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Capítulo 2

O silêncio no camarote era pesado.

Averie havia ido embora, deixando para trás apenas o leve cheiro do seu perfume e o anel de diamante, que brilhava sobre a mesa como uma estrela solitária e zombeteira.

Preston Hayes estava congelado enquanto o uísque frio e pegajoso escorria pela gola da sua camisa. Ele podia sentir inúmeros olhares sobre ele, como alfinetes perfurando sua pele, e os sussurros começaram, se espalhando pelo clube como um vírus.

Seus amigos, que há pouco riam das suas piadas, agora desviavam o olhar para qualquer lugar, menos para ele. Já Carter Sinclair, que conhecia tanto ele quanto Fielding, tinha uma expressão de profunda decepção estampada no rosto.

Ao se recuperar do choque, Kylie pegou um guardanapo. "Preston, me deixe te ajudar..."

Ele bateu na mão dela, fazendo um som rouco e gutural escapar da sua garganta.

"Saia."

Ele disse isso num rosnado grave, carregado de toda a humilhação e raiva que ele não podia descarregar em Averie.

Para ele, toda essa confusão, essa execução pública, era culpa dela.

Com um olhar perplexo, Kylie murmurou: "Mas... Preston..."

Preston não suportava nem olhar para ela. Ele pegou sua carteira, tirou um maço de dinheiro e o jogou sobre a mesa diante dela.

"Pegue e desapareça."

Com os olhos marejados, a garota pegou o dinheiro com o rosto corado de humilhação e saiu às pressas do camarote, com seus soluços se perdendo no ritmo da música que voltava a tocar.

Um dos amigos de Preston, sócio da sua empresa, se manifestou: "Preston, cara. Talvez seja melhor ligar para ela e explicar..."

"Explicar o quê?" Preston retrucou, sua voz embargada. Ele se levantou num salto, completamente transtornado. "Como ela soube que eu estava aqui? Eu disse que ficaria até tarde no trabalho."

Com os dedos trêmulos, ele pegou seu celular e discou o número de Averie, mas a ligação caiu na caixa postal.

"O número chamado não está disponível."

Ele tentou novamente, mas caiu na caixa postal mais uma vez.

Desesperado, ele enviou uma série de mensagens apressadas:

"Querida, por favor. Me deixe explicar."

"Foi um erro. Ela não significa nada."

"Você não pode simplesmente fazer isso com a gente, Averie."

Sem resposta. As mensagens permaneciam não lidas, com apenas um tique cinza.

Ela o havia bloqueado. A percepção disso o atingiu como um soco no estômago.

Carter o observava com a testa franzida. "Preston, você precisa se acalmar."

Enquanto sua mente disparava, repassando os acontecimentos da noite, ele pensava: a mensagem anônima, a chegada de Averie no momento perfeito... Tudo foi tão bem calculado!

"Fielding", ele exclamou, olhando ao redor. "Onde está Fielding Everett? Ele deveria ter vindo."

Outro amigo deu de ombros. "Ele mandou mensagem para Carter mais cedo, dizendo que teve uma reunião de última hora e não pôde vir."

"Uma reunião de última hora...", pensou Preston, sentindo o golpe amargo dessa coincidência. Fielding sempre estava ausente quando as coisas davam errado, ou presente quando surgia uma oportunidade.

Preston se lembrou das últimas semanas, das perguntas casuais de Fielding sobre os planos do casamento e dos comentários descontraídos sobre a sorte de Preston em ter uma mulher como Averie. Ele achava que era só uma brincadeira amigável, mas agora, tudo parecia uma forma de reconhecimento de terreno.

Ao se dar conta disso, uma sensação fria e nauseante o invadiu. Ele havia sido enganado.

Seus amigos começaram a dar desculpas, murmurando sobre reuniões matinais e esposas cansadas. Ninguém queria ficar no olho do furacão.

Carter foi o último a sair, colocando a mão no ombro de Preston. "Vá para casa, Preston. E talvez seja bom ligar para sua mãe. Ela vai ficar sabendo disso mais cedo ou mais tarde."

A lembrança da sua mãe, da família e da fusão que o casamento de Hayes e Stein deveria consolidar fez seu estômago revirar. Não se tratava apenas de perder Averie, mas de perder uma dinastia.

Em pouco tempo, ele estava sozinho no camarote. O anel descartado sobre a mesa parecia brilhar com uma luz fria, zombando dele. Ele o pegou, sentindo o metal cravar na sua palma enquanto cerrava o punho. A dor foi um alívio bem-vindo.

Nesse momento, seu celular vibrou violentamente. Era uma notificação de um grupo privado de rede social. Um amigo havia enviado um print de alguém que filmou a saída de Averie. O vídeo granulado já estava circulando, com a legenda: "Problemas no paraíso? O noivado de Hayes e Stein está em risco."

Soltando um rugido de frustração, ele jogou o celular contra o assento de couro.

Ele precisava encontrá-la, precisava consertar isso. Não por amor, mas pela sua sobrevivência.

Pegando seu casaco, ele saiu cambaleando do clube, ignorando os olhares e sussurros que o acompanhavam. Em seguida, entrou no seu Aston Martin e saiu em disparada pela noite de Nova York, com a mente num turbilhão caótico.

Para onde ela iria? Não para o apartamento dela, pois eles estavam reformando. Então, só poderia ser para a casa dos pais dela, a mansão Stein.

Ele percorreu a cidade em alta velocidade, as luzes vermelhas e brancas se transformando num borrão. Ele iria esperá-la, se desculpar, implorar e prometer qualquer coisa, a forçando a ouvi-lo.

Parando do outro lado da rua dos imponentes portões da propriedade Stein, ele desligou o motor, decidido a esperar a noite toda, se fosse preciso.

Ele olhava para a casa silenciosa e escura, se agarrando à esperança desesperada de que ela voltasse para casa.

Mal sabia ele que ela já estava no carro de outro homem, sendo levada para um mundo que ele jamais poderia tocar.

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  2. Capítulo 2Capítulo 2
  3. Capítulo 3Capítulo 3

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