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Capítulo 3
ROBYN
"Mãe, tem certeza que vai ficar bem?" A casa da minha mãe não ficava muito longe do meu apartamento, e eu queria ficar com ela para cuidar dela até que ela voltasse a trabalhar. Porém, quanto mais eu ficava, mais a incomodava.
Do sofá, ela me fuzilou com o olhar. "Se me perguntar isso mais uma vez, te chuto para fora desta casa."
Sorrindo, me inclinei para beijar sua bochecha. "Ok. Me liga se precisar de qualquer coisa."
"Não estou mais com febre, querida. Só vá e se divirta."
"Sei como me divertir, mãe." Peguei minha bolsa no sofá.
"Assistir a séries idiotas na Netflix não é diversão, e que bom que você finalmente vai sair esta noite."
"Bom, vou tentar me divertir." Nem tinha chegado na porta quando a ouvi me chamar.
"Vê se transa, filha."
"Mãe!" Minhas bochechas queimaram ao pensar que ela sabia que eu praticamente não tinha vida fora do trabalho. Eu estava na seca há anos, mas tinha namorados leais: meus vibradores, meu dildo e, em breve, talvez um parceiro de inteligência artificial. Fiz uma careta só de pensar nisso.
"Você é uma adulta. Seu último namorado foi há dois anos. Não dependa tanto daqueles aparelhos. Pênis são muito melhores para vaginas do que coisas que vibram."
Eu caí na gargalhada. "Você é mesmo uma enfermeira, hein?"
"Eu entendo de pau e de pinto também. E de buceta, Robyn."
Enxuguei as lágrimas que surgiram nos cantos dos meus olhos. "Descanse um pouco. Te vejo de manhã."
"Não. Não volte pra casa enquanto não transar, mocinha."
"Tchau, mãe. Te amo. Piper chegou."
"Manda um oi para Piper."
Quando entrei no banco do passageiro, Piper sorriu. "Alguém está animada esta noite." Ela usava um vestido branco de duas peças, próprio para balada, que exibia seu abdômen definido e chapado.
"Dá pra acreditar? Minha mãe não quer que eu volte pra casa enquanto não transar."
"Ela está certa, gata", ela respondeu, dirigindo em direção à avenida principal. "Quando foi a última vez que você teve uma noite daquelas? Ou só ficou com um cara qualquer? Você trabalhou tanto que esqueceu como se divertir."
"Isso não é verdade", protestei, olhando para ela. "Você está saindo com alguém?"
"No momento, prefiro sexo casual."
"Fácil para você dizer." Olhei para ela. "Você é a garota ideal. Ruiva de olhos verdes."
"Sangue irlandês, gata", ela disse com orgulho.
"Pois é. Você é tão deslumbrante, que me sinto uma garota comum quando estou perto de você."
Dando uma olhada rápida na minha roupa, ela comentou: "Você por acaso se olha no espelho? Tem noção do quão gostosa você é? Você é gostosa pra caralho. Se eu não fosse hétero, com certeza te dedava agora mesmo."
"Nossa." Apertei minhas coxas uma contra a outra, o que a fez rir.
"Só estou te dizendo a verdade. Você é gostosa pra caralho, mesmo com suas calças largas e blusas enormes. Você tem as pernas mais lindas e torneadas que poderiam andar quilômetros. Você tem peitos lindos e um rosto de boneca, e olha esses seus olhos."
"Castanhos?" Ergui as sobrancelhas.
"Não perguntei a cor. Você tem olhos grandes e redondos. Esse é o seu ponto forte. Garota, até o nosso chefe, eu já vi ele te secando várias vezes."
Bufei e soltei um som que lembrava guincho de porco. "Nosso chefe frio e rabugento? Impossível. Eu achava que ele me odiava. Ele odeia todo mundo."
"Ele pode odiar todo mundo, mas ainda tem um pau. E aposto que é um pau enorme, grosso e comprido."
"Ah, meu Deus!" Revirei os olhos. "Não é à toa que minha mãe gosta de você. Ela te ligou para me mandar transar também?"
"Não, mas estou te falando a verdade. Acho que o senhor Kolby está a fim de você."
"Não. Definitivamente não. Ele é bonito —"
"Não. Ele é lindo de morrer com um pau de vinte e cinco centímetros. Se ele quisesse me foder por uma noite, eu com certeza deixaria. Não me importaria se ele não me reconhecesse na manhã seguinte."
"Você é louca, Pip." Solei uma risadinha.
"É por isso que você me ama."
Pura verdade.
Se não fosse por ela, eu poderia ter enlouquecido tentando encontrar um motivo para Barbie ter me abandonado. Perder uma melhor amiga que, aparentemente, nem teve a coragem de dizer adeus, foi devastador.
Barbie havia deixado apenas um bilhete, como se nunca tivéssemos tido anos de amizade. Era uma loucura como foi fácil para ela simplesmente abandonar a pessoa que fez parte da sua vida por anos.
Eu também entendia o que era virar a página e ficar com a pessoa com quem se queria passar o resto da vida. Se esse fosse o caso dela, ela poderia ter dito. Eu ficaria feliz por eles e, talvez um dia, eu também teria a minha chance, mas ela foi apenas uma vadia egoísta e egocêntrica!
Chegamos a uma das baladas mais quentes da cidade. Eu esperava que estivesse lotada num sábado à noite, e estava certa.
Mal conseguíamos nos mover através da multidão. A música era alta demais, o cheiro forte demais, a pista de dança abarrotada demais.
"Olha só quem está aqui." Bruna Periera, que eu chamava de Bruna a bruxa, percorreu meu corpo com o olhar, da cabeça aos pés. "Pensei que você só aparecesse no Halloween."
Ela era linda, sexy, com olhos castanhos e cabelos longos e ondulados, e tinha cinquenta mil seguidores no Instagram.
Eu já tinha visto sua bunda mais vezes do que a minha. Para ser justa, ela tinha uma bunda natural incrível.
"Oi, Bruna", cumprimentei com um sorriso.
Às vezes, eu sentia inveja e insegurança perto dela. Ela conseguia usar o vestido mais feio e fazer parecer que foi feito sob medida para ela. Às vezes, ela também era uma cretina, talvez na maior parte do tempo, mas era porque ela era confiante na própria pele.
"Ela odeia o Halloween, Bruna. Ficou traumatizada quando era criança por causa de uns valentões de máscaras."
"Só isso?", ela debochou. "Ou ela só não sabe se divertir."
Eu queria revirar os olhos e jogar algo no rosto bonito de Bruna, mas hoje à noite, escolhi a diversão em vez da minha raiva.
"Vou pegar umas bebidas pra gente, gata." Piper foi até o bar, me deixando sozinha com Bruna.
"Então, por que nosso chefe estava puto com você?", perguntou Bruna.
Eu não sabia por que não gostava dela. Inveja? Ou seu comportamento irritante simplesmente me tirava do sério.
Bruna ergueu sua sobrancelha perfeita para mim enquanto bebia uma Margarita, esperando minha resposta.
A questão era: quando foi a última vez que meu chefe não esteve puto com todo mundo?
Isso é tudo que está disponível no momento.
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