligrafia apressada e símbolos que eu não reconhecia, talvez runas.

Ele estava estudando a maldição?

Continuei folheando, encontrando mais esboços e anotações.

Até que, de repente, parei.

A página estava amassada, como se alguém tivesse tentado jogá-la fora, mas depois mudou de ideia.

Quando a alisei, vi que era o desenho do rosto de uma mulher.

Lindo, detalhado e desenhado com esmero.

Era o meu rosto.

Meu coração parou.

Folheei o livro em busca de uma data.

Ali, no canto da página, estava escrito a data.

Três meses atrás...

Três meses antes de eu invadir esse casamento, três meses antes de eu ouvir o nome de Nero Blackwater.

Minhas mãos começaram a tremer.

Lá fora, a música finalmente parou, e a matilha estava indo embora, desistindo da consumação.

Encarando meu rosto no desenho, murmurei: "Isso não foi um acidente..."

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Lista de capítulos

162 capítulos no total

  1. Capítulo 1Capítulo 1 Uma perseguidora desequilibrada
  2. Capítulo 2Capítulo 2 A noite de núpcias
  3. Capítulo 3Capítulo 3 Calcinha de renda preta

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