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Capítulo 3 Calcinha de renda preta

Ponto de vista de Alfa NERO

"Merda." Fechei a porta do escritório do meu pai com tanta força que o vidro da janela tremeu.

Estava tentando ignorar o fato de que ainda estava excitado, pensando nela, na maneira como ela estava ali, só com pedaços de renda, todas as suas curvas e aqueles olhos de merda que faziam meu lobo querer...

"Noite difícil?"

Virei-me ao ouvir a voz.

Meu irmão Kade estava encostado no batente da porta, com os braços cruzados e um ar bem divertido para alguém que acabara de ver outro casamento se transformar num fiasco.

"Saia daqui."

"Não é assim que se fala com o segundo em comando." Ele se afastou do batente e entrou na sala. "Principalmente quando estou aqui para ajudar."

"Não preciso de ajuda."

"Você acabou de deixar uma mulher linda nua na sua cama." Ele se sentou na cadeira em frente à minha mesa e continuou: "Confie em mim, irmão, você precisa de toda a ajuda que puder."

Olhei para ele.

Kade era dois anos mais novo que eu, mais descontraído em todos os sentidos — cabelo mais claro, olhos mais claros e uma atitude mais descontraída com a vida. Enquanto eu carregava o peso da matilha, ele usava roupas de grife e carregava um iPad cheio de aplicativos de design de interiores.

"Ela estava disposta, estava nua e você estava claramente interessado", ele continuou, enquanto olhava para as unhas. "Mas mesmo assim, você está aqui, andando de um lado para o outro no escritório do pai como um animal enjaulado, enquanto ela está trancada no seu quarto. O que aconteceu?"

"Não é da sua conta."

"Na verdade, é da minha conta. Sou seu Segundo, seu irmão e quem terá que lidar com a sacerdotisa enfurecida e com a matilha confusa amanhã de manhã quando descobrirem que você não completou o ritual de consumação... de novo."

Desviei o olhar para a janela, observando a floresta escura ao longe. "Tive meus motivos."

"Quais?"

"Kade..."

"Qual é, isso não é típico de você. Geralmente, você aproveita todas as oportunidades para dormir com suas noivas, principalmente uma tão gostosa como ela. Por que parou?"

Apoiei as mãos na mesa, na tentativa de encontrar palavras para algo que eu mesmo não entendia.

"Se lembra da mulher dos meus sonhos?"

Houve um momento de silêncio, então ele perguntou: "Aquela que você desenhou há meses? O rosto que você sempre vê?"

"Sim."

"O que tem ela?"

Virei-me para encará-lo. "É ela."

Kade piscou, confuso. "É... quem?"

"Remi. A garota lá embaixo. Ela é a mulher dos meus sonhos."

As sobrancelhas de Kade se arquearam. "Você só pode estar brincando."

"Não a reconheci de imediato. Os olhos dela são diferentes... mais calorosos nos sonhos, mais gentis. E o cabelo..." Passei a mão pelo meu cabelo, frustrado. "Mas quando ela tirou o vestido, vi a cicatriz nela, no mesmo lugar que nos meus sonhos."

Kade se inclinou para frente. "Nero..."

"Ela é a mulher que vejo toda vez que fecho os olhos. E esta noite ela simplesmente... apareceu. Acabou com um casamento, matou minha noiva e foi parar na minha cama." Soltei uma risada amarga. "Me diga se isso não é suspeito."

"Então você acha o quê? Que ela é uma espiã? Que alguém a enviou?" Kade ficou em silêncio por um momento, então pegou seu celular. "Fiz algumas pesquisas depois da cerimônia."

"E?"

"Ela não é ninguém, Nero. Tipo, ninguém de verdade. Trabalha como bartender num bar qualquer no território de Riverside. Vem de uma família grande. O pai bebe demais. A mãe faz... digamos que faz 'negócios obscuros' e vamos deixar por isso mesmo."

"Uma bartender", repeti, incrédulo.

"De Riverside, a matilha mais pobre da região." Ele ergueu os olhos para mim. "Então a questão é: o que diabos nosso sobrinho estava fazendo com ela?"

Essa era uma boa pergunta.

"Ou", Kade disse lentamente. "A Deusa da Lua tem um senso de humor peculiar."

Lancei um olhar para ele, pensando que ele tinha razão.

Ficamos em silêncio por um momento.

Por fim, Kade disse: "Você deveria ter dormido com ela. A consumação daria a ela uma chance de lutar contra a maldição. Você sabe."

"Não me faça lembrar do meu erro."

"Ah, então foi um erro? Então você quer dormir com ela?", Kade perguntou, arqueando as sobrancelhas.

"Você não tem ideia do quanto estou arrependido de não ter terminado o que havia começado."

"Nero..."

Após pensar por um momento, ordenei: "Prepare uma cesta de oferendas para os pais da noiva falecida. O de sempre: ouro, carta de desculpas, dinheiro de sangue."

"E para a família de Remi?"

"Dê a mesma coisa a eles. Eles precisarão para o funeral dela."

Kade congelou. "Você realmente acha que ela vai morrer esta noite?"

Num tom apático, eu disse: "Todas elas morrem. É melhor cavar os dois túmulos agora, no mesmo local das outras. Assim, economizamos tempo."

"Algo sombrio, mesmo para você."

Kade me observou por um momento, enquanto o relógio batia, indicando que já era quase meia-noite.

"Merda... Nero, precisamos...", ele começou a dizer, mas o interrompi.

"Eu sei, e já estava indo em direção à porta."

"Para o seu quarto. Agora."

Chegamos ao meu quarto, não o que eu havia deixado Remi, mas o meu quarto de verdade, com paredes reforçadas e correntes embutidas na estrutura da cama.

Kade trancou a porta atrás de nós.

"Deite-se", ele disse e, rapidamente, prendeu as correntes nos meus pulsos.

Eram de ferro pesado, abençoadas pela sacerdotisa, a única coisa forte o bastante para conter um Alfa.

Após terminar de prender meus pulsos, ele passou para os tornozelos. As correntes eram longas o bastante para que eu pudesse me mover, mas não para me libertar, muito menos para machucar a mim ou a qualquer outra pessoa.

"Não deixe ela sair", pedi.

Kade ergueu a cabeça. "Remi?"

"E Kade?"

"Sim?"

"Verifique se as correntes estejam bem presas. Não quero... acidentes."

Para se certificar, ele testou cada cadeado novamente, puxando-os com força para garantir que aguentariam.

"Estão bem presas?"

Para testar, puxei com força, e as correntes aguentaram. "Sim."

Kade apertou meu ombro. "Tente dormir um pouco. Ou, sei lá, o que for considerado sono quando se está acorrentado a uma cama."

Após dizer isso, ele saiu, me deixando sozinho.

Fechei os olhos e pensei em Remi, na maneira como ela me olhou antes de eu ter dito que a queria morta.

Eu havia mentido.

Ponto de vista de REMI Nessa noite...

Ainda estava olhando para o desenho quando ouvi passos do lado de fora da porta.

Peguei a primeira coisa que encontrei, um castiçal pesado, e me encostei na parede ao lado da porta.

Se alguém estivesse vindo me matar, eu iria lutar até o fim.

A fechadura estalou e a porta se abriu, revelando um homem.

Não era Nero. Esse era mais magro, bonito e se movia com a graciosidade de um dançarino.

"Olá, cunhadinha", ele disse alegremente.

Ergui o castiçal e avisei: "Dê mais um passo e vou esmagar seu crânio."

Ele olhou para o castiçal, depois para mim, e abriu um sorriso.

"Ah, estou gostando de você. Nero vai se divertir muito com você."

"Quem diabos é você?"

"Kade, irmão de Nero." Ele ergueu uma sacola de compras. "Trouxe presentes."

"Não quero presentes. Quero respostas."

"Não posso te ajudar com isso, mas posso te ajudar a sair dessa situação trágica com esse vestido que está usando", disse ele, jogando a sacola para mim. "Você não pode dormir com o vestido de noiva de uma mulher morta. É deprimente."

Peguei a sacola por reflexo. "Nero te mandou?"

"Nero está... ocupado. Estou aqui por conta própria", ele respondeu, uma expressão estranha passando pelo seu rosto.

Abri a sacola lentamente e tirei o que havia dentro.

Uma calcinha de renda preta, um sutiã que combinava, e nada mais.

"Está de brincadeira comigo?" Segurei a calcinha, que era praticamente um fio. "Onde está o resto?"

Kade sorriu. "Esse é o resto."

"Isso é lingerie."

"É roupa. E uma roupa muito cara, por sinal. De nada."

Irritada, joguei a calcinha no rosto dele, que a pegou rindo.

"Não vou usar isso", afirmei.

"A escolha é sua, mas a alternativa é dormir naquele vestido." Ele apontou para o vestido de noiva manchado de sangue. "E acredite, aquele vestido não está te fazendo nenhum favor."

Olhei para ele, depois para o vestido. Ele tinha razão...

"Alguém já te disse que você é irritante?"

Ele riu. "Gosto de você. Você tem atitude."

"Tenho perguntas. Vai responder ou não?"

"Não", disse ele, se afastando do batente. "Mas vou te dizer uma coisa: meu irmão não é o monstro que todos pensam."

"Seis esposas mortas sugerem o contrário."

"Seis esposas amaldiçoadas", corrigiu ele. "Há uma diferença. Você ainda está viva, não é mesmo? É melhor você dormir um pouco. Amanhã será um dia importante, supondo que você sobreviva à noite."

Enquanto falava, ele recuou em direção à porta.

"Espere..."

"Boa noite, cunhadinha. Tente não acabar morrendo antes do café da manhã."

Então, fechou a porta.

Fiquei horas sem conseguir dormir. Deitada na cama, pensava em como havia me metido nessa confusão.

Do nada, um barulho veio de fora da porta, e depois outro.

Correntes chacoalhando...

O barulho vinha do corredor, na direção de Nero.

Qualquer que fosse o monstro que morava naquele quarto... agora eu estava casada com ele.

Isso é tudo que está disponível no momento.

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Lista de capítulos

162 capítulos no total

  1. Capítulo 1Capítulo 1 Uma perseguidora desequilibrada
  2. Capítulo 2Capítulo 2 A noite de núpcias
  3. Capítulo 3Capítulo 3 Calcinha de renda preta

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