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Capítulo 3 Antecipando o jogo
ANGELINA ROSSI
Horas depois...
A boate funcionava no subsolo de um palácio particular. Máscaras eram obrigatórias, os celulares ficavam na entrada e ninguém perguntava nomes. Era exatamente por isso que eu estava ali. A música fazia o chão vibrar sob meus saltos, enquanto luzes vermelhas atravessavam a penumbra e revelavam apenas fragmentos de rostos e corpos. Empresários, herdeiros e homens ligados à máfia misturavam-se na pista, protegidos por um anonimato que todos fingiam respeitar. Meu vestido preto marcava minhas curvas e deixava as costas expostas. A máscara escondia parte do meu rosto, mas não a razão que me levara àquela festa. Na manhã seguinte, eu me casaria com Tonny Romano. Naquela noite, meu corpo ainda era meu. — Ainda podemos ir embora — Chiara disse ao meu lado. Lancei um olhar irritado para ela e para Giacomo, o segurança que consegui subornar para proteger Chiara quando ela me seguira até a villa. Peguei uma taça de champanhe da bandeja de um garçom. — Eu não vou. Mas Giacomo pode te levar para casa. Ela segurou meu braço, inquieta. — Tenha cuidado. — Vá dançar, Chiara. Sustentei seu olhar até que ela entendesse que não me faria mudar de ideia. Minha irmã soltou meu braço e se afastou em direção à pista, embora continuasse olhando para trás. Eu não precisava de uma testemunha. Mas agora ela estava ali, ao menos Giacomo a protegeria e eu seguiria com a minha noite. Passei os olhos pelo salão mais uma vez. Havia recusado três homens desde que chegara. Um falara demais, outro mal conseguia permanecer em pé, e o terceiro colocara a mão em minha cintura sem permissão. Não entregaria minha primeira vez a qualquer idiota apenas para afrontar Tonny. Queria desejar o homem que escolheria. Foi então que o vi. Ele estava sozinho junto ao bar, com uma taça na mão e o corpo voltado em minha direção. Era alto, tinha os ombros largos e vestia um terno preto impecável. A máscara cobria seus olhos e parte do rosto, deixando visíveis apenas a mandíbula firme e a boca séria. Não tentou se aproximar. Apenas sustentou meu olhar com a segurança de quem não precisava disputar minha atenção. Ergui discretamente a taça. Ele veio até mim. As pessoas se afastaram de seu caminho antes mesmo que pedisse passagem. Não havia pressa em seus passos, apenas a tranquilidade de um homem acostumado a obter o que desejava. Meu corpo reagiu antes que ele chegasse. Talvez fosse o champanhe, a urgência daquela noite ou apenas a forma como ele me olhava. Não importava. Era o primeiro homem que despertava algo além de impaciência. Ele parou diante de mim e deixou o olhar percorrer meu vestido antes de voltar ao meu rosto. — Está esperando alguém? — Não mais. Ele pegou minha mão e levou meus dedos aos lábios. O beijo foi lento, sem qualquer inocência. Em seguida, conduziu-me até o bar e pediu duas taças de vinho tinto. Não perguntou meu nome, e eu também não quis saber o dele. Bebemos em silêncio, observando um ao outro por trás das máscaras. Quando ele se aproximou, sua boca quase tocou minha orelha. — O que você quer? Virei o rosto na direção dele. — Sexo. Seu olhar escureceu. Não fez outra pergunta. Retirou a taça de minha mão, colocou-a sobre o balcão e tocou minha cintura. Não me puxou; apenas esperou. Fui eu quem eliminou a distância entre nós. — Não tire minha máscara. Ele segurou minha mão e me conduziu até a área reservada. Ele sorriu e segurando a minha mão me fez segui-lo entre as pessoas. No fundo da sala ele afastou a cortina e me conduziu pelo corredor reservado. A música perdeu parte da força, mas o grave continuava atravessando as paredes e vibrando sob meus pés. A sala era pequena, iluminada por luzes vermelhas refletidas em um espelho escuro, com um sofá largo e um bar encostado ao fundo. Assim que a porta se fechou, ele segurou minha cintura e minha nuca, puxando-me contra o corpo rígido sob o terno. Sua boca encontrou a minha com força. Segurei a gravata dele e correspondi sem hesitar. Eu não chegara até ali para ser convencida. Minhas costas bateram contra a porta. A coxa dele encaixou-se entre as minhas, pressionando o tecido fino da calcinha, enquanto sua mão subia pela fenda do vestido e apertava minha coxa. Nenhum nome, nenhuma pergunta. Era exatamente o que eu queria. Abri os botões de sua camisa enquanto sua boca descia pelo meu pescoço. Passei as mãos pelo peito musculoso e senti as linhas de algumas tatuagens sob meus dedos, mas a penumbra não permitia distinguir os desenhos. Ele encontrou o zíper do vestido e o baixou. O tecido afrouxou sobre meu corpo, mas, antes que caísse, ele me virou de costas e prendeu meus pulsos acima da cabeça com uma das mãos. Afastou meus cabelos e percorreu meu pescoço com a boca, primeiro devagar, depois mordendo minha pele. Arqueei o corpo contra ele ao sentir sua ereção pressionar minhas costas. Sua mão livre deslizou pelo meu ventre e entrou sob a calcinha, encontrando meu clitóris sem qualquer aviso. Fechei os olhos quando começou a me tocar. Os movimentos eram lentos, precisos, mas aceleraram assim que movi os quadris contra sua mão. A música abafou meu gemido, mas não a respiração dele junto ao meu ouvido. Tentei libertar os pulsos para tocá-lo, porém ele apertou os dedos e me manteve presa. Em qualquer outra situação, a falta de controle teria me irritado. Naquela, só aumentou o calor entre minhas pernas. Ele continuou acariciando meu clitóris enquanto me penetrava, abrindo-me com paciência, como se já soubesse que eu precisaria daquilo depois. O prazer cresceu depressa. Mordi o lábio para conter o gemido quando gozei contra sua mão. Minhas pernas fraquejaram, mas ele sustentou meu corpo e continuou me tocando até os últimos espasmos passarem. Assim que soltou meus pulsos, virei-me e empurrei sua camisa pelos ombros. Abri o cinto sem diminuir a distância entre nós, precisando vê-lo e tocá-lo antes que começasse a pensar demais. Ele deixou que eu afastasse sua calça. Quando envolvi sua ereção com a mão, seu corpo enrijeceu sob o meu toque. Era maior do que eu esperava. Ele percebeu minha pausa, segurou meu queixo e ergueu meu rosto. — Mudou de ideia? — Não. Puxei-o pela nuca e voltei a beijá-lo, encerrando qualquer possibilidade de discussão. Ele retomou o controle no mesmo instante. Arrancou o vestido de meus quadris, mas o tecido ficou preso em um dos saltos. Um puxão forte rompeu a costura e fez a peça cair no chão. Ele me ergueu pela cintura e me levou até o sofá. Deitou-me sobre o veludo, abriu minhas pernas e se posicionou entre elas. Seu olhar percorreu meu corpo nu com uma intensidade que fez minha pele queimar. Por um instante, tive a impressão de que havia reconhecimento em seus olhos, mas a sensação desapareceu quando ele alcançou um preservativo na mesa ao lado. A facilidade com que encontrou a embalagem deveria ter chamado minha atenção. Não chamou. Eu só conseguia olhar para o corpo musculoso acima do meu e para o membro grosso que pressionou minha entrada. Segurei seus ombros quando ele avançou um pouco. Meu corpo se contraiu imediatamente, e a ardência fez minha respiração falhar. Ele parou. — Primeira vez? Assenti. A mandíbula dele se contraiu. Por um momento, pensei que fosse se afastar, mas suas mãos seguraram minhas coxas e as abriram mais. Pressionou-se contra mim e avançou devagar até encontrar a resistência do meu corpo. A dor aumentou, e cravei as unhas em seus ombros quando ele parou mais uma vez. Ergui os quadris. Não precisava que me protegesse de uma decisão que eu mesma tomara. Meu movimento foi o bastante. Ele entrou com uma estocada firme, rompendo a barreira e preenchendo-me por completo. O ardor me atravessou, arrancando um gemido enquanto meu corpo tentava se ajustar ao tamanho dele. Ele permaneceu imóvel dentro de mim, segurou meu rosto e me obrigou a encará-lo. Não havia pena em seus olhos, apenas controle e a certeza de que esperaria até que eu estivesse pronta. Respirei fundo e movi os quadris, exigindo que continuasse. Ele recuou devagar e voltou a entrar. A dor permaneceu nas primeiras estocadas, misturada à pressão intensa de senti-lo dentro de mim, mas diminuiu à medida que meu corpo começou a ceder. O prazer tomou seu lugar. Passei as pernas ao redor da cintura dele e o puxei mais fundo. Seu ritmo aumentou, enchendo a sala com o som de nossas respirações, da pele se encontrando e do grave distante da música. Nenhuma palavra era necessária. Ele prestava atenção ao meu corpo, acelerando quando eu o puxava e diminuindo quando meus músculos se contraíam. Mudou o ângulo de minhas pernas até encontrar um ponto que fez o prazer subir por meu ventre. A habilidade dele me irritou tanto quanto me excitou. Empurrei seu peito e o fiz sentar. Montei sobre seus quadris antes que tentasse me impedir e desci lentamente, sentindo cada centímetro entrar de novo. Apoiei as mãos em seu peito e comecei a me mover. Por alguns instantes, fui eu quem determinou o ritmo, subindo e descendo sobre ele até encontrar a velocidade que queria. As mãos dele se fecharam em minha cintura e passaram a conduzir meus movimentos, fazendo-me descer com mais força. Inclinei-me e mordi seu lábio. Ele soltou um som rouco contra minha boca, mas não permitiu que eu mantivesse o comando por muito tempo. Em um movimento rápido, virou-me e me colocou de joelhos sobre o sofá. Segurou meus quadris e voltou a entrar por trás, arrancando de mim um gemido alto. As estocadas vieram mais profundas e firmes. Apoiei as mãos no encosto e o recebi sem pedir que diminuísse. Eu queria a força, a ausência de delicadeza fingida e a sensação de ter escolhido um homem capaz de me fazer esquecer que, na manhã seguinte, outro acreditaria ter direitos sobre meu corpo. Uma das mãos dele deslizou por minha barriga e encontrou meu clitóris. O prazer aumentou rápido, apertando meu corpo ao redor dele enquanto seus movimentos se tornavam mais intensos. Gozei arqueada contra o sofá, com uma de suas mãos entre minhas pernas e a outra presa em minha cintura. Ele continuou até meu corpo parar de responder e gozou logo depois, permanecendo imóvel dentro de mim por alguns segundos, com a respiração quente contra minhas costas. Quando se afastou, minhas pernas quase cederam. Sentei-me no sofá, ainda tentando recuperar o fôlego, enquanto ele retirava o preservativo e vestia a calça. O ardor entre minhas coxas era intenso, mas não havia arrependimento. Eu fizera a minha escolha. Ele pegou o paletó jogado no chão e o lançou sobre mim. — Vista. Rasguei seu vestido. Cobri o corpo ainda trêmulo e o observei erguer as mãos até a máscara. Meu coração acelerou. — O que está fazendo? Ele não respondeu. Apenas retirou a máscara. O ar desapareceu dos meus pulmões. Os mesmos olhos que haviam me encarado ao lado do cadáver do meu noivo. A mesma mandíbula firme. A mesma boca arrogante que anunciara diante de todos que eu seria sua esposa. — Tonny Romano — sussurrei. Ele deixou a máscara sobre a mesa e sorriu lentamente. — Lamento decepcioná-la. Você queria entregar a outro o que me pertencia, mas eu jamais permitiria. A raiva me atingiu de uma vez. — Você é um doente. — E você é tola. — Ele ajeitou a camisa. — Mas amanhã será minha esposa. Considere esta a nossa lua de mel antecipada. Levantei-me, apertando o paletó contra o corpo. — Vai se arrepender amargamente de se casar comigo. Tonny sustentou meu olhar. — Posso dizer o mesmo. Virou-se e abriu a porta. Dois homens vestidos de preto aguardavam do lado de fora. Chiara estava entre eles, pálida e inquieta. — Levem as duas para casa. Em segurança — ordenou, sem olhar para trás. Passei por ele sem dizer mais nada. Eu planejara aquela noite para afrontar Tonny Romano. Imaginara a raiva dele ao descobrir que chegaria ao altar tarde demais. Mas ele me seguira. Esperara. E tomara para si exatamente aquilo que eu pretendia negar-lhe. Tonny havia vencido aquela noite. Apenas aquela.
Isso é tudo que está disponível no momento.
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