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Capítulo 3 Quero que você me aceite como sua esposa
Por um momento, um silêncio absoluto tomou conta da sala de estar.
Braydon mantinha o olhar em Caroline, com uma expressão indecifrável.
Ele achava que ela seria uma garota mimada, alguém que teve tudo a vida inteira e nunca passou pela menor dificuldade, então havia negado a ela uma cerimônia de casamento, cancelado as fotos e a proibido de passar pelo portão no primeiro dia de seu matrimônio.
Ao invés de desmoronar, surtar ou fazer uma cena, Caroline não procurou a família Palmer para pedir apoio.
Pelo contrário, ela simplesmente se jogou no sofá e se acomodou como se pretendesse ficar ali para sempre.
Essa atitude dela foi o suficiente para despertar o interesse de Braydon.
Caroline ergueu a cabeça e o encarou. "Braydon, sei que você não gosta de mim, mas estamos legalmente casados agora, então nossas vidas estão conectadas. Se não quer aceitar isso, tudo bem. Vou ficar bem aqui e esperar. Se você me rejeitar por um dia, esperarei por um dia. Se for por um ano, esperarei por um ano."
"Aceitar o quê?"
"Que eu sou sua esposa."
Braydon soltou uma risada e disse num tom casual: "Está bem, então vá em frente e espere."
Sem dizer mais nada, ele se virou e subiu as escadas.
Sozinha na sala de estar, Caroline abriu um leve sorriso.
Na verdade, ela não estava apenas esperando, mas sim fazendo uma aposta.
Pelo que se lembrava de sua vida anterior, ela conhecia Braydon bem demais.
Ele não cedia à pressão e as súplicas não significavam nada para ele. A única coisa que o intrigava era a curiosidade.
Desde que ela conseguisse despertar o interesse dele, mesmo que minimamente, ele começaria a prestar atenção nela.
Quando isso acontecesse, ela teria a chance de mudar tudo.
No andar de cima, Braydon abriu a porta do seu quarto.
Jared estava deitado na cama, absorto em seu celular. No momento em que notou Braydon, ele se levantou de um pulo. "E aí? Aquela mulher fez algum escândalo?"
Sem responder, Braydon se aproximou e se sentou no sofá ao lado da cama, depois se serviu de um copo de uísque.
Inclinando-se com curiosidade, Jared perguntou: "Ela chorou? Ligou para a família para reclamar?"
"Não."
"O que ela está fazendo?"
Braydon ergueu o copo e tomou um gole lento. "Está lá embaixo, sentada no sofá."
"Só isso?"
"Sim."
"Então ela está só sentada lá sem fazer nada?"
Um sorriso sutil se formou nos lábios de Braydon. "Ela está esperando que eu a aceite como minha esposa."
Logo, a manhã chegou.
Caroline havia passado a noite inteira no sofá.
Apesar de ser confortável, o sofá ainda não se comparava a uma cama de verdade.
Ao acordar, Caroline sentiu uma leve rigidez no pescoço.
Após se sentar e massagear o local dolorido, notou um copo de leite morno e um sanduíche arrumado na mesa.
Por um breve momento, ela hesitou.
De pé por perto, o mordomo se aproximou assim que a viu acordada, falando num tom mais respeitoso do que antes: "Senhora, o senhor Lewis providenciou o café da manhã para você."
A sobrancelha de Caroline se arqueou ligeiramente. "Ele mesmo providenciou?"
"Sim."
Estendendo a mão, Caroline pegou o leite e tomou um gole, notando que a temperatura estava perfeita.
Um leve sorriso tocou seus lábios, mas ela não disse nada.
No andar de cima, Braydon estava parado junto à janela do escritório, observando os funcionários se moverem enquanto limpavam o jardim lá embaixo.
A porta se abriu e Jared entrou, depois foi para o lado dele e olhou para baixo. "Então ela realmente ficou? Achei que ela só estava fazendo cena ontem à noite."
Braydon não respondeu.
Jared continuou a tagarelar: "Ela tem muita paciência. A maioria das mulheres já teria desmoronado e voltado correndo para casa depois de ser obrigada a dormir no sofá na primeira noite de casamento."
Braydon se afastou da janela e se sentou em sua mesa. "Isso não é paciência."
"Então como você chama isso?"
"Ela é esperta."
"Esperta? Como isso pode ser considerado esperteza?"
Braydon permanecia em silêncio, folheando os papéis que estavam na sua mão.
O arquivo que estava lendo continha os dados pessoais de Caroline.
Caroline era uma mulher inteligente. Ela sabia que as lágrimas não mudariam nada e que as reclamações seriam em vão, então escolheu uma abordagem completamente diferente.
Após tomar o café da manhã, Caroline pegou sua mala e subiu as escadas sem hesitar.
O mordomo fez menção de bloquear seu caminho, mas se conteve e a seguiu. "Senhora, o escritório do senhor Lewis fica no lado leste do segundo andar. Por favor, tome cuidado para não ir na direção errada..."
"Onde é o meu quarto?"
O mordomo hesitou por um momento antes de apontar para uma porta no final do corredor. "Aquele é o quarto do senhor Lewis. O quarto ao lado é para hóspedes."
Sem dizer nada, Caroline foi até o quarto de hóspedes e abriu a porta.
O espaço parecia completo, com mobília, embora tivesse um ar intocado de um quarto que ninguém jamais usara.
Após colocar a mala no chão e abri-la, ela começou a tirar suas roupas, as arrumando no guarda-roupa como se pertencesse a esse lugar.
Parado na porta, o mordomo parecia hesitante, as palavras presas na sua garganta.
Sem sequer olhar para trás, Caroline disse: "Se tem algo a dizer, diga."
"Senhora, o senhor Lewis tem um temperamento bem difícil. Se precisar de algo, talvez seja melhor falar comigo primeiro."
Caroline se virou e o encarou. "Então me deixe te perguntar uma coisa. Ele vai me aceitar como esposa?"
A pergunta o deixou sem palavras.
"Se ele não vai, então qual é o sentido de falar com você?"
Sem saber o que responder, o mordomo ficou ali, parado.
Voltando à sua tarefa, Caroline continuou a pendurar suas roupas, seu tom leve e despreocupado. "Não se preocupe. Não estou aqui para causar problemas. Vou viver minha vida normalmente. Quando estiver com fome, vou comer. Quando estiver cansada, vou dormir. Ele pode agir como se eu não existisse, e eu farei o mesmo."
Ao meio-dia, Caroline desceu para almoçar.
A sala de jantar era ampla, e a mesa estava posta com uma refeição elaborada.
Assim que terminou de comer sozinha, ela voltou para o quarto e tirou uma soneca.
Mais tarde, ela passeou pelo jardim e passou um tempo conversando com o jardineiro, aprendendo sobre as diferentes variedades de rosas.
Quando a hora do jantar chegou, Braydon não estava em lugar nenhum.
Sem questionar, Caroline comeu em silêncio e voltou para o quarto depois.
O segundo dia passou da mesma forma, e nada mudou no terceiro.
No quarto dia, Jared finalmente explodiu. "Sério, isso está me enlouquecendo! Estou aqui há quatro dias, mas não vi nada de interessante! Tudo o que vejo é aquela mulher passeando pelo jardim como se fosse sua rotina diária!"
Braydon levou a mão à têmpora, a massageando levemente.
Nem ele esperava que Caroline fosse manter isso por tanto tempo.
Nesses dias, ela não tentou procurá-lo nenhuma vez.
"Peça ao mordomo para trazê-la ao escritório", ele ordenou.
Se as coisas se arrastassem mais, ele imaginou que Jared poderia acabar se instalando ali por um bom tempo.
Quando o mordomo se aproximou apressado, Caroline estava do lado de fora, conversando com o velho jardineiro. "Senhora, o senhor Lewis gostaria de vê-la no escritório dele."
Caroline ergueu o olhar. "Agora?"
"Sim."
"Está bem."
Ajeitando seu vestido, Caroline o seguiu para dentro.
Quando chegaram ao escritório no andar de cima, o mordomo bateu levemente na porta.
"Entre." A voz de Braydon soou de dentro.
Abrindo a porta, o mordomo se afastou para deixar Caroline passar.
O escritório era espaçoso, com uma grande mesa posicionada em frente a altas janelas que iam do chão ao teto.
Sentado atrás da mesa, Braydon segurava uma caneta enquanto revisava alguns documentos.
Caroline parou na entrada ao invés de avançar.
Sem levantar a cabeça, Braydon disse: "Venha aqui."
Caroline se aproximou e parou do outro lado da mesa.
Deixando a caneta de lado, Braydon finalmente ergueu a cabeça e olhou para ela.
Sem maquiagem, ela parecia simples, mas impressionante. Um vestido azul-claro realçava sua silhueta, e seus longos cabelos caíam naturalmente sobre os ombros.
Comparada à última vez que a vira, ela parecia um pouco mais magra.
Braydon perguntou: "Está se adaptando bem?"
Caroline acenou com a cabeça. "Está tudo bem."
"Sem lágrimas?"
"Nenhuma."
"Nem reclamações?"
"Nenhuma."
Com os olhos fixos nela, Braydon a observou em silêncio antes de perguntar: "Você tem alguma ideia do que as pessoas estão dizendo sobre você agora?"
Caroline balançou a cabeça levemente. "Não."
"Estão dizendo que você foi rejeitada por mim na primeira noite de casamento, passou a noite no sofá e ainda assim escolheu ficar, fazendo um papel de boba completo."
Caroline apenas esboçou um leve sorriso. "Entendo."
"Só isso? É tudo o que tem a dizer?"
"O que mais eu deveria dizer?", Caroline respondeu, o encarando. "Se eu me importasse com esses boatos, não teria me casado com você."
Por um momento, Braydon apenas a encarou e soltou uma risada baixa.
Ele se levantou, contornou a mesa e parou bem na frente dela, sua altura tornando sua presença avassaladora.
Nesse momento, Caroline não pôde deixar de pensar que a reputação dele não era nenhum exagero. Ele governava Praginia com uma influência incomparável e transitava sem esforço entre os dois lados da lei, sendo um homem que todos temiam.
Em voz baixa, ele perguntou: "Caroline, o que você realmente quer?"
Caroline o encarou. "Quero que você me aceite como sua esposa."
Isso é tudo que está disponível no momento.
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