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Capítulo 2 O capitão que ninguém conhece

Existe uma diferença entre ser conhecido e ser visto.

Ser conhecido é ter seu nome gritado nas arquibancadas quando você marca um gol.

Ser visto é alguém perguntar por que você está sentado sozinho no escuro de uma quadra vazia, com uma bolsa de gelo no joelho e a sensação de que um erro pode custar tudo.

Na Universidade Santa Aurora, eu era conhecido.

O capitão do futsal.

O camisa dez.

O garoto que "nasceu para jogar".

O tipo de cara que recebia tapinhas nas costas no corredor, pedidos de foto em festas e mensagens de pessoas que só lembravam que eu existia quando o time ganhava.

Mas ninguém parecia interessado no resto.

Talvez porque eu também tivesse passado anos fingindo que não havia resto nenhum.

- Vilar! - o professor Álvaro gritou do outro lado da quadra. - Se você perder mais uma bola dessas, vou começar a considerar a possibilidade de te aposentar aos vinte e dois.

- Dramático como sempre, professor - respondi.

- Eu sou técnico. É meu dever ser dramático.

A bola veio na minha direção outra vez.

Dominei com o pé direito, passei pelo marcador e avancei alguns metros. Gustavo, nosso ala esquerdo, estava livre perto da linha lateral. Eu podia ter tocado para ele.

Mas tentei finalizar.

A bola bateu na trave.

De novo.

Um coro de reclamações surgiu atrás de mim.

- Egoísta! - Davi gritou, sem muita convicção.

- Eu ouvi isso - respondi.

- Era para ouvir mesmo.

O apito do professor Álvaro cortou o ar.

- Parou! Todo mundo para!

Os jogadores foram diminuindo o ritmo até se agruparem no centro da quadra. O treino já durava mais de uma hora, e o ginásio estava quente demais. O cheiro de borracha, suor e desinfetante se misturava no ar de um jeito familiar.

Eu conhecia aquele cheiro desde os treze anos.

Na época, ele significava liberdade.

Agora, às vezes, significava pressão.

O professor Álvaro caminhou até nós com os braços cruzados.

- Vocês sabem qual é o problema deste time? - perguntou.

Ninguém respondeu.

Quando um técnico fazia uma pergunta assim, era porque ele não queria ouvir uma resposta. Queria abrir espaço para um discurso.

- O problema é que vocês estão tentando salvar a temporada sozinhos. Cada um quer ser o responsável pelo gol bonito, pela jogada decisiva, pela manchete no site da universidade.

Ele parou diante de mim.

Eu já sabia o que viria.

- Principalmente você, Caio.

Alguns jogadores desviaram o olhar. Outros fingiram estar ajeitando as meias.

Não era exatamente uma surpresa.

Depois da derrota na semifinal do campeonato estadual, eu tinha começado a jogar como se cada partida fosse uma chance de apagar o resultado anterior.

Como se correr mais rápido, chutar mais forte e carregar a bola por tempo demais pudesse me devolver os últimos quarenta segundos daquele jogo.

Não podia.

Nada devolvia.

- A equipe não precisa de um herói - continuou o professor. - Precisa de alguém que saiba liderar.

Eu encarei o chão por um instante.

A quadra refletia as luzes brancas do ginásio em pequenos riscos brilhantes. Meu tênis estava gasto na lateral, embora eu ainda não tivesse dinheiro - ou coragem - de comprar outro par.

- Entendido - respondi.

- Espero que esteja.

O professor assobiou.

- Dez minutos. Água. Depois voltamos para o coletivo.

Os jogadores se espalharam.

Gustavo passou por mim e bateu de leve no meu ombro.

- Você está bem?

- Estou ótimo.

Ele me olhou como quem sabia que eu estava mentindo, mas decidiu não insistir.

Gustavo era meu melhor amigo desde o primeiro semestre. Nós tínhamos entrado no time no mesmo ano, quase sido cortados no mesmo teste e dividido banco durante tempo suficiente para aprender a odiar o som do apito final quando não tínhamos entrado em quadra.

Ele conhecia minhas respostas prontas.

E, felizmente, sabia quando não tentar desmontá-las.

- Tá - ele disse. - Mas tenta não matar ninguém no segundo tempo. Principalmente eu.

- Você se acha importante demais.

- Eu sou importante demais.

- É isso que você diz quando perde a bola.

- Eu nunca perco a bola.

- Você perdeu duas vezes hoje.

- Eu estava testando a defesa.

Sorri, apesar de mim mesmo.

Gustavo apontou para a arquibancada.

- Aliás, a sua nova sombra já chegou.

Segui a direção do olhar dele.

Luiza Paes estava sentada na terceira fileira, com um notebook apoiado nas pernas e uma garrafa de água ao lado. Usava uma calça preta de alfaiataria, uma camiseta branca simples e uma jaqueta jeans larga demais para os ombros.

O cabelo estava preso em um coque alto, mas algumas mechas tinham escapado e caíam perto do rosto.

Ela parecia concentrada.

Séria.

Como se estivesse tentando entender uma coisa muito difícil.

Ou como se estivesse fazendo uma lista mental de todos os motivos pelos quais eu era insuportável.

Talvez fossem as duas coisas.

- Não é minha sombra - falei.

- Claro que não.

- Ela está trabalhando.

- Claro que está.

- Você quer parar de repetir tudo o que eu digo?

- Não.

Gustavo pegou a garrafa de água da mão de um dos reservas.

- A garota tem cara de quem vai acabar com a sua paz de espírito.

- Eu não tenho paz de espírito.

- Exatamente. Ela vai acabar com o pouco que sobrou.

Olhei novamente para Luiza.

Ela não estava olhando para mim.

O que, estranhamente, parecia mais ofensivo do que deveria.

A maioria das pessoas, quando descobria quem eu era, mudava um pouco de comportamento. Algumas ficavam mais gentis. Outras mais interessadas. Outras fingiam que não sabiam, mas sempre davam um jeito de mencionar o time ou uma partida específica.

Luiza não.

Luiza tinha me conhecido por menos de cinco minutos e já parecia profundamente convencida de que eu era um problema.

E eu não sabia por que aquilo me incomodava tanto.

O treinamento terminou quase uma hora depois.

Dessa vez, eu não tentei resolver tudo sozinho.

Passei a bola quando precisava passar. Marquei quando precisava marcar. Ouvi as instruções do professor Álvaro e fiz o que um capitão deveria fazer.

No fim, vencemos o coletivo por quatro a dois.

Gustavo marcou dois gols e fez questão de comemorar cada um como se tivesse acabado de conquistar uma Copa do Mundo.

- Vai colocar isso no relatório? - perguntou, apontando para Luiza enquanto tirava a camisa molhada.

Ela estava descendo as escadas da arquibancada, ainda com o notebook aberto.

- Não sei - respondi.

- Coloca que eu fui o melhor em quadra.

- Você foi o jogador mais barulhento em quadra.

- Isso também é talento.

Luiza se aproximou quando o resto do time começou a seguir para os vestiários.

Ela segurava uma pequena prancheta agora, não o notebook, e tinha uma expressão neutra demais para alguém que acabara de assistir a um treino inteiro.

- Você tem alguns minutos? - perguntou.

- Tenho.

- Ótimo. Preciso fazer algumas perguntas.

Gustavo abriu um sorriso largo.

- Eu vou deixar vocês trabalharem.

- Você vai tomar banho - eu disse.

- Tecnicamente, isso também é trabalhar. Pela saúde coletiva.

Ele se afastou antes que eu pudesse responder.

Luiza esperou até que ele estivesse longe o suficiente.

- Ele é sempre assim?

- Pior quando está feliz.

- Então ele está feliz com frequência?

- Infelizmente.

Ela quase sorriu.

Quase.

- Podemos conversar em algum lugar menos... - ela olhou ao redor, para os jogadores, para as garrafas espalhadas no chão, para a toalha de alguém jogada perto da linha lateral. - Menos úmido?

- Você acabou de definir o ambiente do futsal em uma palavra.

- Eu sou boa com palavras.

- Isso eu já percebi.

Ela me lançou um olhar rápido.

- Sala de reuniões?

- Está ocupada.

- Arquibancada?

- Menos úmida.

- Perfeito.

Subimos os degraus em silêncio.

O ginásio estava mais quieto agora. O barulho dos jogadores vinha abafado dos vestiários, misturado ao som de chuveiros e conversas que eu não conseguia distinguir.

Luiza se sentou na terceira fileira, no mesmo lugar onde tinha passado a maior parte do treino.

Sentei duas cadeiras ao lado.

Ela abriu a prancheta.

- Antes de começar, quero deixar uma coisa clara.

- Isso parece ameaçador.

- Não é ameaçador.

- Você disse com uma prancheta na mão.

Ela respirou fundo, como se estivesse decidindo se valia a pena discutir comigo.

- Eu não estou aqui para construir uma versão falsa de você.

A frase me fez olhar para ela com mais atenção.

- Não?

- Não. Mas também não estou aqui para defender cada erro que você já cometeu.

- Justo.

- A ideia é entender o que o time representa para quem acompanha, o que representa para vocês e por que as pessoas deveriam se importar.

- Acho que as pessoas já se importam.

- Algumas se importam - corrigiu ela. - Mas não é a mesma coisa.

Ela folheou algumas páginas.

- Por exemplo: nas redes sociais, o time tem muitos seguidores, mas pouco engajamento fora de dias de jogo. As postagens com melhor desempenho são as que mostram bastidores. Vídeos de comemoração. Entrevistas mais pessoais. Coisas que não parecem produzidas demais.

- E qual é o problema disso?

- O problema é que vocês só mostram a parte fácil.

- A parte fácil?

- Vitória, treino, piada interna, aniversário de jogador. Tudo parece muito controlado.

Cruzei os braços.

- E você acha que deveria ser diferente?

- Acho que poderia ser mais verdadeiro.

- Verdadeiro como?

Ela levantou os olhos da prancheta.

Pela primeira vez desde que sentamos, pareceu hesitar.

- Como pessoas reais.

- Você falou isso na entrevista.

- Porque é importante.

- Pessoas reais não ficam bem em vídeo o tempo todo.

- Eu sei.

- Pessoas reais erram.

- Eu sei.

- Pessoas reais perdem.

Ela ficou em silêncio.

O som de uma porta batendo ecoou no ginásio.

Luiza fechou a prancheta devagar.

- Eu sei - repetiu, mais baixo. - E talvez seja exatamente por isso que as pessoas deveriam ver.

A resposta me pegou desprevenido.

Não porque fosse revolucionária.

Mas porque eu tinha passado tanto tempo ouvindo que precisava parecer forte, seguro e impossível de abalar, que a ideia de mostrar qualquer coisa diferente parecia perigosa.

Meu pai costumava dizer que o problema dos atletas da minha geração era querer ser amado demais.

"Quem quer ser aplaudido o tempo inteiro não aguenta quando começam as vaias."

Era uma frase que ele repetia desde que eu era adolescente.

Na época, eu achava que era um conselho.

Hoje, eu sabia que era uma ameaça.

- Você entende alguma coisa de perder? - perguntei antes de pensar.

Luiza piscou.

A pergunta tinha saído mais dura do que eu pretendia.

Ela poderia ter se ofendido.

Poderia ter dito que eu não tinha o direito de perguntar aquilo.

Mas apenas olhou para a quadra vazia.

- Sim - respondeu.

A certeza na voz dela fez com que eu não perguntasse mais nada.

Por alguns segundos, o silêncio entre nós deixou de ser desconfortável.

Ela pegou a prancheta outra vez.

- Vamos voltar ao trabalho?

- Vamos.

- Certo. Primeira pergunta: o que você gostaria que as pessoas soubessem sobre o Caio Vilar que elas não sabem?

Eu ri sem humor.

- Essa é uma pergunta péssima.

- Por quê?

- Porque eu não sei.

- Você não sabe ou não quer responder?

- Qual é a diferença?

Ela apertou os lábios.

Parecia contrariada.

- Se você não quiser responder, tudo bem. Mas eu não consigo criar uma comunicação humana se a pessoa principal da campanha age como se fosse uma parede.

- Eu não sabia que era a pessoa principal da campanha.

- Você é o capitão.

- Isso não significa que eu queira estar em todos os vídeos.

- Não quer?

- Não.

Ela me estudou por um instante.

Não com curiosidade invasiva.

Com atenção.

Como se estivesse tentando entender um texto que ainda não tinha sido escrito até o fim.

- Então por que você aceitou ser representante dos atletas? - perguntou.

A resposta simples seria porque o professor Álvaro tinha pedido.

A resposta verdadeira era mais complicada.

Porque eu precisava manter minha bolsa esportiva.

Porque, depois do que aconteceu na semifinal, eu precisava provar que ainda era útil para o time.

Porque ser capitão era uma posição que eu não podia perder.

Porque, se eu parasse de ser o garoto que todos esperavam que eu fosse, eu não tinha certeza de quem sobraria.

- Porque alguém precisava fazer - falei.

Luiza inclinou a cabeça.

- Essa é a resposta oficial?

- É a resposta que eu tenho.

- Entendi.

Mas ela não tinha entendido.

Eu vi isso no jeito como ela fechou a prancheta mais uma vez.

E, contra a minha vontade, senti uma pontada de culpa.

- Meu pai jogou futsal - falei.

Ela levantou os olhos.

- Profissionalmente?

- Por pouco tempo. Ele se machucou cedo.

- Sinto muito.

- Ele não gosta que as pessoas sintam muito.

Ela não respondeu de imediato.

- E você? - perguntou.

- Eu o quê?

- Você gosta?

A pergunta foi simples.

Mas ninguém me fazia perguntas simples sobre aquilo.

As pessoas perguntavam sobre títulos, oportunidades, propostas, campeonatos, estatísticas.

Ninguém perguntava se eu gostava.

Olhei para a quadra.

- Eu gostava mais antes.

Luiza ficou quieta.

E, por alguma razão, aquilo foi melhor do que qualquer conselho que ela pudesse ter dado.

Quando saímos do ginásio, o sol já estava mais baixo.

A luz atravessava as árvores do campus e deixava o caminho até o estacionamento coberto por sombras compridas. Havia estudantes espalhados pela praça central, alguns sentados na grama, outros atravessando o gramado com livros nos braços.

Luiza caminhava ao meu lado, mas não perto demais.

Ela tinha a mochila pendurada em um ombro e a prancheta apertada contra o peito.

- Você vai escrever que eu sou emocionalmente indisponível? - perguntei.

- Eu ainda estou decidindo.

- Isso parece uma acusação.

- Não é uma acusação. É uma observação.

- Você observa rápido.

- Você fala pouco.

- Então estamos equilibrados.

Ela parou perto da escadaria do prédio de Comunicação.

- Eu preciso ir.

- Certo.

- Amanhã vou entrevistar mais alguns jogadores. Depois, queria conversar com você de novo.

- Você vai continuar tentando me transformar em uma pessoa interessante?

- Não. Você já parece interessante. O problema é que se esforça muito para parecer insuportável.

Fiquei olhando para ela.

Luiza pareceu perceber o que tinha dito e desviou os olhos por um momento.

- Boa noite, Caio.

- Boa noite, Luiza.

Ela começou a subir as escadas.

No terceiro degrau, virou o rosto para trás.

- E tenta não derramar café em mais nenhum projeto.

- Sem promessas.

Dessa vez, ela sorriu.

Não muito.

Não o suficiente para eu chamar aquilo de sorriso de verdade.

Mas o bastante para que eu ficasse parado mais tempo do que precisava, olhando para a porta se fechar atrás dela.

No caminho para casa, meu celular vibrou três vezes.

A primeira mensagem era de Gustavo.

Gustavo:

Você e a garota da comunicação estavam conversando por mais de uma hora. Devo me preocupar?

Ignorei.

A segunda era do professor Álvaro.

Professor Álvaro:

Não esqueça da reunião com a diretoria amanhã, 9h. Precisamos discutir o episódio da semifinal e a postura nas redes.

Essa eu não ignorei.

Fiquei alguns segundos olhando para a tela.

O episódio da semifinal.

Era assim que chamavam agora.

Como se o que tinha acontecido pudesse ser reduzido a uma expressão neutra, burocrática e confortável.

Não "a discussão".

Não "o empurrão".

Não "a expulsão".

Muito menos "a derrota".

Apenas o episódio.

Guardei o celular no bolso e continuei andando.

Meu apartamento ficava a quase vinte minutos do campus, em uma rua antiga, com prédios baixos e calçadas rachadas. Eu dividia o lugar com Gustavo desde o começo do ano.

Era pequeno, quente no verão e frio no inverno. A pia da cozinha vazava quando alguém esquecia de fechar a torneira direito. O sofá da sala tinha uma mola quebrada que espetava qualquer pessoa que ousasse sentar do lado esquerdo.

Mas era nosso.

Quando entrei, Gustavo estava largado no sofá, com uma tigela de macarrão instantâneo equilibrada no colo.

- Olha só quem resolveu voltar para a vida civil - ele disse.

- Você come isso todo dia?

- Não. Às vezes eu como pizza congelada.

Joguei minha mochila perto da porta.

- A reunião com a diretoria é amanhã.

O sorriso dele desapareceu um pouco.

- Por causa do vídeo?

- É.

- Eles vão fazer o quê?

- Não sei.

Gustavo colocou a tigela na mesinha de centro.

- Caio, aquilo foi há meses. Você já pediu desculpas. O outro jogador pediu desculpas. O técnico pediu desculpas. Até a torcida esqueceu.

- A internet não esquece.

- A internet esquece tudo depois de três dias.

- Não quando alguém decide lembrar.

Ele ficou quieto.

Era difícil explicar o medo que eu sentia sem parecer exagerado.

O vídeo tinha sido gravado durante a semifinal do estadual. Faltavam menos de dois minutos para o jogo acabar. Estávamos perdendo por um gol.

O adversário provocou Gustavo depois de uma falta. Eu fui defender meu amigo. Ele me empurrou. Eu empurrei de volta.

Só que, no vídeo, não parecia uma reação.

Parecia agressão.

Parecia que eu tinha perdido o controle.

Talvez eu tivesse.

A expulsão veio logo depois.

E, sem mim em quadra, o time perdeu.

Desde então, cada derrota parecia ligada àquele momento.

Cada crítica parecia repetir a mesma frase, ainda que ninguém dissesse em voz alta:

Você não soube liderar.

Meu celular vibrou pela terceira vez.

Dessa vez, não era uma mensagem.

Era uma notificação.

Você foi marcado em uma publicação.

Franzi a testa.

Abri o aplicativo.

O vídeo apareceu antes mesmo que eu pudesse respirar.

A imagem estava granulada, mal iluminada, gravada da arquibancada. Eu reconheci a camisa azul. Reconheci o ginásio. Reconheci o instante exato em que meu corpo avançava contra o jogador adversário.

A legenda dizia:

"Esse é o verdadeiro capitão da Santa Aurora? Violência, arrogância e zero espírito esportivo."

Em menos de cinco minutos, já havia dezenas de comentários.

Alguns me defendiam.

Outros pediam meu afastamento.

Outros pareciam felizes demais por terem encontrado mais um motivo para odiar alguém que não conheciam.

Gustavo pegou o celular da minha mão.

- Filho da mãe.

- Me devolve.

- A gente precisa falar com o professor Álvaro.

- Amanhã.

- Caio

- Amanhã, Gustavo.

Peguei o aparelho de volta.

A tela continuava iluminada.

O vídeo continuava rodando.

O som da torcida, distorcido e distante, enchia a sala pequena.

Por um segundo, pensei em Luiza.

Na forma como ela tinha dito que pessoas reais erravam.

Na forma como ela tinha ficado em silêncio quando eu não soube responder se ainda gostava de jogar.

Ela queria histórias verdadeiras.

Bem.

Agora teria uma.

Só não tinha certeza de que eu estava pronto para ela.

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Lista de capítulos

16 capítulos no total

  1. Capítulo 1Capítulo 1 Sete minutos de atraso
  2. Capítulo 2Capítulo 2 O capitão que ninguém conhece
  3. Capítulo 3Capítulo 3 Crise de imagem

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