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Capítulo 2 Episódio 1: Prometida desde Menina
Alguns anos depois.
- Gaby é minha namorada. - Não sou, não! - É sim. Aos sete anos, Gabriela já havia aprendido que discutir com Beto podia ser uma tarefa cansativa. Dois anos mais velho, ele tinha a irritante mania de falar como se sempre soubesse mais do que ela. Naquela tarde, os três brincavam perto de casa, como faziam quase todos os dias. Fred, praticamente da idade de Beto, assistia à discussão com um sorriso divertido. Gabriela cruzou os braços e fez cara feia para Beto, que respondeu com a segurança de quem tinha certeza absoluta do que dizia. - Minha mãe falou. - Minha mãe falou que a gente vai casar. Não falou que eu sou sua namorada. - Se vai casar comigo, é minha namorada. Gaby pensou por alguns segundos. A lógica parecia boa, mas havia alguma coisa nela que não a convencia. - Mas eu não quero namorar agora. - Então namora depois. Fred caiu na gargalhada. - Vocês dois são muito doidos. Beto lançou um olhar atravessado para o amigo. - Você está rindo por quê? - Porque ela não quer namorar você. - Mas vai querer. - Como você sabe? - Porque ela é prometida para mim. Dessa vez, Gaby não contestou. Aquela palavra fazia parte de sua vida desde que conseguia se lembrar. Prometida. Às vezes era noiva. Outras vezes, futura esposa. Quando algum adulto queria deixar a história ainda mais bonita, ela e Beto eram chamados de predestinados. Gaby não sabia exatamente o que significava ser predestinada. Sabia apenas que, quando sua mãe e madrinha Alice contavam a história, todos sorriam. E ninguém deixava a promessa cair no esquecimento. - Cadê seu noivo, Gaby? - Beto, cuide da sua futura esposa. - Vocês ainda vão dar muita alegria para essas duas famílias. Gaby cresceu ouvindo aquilo. Beto também. Na infância, não parecia haver nada de errado. Eles eram amigos e estavam quase sempre juntos. Beto assumira naturalmente o papel de protetor: se Gaby caía, corria para ajudá-la; se alguém mexia com ela, aparecia para defendê-la; se atravessavam uma rua, segurava sua mão. E havia Fred, sempre por perto. Vizinho, amigo, companheiro de aventuras e, muitas vezes, responsável pelas ideias que acabavam colocando os três em confusão. - Eu ainda acho que ela não é sua namorada - insistiu Fred. - E eu ainda acho que você não tem nada com isso. - Tenho, sim. Ela também é minha amiga. Beto passou o braço pelos ombros de Gaby. - Mas vai casar comigo. Ela empurrou o braço dele. - Para de ser chato! Fred riu novamente, e Beto saiu correndo atrás dele. - Vem cá, seu palito! - Quero ver pegar! Gaby ficou olhando os dois se afastarem e balançou a cabeça. - Meninos... Mas logo correu atrás deles. Durante anos, foi assim: os três juntos, enquanto as famílias conviviam, as crianças cresciam e a promessa crescia com elas. Em uma cidade onde quase todo mundo conhecia quase todo mundo, a história também deixou de pertencer apenas às duas famílias. Os vizinhos sabiam, os amigos sabiam, na escola muita gente sabia. Beto e Gaby eram o casal que um dia se casaria. Mesmo antes de serem um casal. ***
Os anos mudaram algumas coisas. Outras, não. Gaby já não era mais a garotinha que corria atrás de Beto e Fred pelas ruas. E Beto percebeu isso antes que ela estivesse preparada para perceber. - Por que você está me olhando desse jeito? - Que jeito? - Esse. - Estou olhando normal. - Não está. Gaby tentou continuar andando, mas Beto segurou sua mão. Ela olhou para os dedos entrelaçados. Aquilo não era novidade. Eles haviam andado de mãos dadas durante boa parte da infância. O problema era que agora parecia diferente. - Gaby... - O quê? Beto se aproximou, e ela sentiu o rosto esquentar. - Você está vermelha. - Não estou. - Está. - Beto! Ele sorriu. Aquele sorriso a deixou ainda mais nervosa. - Posso beijar você? O coração dela disparou. Por um instante, Gaby teve vontade de rir. Ou correr. Talvez as duas coisas. Não porque nunca tivesse imaginado aquilo. Tinha imaginado muitas vezes. Afinal, desde pequena ouvia que Beto seria seu marido. A família, os vizinhos, até as brincadeiras repetidas durante a infância pareciam conduzi-la àquele momento. Beto era seu. Ela era dele. Sempre fora assim. Pelo menos era nisso que acreditava. - Pode. O primeiro beijo de Gaby foi tímido, desajeitado e breve. Quando se afastaram, Beto sorriu. - Agora você é minha namorada. Ela baixou os olhos, envergonhada. - Você não me pediu. - Precisa? - Claro que precisa! - Então tá. Beto soltou a mão dela, deu um passo para trás e fez uma reverência exagerada. - Gabriela Monteiro, prometida para mim desde antes de nascer, quer namorar comigo? - Idiota! Ele riu. - Isso é um sim? Gaby tentou esconder o sorriso. - É. Beto a abraçou. E, naquele momento, tudo pareceu estar exatamente onde deveria. O menino escolhido para ela desde o nascimento havia se tornado seu primeiro namorado, seu primeiro beijo, seu primeiro amor. Talvez as mães estivessem certas. Talvez algumas pessoas realmente nascessem destinadas umas às outras. ***
Fred soube do namoro antes mesmo que Beto contasse. - Finalmente! Gaby franziu a testa. - Finalmente o quê? - Agora pelo menos vocês são namorados de verdade. Eu já estava cansado de ouvir que vocês iam se casar. Beto bateu no ombro dele. - Invejoso. - Inveja de você? Nunca. - Está com inveja porque eu tenho namorada. - Posso arrumar uma quando quiser. - Então arruma. Fred deu de ombros. - Ainda não apareceu nenhuma que valha o trabalho. Gaby riu. - Convencido. - Realista. Beto puxou Gaby para perto. - Pode procurar à vontade. Essa aqui já é minha. - Eu não sou sua. - É minha namorada. - É diferente. Fred observou os dois discutirem e abriu um sorriso. - Vocês vão passar a vida inteira brigando por isso. - Por quê? - Gaby perguntou. - Porque o Beto acha que você veio ao mundo com o nome dele escrito na testa. - E não veio? - Beto provocou. Gaby lhe deu um tapa no braço, e os três riram. Parecia apenas mais uma brincadeira. Mas havia alguma verdade escondida nela. Beto crescera ouvindo que Gaby lhe pertencia ao futuro. E Gaby crescera acreditando que seu futuro pertencia a Beto. ............................ 💬 NOTA DA AUTORA
Gaby e Beto cresceram acreditando que um dia se casariam. Agora, a promessa começa a parecer amor. E você: acha essa história romântica ou perigosa? 👀 Se gostou do capítulo, deixe seu like/voto. ❤️ Nos vemos no próximo capítulo! Nelma de Paula
Lista de capítulos
10 capítulos no total
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