/0/10508/coverbig.jpg)
Capítulo 3 Essas são as cinzas da sua filha
Assim que Bethany desligou o telefone, Neal se aproximou com uma reverência respeitosa. "Cumpri as ordens do senhor Harding e providenciei um túmulo para sua filha no melhor cemitério de Slenale."
Bethany puxou a urna para mais perto do peito. "Quero que ela descanse em Leacrest."
Como decidira se tornar esposa de Trevor, esperava que Leacrest fosse seu lar um dia, e não suportava a ideia de enterrar Charlotte tão longe.
Neal deu um pequeno aceno com a cabeça. "Entendido. Vou providenciar tudo."
Seu olhar pousou nela novamente. "Antes de partirmos para Leacrest, você gostaria de pegar alguns pertences de sua filha?"
Bethany pressionou a urna contra o corpo e acenou silenciosamente.
Pouco depois, saiu da casa que um dia dividira com Brian, puxando uma mala enquanto segurava as cinzas de Charlotte.
Nesse exato momento, o carro de Brian parou em frente à casa.
Ele saiu, deu a volta no veículo, abriu a porta do passageiro com cuidado e ajudou Lexie a se levantar. "Devagar."
"Bethany?" Lexie mal havia pisado na garagem quando notou a mala. "Você está indo embora?"
Seus olhos se arregalaram, e a surpresa logo deu lugar à angústia, enquanto ela mordia o lábio e se virava para Brian, com lágrimas acumulando nos olhos.
"Brian, eu te disse... Você realmente não precisa se preocupar tanto comigo. Tudo isso é culpa minha." Ela baixou o olhar e limpou os cantos dos olhos. "Eu nunca deveria ter ido até você só porque estava me sentindo mal. Por minha causa, Bethany mentiu que Charlotte tinha morrido. E agora ela está indo embora bem quando você está me trazendo para casa."
Brian sentiu uma pontada de remorso ao ver Bethany com sua bagagem e se perguntou se havia sido muito duro com ela, mas as palavras de Lexie apagaram esse sentimento.
Bethany só podia estar fingindo. Charlotte sempre havia sido o centro da vida dela. Se algo realmente tivesse acontecido à garota, como ela estaria aqui fazendo malas? E como era conveniente escolher ir embora dramaticamente agora, quando ele chegava com Lexie.
Um sorriso cruel se formou nos lábios de Brian. "Bethany."
Seu olhar endureceu com desdém. "Você se recusava a desistir de atuar naquela época, lembra? Estava determinada a seguir carreira de atriz até Charlotte aparecer. O que aconteceu agora? Sentiu vontade de atuar de novo? Está fazendo uma cena bem na minha frente. Ficou viciada em interpretar?"
A zombaria atingiu Bethany mais forte que qualquer insulto.
Este era o homem por quem estivera disposta a sacrificar tudo e por quem havia lutado contra o último desejo de seu pai para se casar.
Lexie fazia parte da vida dele há apenas dois anos, mas ele a mimava sem hesitação e acreditava em cada história que ela contava.
Enquanto isso, a esposa havia passado tantos anos ao seu lado, cuidando dele dia após dia, dando à luz sua filha e entregando todo o dinheiro que o pai lhe deixara para expandir sua empresa.
Em troca, o que ela recebeu?
"Brian." Bethany levantou os olhos lentamente, os lábios ressecados, a voz rouca. "Eu nunca menti para você. Charlotte está realmente morta."
Ela já havia se forçado a aceitar a verdade insuportável, mas dizer isso em voz alta reabriu a ferida, fazendo sua voz tremer sob o peso de sua dor.
No entanto, Brian não viu nada disso. Para ele, cada tremor era apenas parte de sua atuação ensaiada.
Ele franziu a testa, a fúria queimando em seu olhar. "Já chega, Bethany! Quantas vezes você vai fazer isso? Charlotte é um ser humano, não uma arma que você usa quando sente ciúmes."
"Bethany..." Lexie se intrometeu na conversa, os lábios tremendo, os olhos cheios de lágrimas. "Se você não gosta que Brian cuide de mim, pode simplesmente me dizer. Por que tem que continuar dizendo que Charlotte está morta? Você não pode usar algo tão cruel para controlá-lo. Ele já está exausto de se matar de trabalhar por você..."
Um traço de ternura surgiu no rosto de Brian. Aos seus olhos, Lexie era sempre atenciosa, preocupava-se com o cansaço dele e entendia quanto ele trabalhava, enquanto Bethany nunca havia sido assim e parecia capaz apenas de sentir ciúme e ressentimento.
"Esqueça. Talvez eu devesse ir." Lexie soluçou. "Bethany, por favor, pare de dizer coisas tão horríveis sobre Charlotte por minha causa. Eu sou apenas anêmica. Isso só vai me fazer sentir péssima."
"Isso não tem nada a ver com você!" Brian pegou a mão de Lexie e encarou Bethany, sua expressão gélida. "É ela quem não consegue controlar o próprio ciúme."
O olhar de Bethany pousou nos dedos entrelaçados deles, então fechou os olhos.
Não havia mais nada para explicar.
Não importava o que dissesse, nenhum dos dois acreditaria.
Sem dizer mais nada, ela se virou e seguiu em direção à rua, puxando a mala.
"Bethany!" Lexie correu atrás dela e agarrou a alça da mala.
"Solte." A voz de Bethany saiu gélida enquanto lançava um olhar de aviso.
"Não!" Lexie entrou na frente dela, lágrimas brilhando nos olhos. "Por favor, não vá embora. Não discuta mais com Brian. Você não consegue entendê-lo um pouco? Ele trabalha tão duro todos os dias."
Então seu olhar caiu sobre a urna rosa que Bethany vinha protegendo contra o peito.
Algo calculista passou pelos olhos de Lexie.
Antes que Bethany pudesse reagir, ela tentou agarrar urna.
Bethany recuou instantaneamente, a raiva estampada no rosto. "Não toque!"
Lexie se virou para Brian e gritou: "Brian, olhe para a caixa que ela está protegendo. Deve significar muito para ela. Me ajude a tirá-la dela! Se a usarmos para acalmar ela, talvez ela finalmente pare de ameaçar ir embora."
Brian havia perdido a paciência com Bethany, mas ver Lexie tentando desesperadamente consertar o relacionamento o tocou.
"Dê a caixa pra Lexie." Ele deu um passo à frente, agarrou um lado da urna e puxou com força das mãos de Bethany.
"Não me toque!", Bethany gritou.
Mas como as pernas ainda estavam se recuperando dos ferimentos do acidente, sua resistência era inútil contra a força superior dele.
Com um puxão forte, Brian arrancou a urna dos braços dela e a entregou a Lexie. "Aqui."
Lexie a aceitou, incapaz de esconder a satisfação presunçosa no rosto, seus olhos voltados para Bethany. "O que exatamente tem dentro desta caixa que você está protegendo com tanto desespero?"
Ela levantou a tampa. No instante em que viu o que havia dentro, seu rosto se contorceu. "Credo! Que porra é isso!"
"Não!" O grito de Bethany saiu do fundo do peito.
Mas não havia nada que pudesse fazer.
A urna escorregou das mãos de Lexie e caiu no asfalto.
Uma nuvem de pó cinzento subiu e se espalhou pelo chão enquanto a brisa da noite soprava.
As forças de Bethany a abandonaram. Ela caiu de joelhos pesadamente, encarando os restos espalhados pelo asfalto.
"Charlotte... Charlotte..."
Suas mãos tremiam violentamente enquanto ela tentava, desesperada, juntar as cinzas agora misturadas com terra e cascalho — recolheu o que pôde, mas o pó fino ainda escorria entre seus dedos.
Completamente arrasada, ergueu os olhos cheios de lágrimas para Brian.
As palavras saíram embargadas, quase impossíveis de ouvir. "Brian, essas são as cinzas da sua filha."
Isso é tudo que está disponível no momento.
Continue lendo para acompanhar a história.
Continuar lendoLista de capítulos
67 capítulos no total
/0/20219/coverbig.jpg)
/0/19488/coverbig.jpg)
/0/19920/coverbig.jpg)
/0/14084/coverbig.jpg)
/0/15795/coverbig.jpg)
/0/19427/coverbig.jpg)
/0/19291/coverbig.jpg)
/0/19289/coverbig.jpg)
/0/19290/coverbig.jpg)
/0/20595/coverbig.jpg)
/0/19043/coverbig.jpg)
/0/19273/coverbig.jpg)