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Capítulo 2

O vento frio atingiu Ayla, fazendo com que ela se abraçasse na tentativa de se esquentar. Enquanto isso, a exigência de Phillip era como uma marreta batendo na sua cabeça, já que morar juntos imediatamente nunca fez parte do seu plano.

Então, Drake avançou, colocando as mãos nos bolsos da jaqueta.

Com a voz rouca, Drake mentiu: "Não posso te deixar ficar comigo, pois meu quarto alugado é do tamanho de um armário e não vamos caber lá."

Phillip soltou uma risada sarcástica e acenou para seu motorista, que saiu do banco da frente e lhe deu uma chave de latão num chaveiro barato. Quando Drake a pegou, o metal frio queimou sua palma, e ele sabia exatamente o que aquela chave significava. O velho desgraçado estava o prendendo numa prisão para ficar de olho no casamento.

Phillip disse friamente: "Comprei um apartamento velho no Brooklyn há anos. Vocês dois podem ficar lá. Considere como um presente de casamento."

Ao olhar para a chave na mão de Drake, seu estômago se revirou. A necessidade desesperada de independência a consumia por dentro.

"Não. Não podemos morar lá de graça. Vamos pagar aluguel", disse Ayla com firmeza.

Ao ouvi-la, um brilho de respeito genuíno passou pelo seu rosto enrugado ao olhar para ela.

"Tudo bem. Quinhentos dólares por mês. Só para constar", ele concordou calmamente.

Enquanto isso, Drake observava o rosto de Ayla, que já estava fazendo as contas na sua cabeça, com os lábios se movendo num murmúrio. Nesse momento, seu peito se encheu de desconfiança. Ela era esperta e estava pensando no futuro, se fingindo de honesta para garantir um pagamento maior depois.

Phillip se virou e caminhou em direção ao sedã parado. Antes de entrar, ele lançou a Drake um olhar mortal e de advertência, como se estivesse dizendo: "Não estrague isso." Após a porta do carro bater, o sedã seguiu seu caminho, desaparecendo no meio do trânsito.

De repente, o silêncio tomou conta do lugar, fazendo com que o constrangimento entre Ayla e Drake fosse tão denso que poderia ser cortado com uma faca.

"Vamos àquele lugar. Precisamos conversar", Drake propôs, apontando para um restaurante do outro lado da rua.

Eles se sentaram num banco de vinil grudento. Enquanto isso, o cheiro de café queimado e gordura velha invadia o local. Enfiando a mão no bolso interno da jaqueta, ele tirou uma pilha grossa e perfeitamente dobrada de papéis, os colocando sobre a mesa grudenta.

Ayla olhou para baixo, vendo que era um documento de seis páginas.

Quando ela abriu a primeira página, seus olhos se arregalaram. O cabeçalho dizia "Adendo ao Acordo Pré-Nupcial". As páginas estavam repletas de termos jurídicos complexos e agressivos. Era uma ampliação drástica do contrato original, acrescentando novas restrições e limites financeiros mais rígidos. "Com certeza nenhum motorista de Uber poderia ter escrito isso", ela pensou.

"O que é isso?", ela perguntou, num tom tenso.

Sem nem piscar, Drake respondeu: "É um adendo. Baixei um modelo na internet por cinquenta dólares. Não posso pagar um advogado, mas preciso me proteger. O primeiro acordo era muito vago, então isso deixará as coisas bem claras. Não quero que você tente ficar com meu carro ou de qualquer ganho futuro se nos separarmos."

Enquanto Ayla lia as novas cláusulas, seu coração disparou ao ver que os termos eram humilhantes. Ela não tinha o direito de perguntar sobre a agenda dele, nem de ter qualquer bem que ele pudesse adquirir. Se eles se divorciassem, ela sairia sem absolutamente nada além do que já tinha.

Drake pegou sua caneca de café ruim e tomou um gole, o líquido amargo queimou sua língua assim que ele o bebeu. Ele observava o rosto dela, esperando pela explosão. Imaginando que ela gritasse, jogasse os papéis na sua cara e exigisse dinheiro.

No entanto, Ayla franziu a testa um pouco e fechou o documento.

Em seguida, ela enfiou a mão na bolsa, pegou uma caneta e foi para a última página, assinando seu nome rapidamente.

Vendo isso, as pupilas de Drake se dilataram e ele prendeu a respiração.

"O que está fazendo?! Por que nem discutiu? Não tem medo de que eu esteja te enganando?", ele perguntou, sua voz um pouco trêmula.

Ayla ergueu a cabeça, o encarando com seus olhos penetrantes e claros.

"Tenho duas caixas de roupas velhas e alguns materiais de arte. Não tenho nada que você possa roubar. Este acordo me protege tanto quanto te protege. Ele estabelece limites para nós."

A honestidade na voz dela atingiu Drake em cheio. Sua boca se abriu, mas o insulto sarcástico que ele havia preparado morreu antes mesmo de ser dito, o fazendo sentir uma súbita e irritante sensação de derrota.

Ayla dobrou sua cópia do adendo e a colocou na bolsa, dando a ele um sorriso educado.

"Já que as regras estão definidas, preciso voltar para Queens para arrumar minhas coisas", disse ela, se levantando do assento.

Uma onda de irritação o atingiu, se levantando rapidamente. "Vou te levar."

"Não", disse Ayla, balançando a cabeça. Ela fez uma pausa, seu olhar se desviando para a tela do celular por uma fração de segundo. A mensagem ameaçadora de Brenda sobre Vinnie ainda estava na sua mente, lhe causando uma sensação de angústia. Ela já havia enviado uma mensagem para sua amiga Marisol há uma hora, pedindo que ela fosse até o apartamento para testemunhar e gravar tudo no seu celular. Marisol havia respondido com um joinha e as palavras "Já estou lá". Ayla soltou um suspiro lento, pensando que agora tinha um apoio e não estaria sozinha. "Seu carro gasta muita gasolina. O metrô é mais barato. Economize seu dinheiro."

Ao ouvi-la, Drake congelou, com as palavras dela o sufocando. Ele, um bilionário que gastava milhares numa única garrafa de vinho, acabara de ser rejeitado porque era pobre demais para pagar a gasolina. O absurdo da situação fez seu sangue ferver.

Ayla se virou e saiu da lanchonete, com as costas eretas e passos firmes. Drake ficou parado ao lado da mesa, seus olhos fixos na sua silhueta se afastando até desaparecer nas escadas do metrô.

No momento em que ela saiu de vista, Drake tirou um celular moderno e criptografado do bolso, ligando para seu assistente executivo, Alex.

"Senhor?", Alex atendeu prontamente.

"Faça uma investigação completa de antecedentes de Ayla Carter. Quero todos os detalhes da vida dela na minha mesa o mais rápido possível. E Alex, providencie uma equipe de segurança para ela, de forma discreta. Quero que fiquem de olho no apartamento dela em Queens em uma hora. Se alguém tentar fazer algo de errado perto dela, quero saber", ordenou Drake, sua voz não era mais o tom arrastado de um motorista, e sim o tom frio e autoritário de um CEO.

"Entendido, senhor. Ah, e só para lembrar, a reunião do conselho para a aquisição de tecnologia será em quarenta minutos."

Drake olhou para a estação de metrô, com o maxilar cerrado.

"Adie a reunião por uma hora. Tenho um assunto pessoal para resolver", ele ordenou antes de encerrar a ligação.

Então, Drake foi até o Ford enferrujado, abriu a porta e limpou a poeira do banco do motorista com um olhar de puro desgosto. Após entrar, ele deu partida no carro.

O motor ligou com um ruído áspero e estridente que disfarçava perfeitamente o mecanismo de alto desempenho personalizado escondido sob o capô enferrujado. Drake havia pedido aos seus mecânicos que instalassem um abafador de som para manter o som convincentemente lamentável. O carro entrou no trânsito com uma lentidão enganosa e pesada, escondendo o fato de que poderia avançar como um foguete se ele precisasse.

Drake segurava o volante com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos, enquanto jurava para si que faria essa mulher falsa e hipócrita implorar pelo divórcio em um mês.

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  2. Capítulo 2Capítulo 2
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