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Capítulo 3

Madison

Acordei como se tivesse sido atropelada por um caminhão — um caminhão bem sexy chamado Alexander Knight. Meu corpo doía em lugares que eu nem lembrava que existiam, e minhas coxas estavam cheias de hematomas da noite passada.

"Se recomponha, Madison", murmurei para mim mesma no espelho enquanto passava corretivo sob os olhos. Apesar dos meus esforços, a mulher que me encarava parecia completamente acabada.

O trajeto de metrô para o trabalho foi uma tortura. Cada solavanco e balanço me lembrava de como Alexander havia se movido dentro de mim, como suas mãos havia segurado meus quadris, como ele havia me chamado de Katherine.

Katherine... O nome ecoava na minha cabeça como um disco arranhado.

Passei a noite inteira pesquisando "Katherine Alexander Knight" no Google, mas não encontrei nada. Não que eu estivesse com ciúmes nem nada, mas por que eu teria ciúmes de alguém cujo nome meu chefe gemeu enquanto estava sob o efeito de sabe-se lá o quê?

A subida de elevador até o escritório pareceu mais longa do que o normal. Verifiquei meu celular várias vezes, rezando para que não houvesse nenhuma mensagem de Alexander. Não havia nada, graças a Deus!

Quando dei uma olhada no escritório de Alexander, o encontrei vazio. O alívio que me invadiu foi constrangedor.

Joguei-me na minha cadeira e enterrei o rosto nas mãos. "Está tudo bem, está tudo bem... Ele provavelmente nem se lembra. E se ele se lembrar, então... vou me mudar para a Antártida. Ouvi dizer que precisam de secretárias lá."

De repente, meu celular vibrou, o que me fez dar um pulo tão forte que meu joelho bateu na gaveta da mesa.

Esfreguei meu joelho enquanto verificava a mensagem — só um e-mail de spam sobre o aumento de alguma parte do corpo que eu não possuía.

A manhã se arrastou numa névoa de paranoia. Cada passo me deixava apreensiva como uma adolescente culpada. Às dez da manhã, os músculos do meu pescoço estavam rígidos como cabos de aço de tanto virar para olhar para a porta.

Minha caneca de café estava vazia, zombando de mim. Eu precisava de cafeína!

Peguei minha caneca e fui às pressas para a cafeteira da sala de descanso, já sentindo o gosto daquela doce salvação.

"Madison! A pessoa que eu queria ver!"

Quase deixei minha caneca cair ao ouvir o grito.

Stella, do departamento de contabilidade, apareceu ao meu lado, sorrindo como se tivesse acabado de descobrir uma sonegação de impostos nos livros da empresa.

"Oi, Stella." Concentrei-me em servir o café, tentando ao máximo para que minhas mãos não tremessem.

"Então...", ela começou, se apoiando no balcão com os olhos brilhantes. "Teve um encontro quente ontem à noite?"

O café transbordou da caneca. "O quê? Não. Por que você..."

"Esse chupão que você está exibindo é bem interessante." Apontando para o meu pescoço, ela continuou com um sorriso malicioso: "A menos que você tenha começado a lutar boxe nas suas horas vagas?"

Minha mão livre foi para o pescoço. O horror surgiu quando senti o ponto sensível logo abaixo da minha orelha, o local onde Alexander havia me marcado como um vampiro entusiasmado.

Minha mente estava mais acelerada do que minha viagem de metrô pela manhã. "Ah, isso? Foi meu modelador de cachos. Fui desastrada esta manhã."

Forcei uma risada que saiu como o gemido de um gato engasgado.

"Deve ser um modelador de cachos e tanto. Parece mais que alguém estava tentando te marcar..."

"Olhe a hora!" Olhei para o meu pulso nu, onde não havia relógio. "Aqueles relatórios de despesas não vão ser arquivados sozinhos!"

"Mas você nem terminou seu café..."

Deixei minha caneca no balcão e saí apressada em direção à saída com toda a graciosidade de uma girafa recém-nascida. Meus saltos batiam no chão de azulejo como um código morse para "Me ajude".

Joguei-me na cadeira da minha mesa, meu coração batendo como se eu tivesse acabado de correr uma maratona de salto alto. Minhas mãos tremiam enquanto eu tentava me recompor. O que eu estava pensando? Modelador de cachos? Sério isso? Poderia ter dito que foi uma noite de sexo casual! Isso teria sido um pouco mais convincente. Meu Deus, uma noite de sexo casual seria ainda mais desastroso!

Boatos sobre Alexander e eu circulavam desde que me tornei sua assistente pessoal. Já era ruim o fato de eu ter conseguido esse cargo depois de pouco tempo na empresa.

Todos achavam que eu havia dormido com ele para chegar ao topo, que eu havia aberto as pernas para ele para progredir. Apesar de todo o meu trabalho árduo, os boatos nunca pararam.

Colegas que antes eram amigos agora mal olhavam para mim. Suas conversas sussurradas paravam sempre que eu entrava na sala, substituídas por sorrisos forçados e um silêncio constrangedor.

Embora não quisesse esse emprego inicialmente, o aceitei por causa do salário alto, necessário para cobrir as despesas médicas da minha mãe.

Mas agora? A situação estava um caos total. Se alguém descobrisse o que aconteceu na noite passada, pensaria que os boatos eram verdadeiros e acreditaria que usei meu corpo para subir na carreira, algo que eu jamais faria.

Ninguém poderia descobrir que Alexander e eu havíamos dormido juntos. Só de pensar nisso, meu estômago se revirava. Rezei para que Alexander esquecesse tudo, apagando a memória como se nada tivesse acontecido.

Claro, eu sabia que não poderia me esconder dele para sempre. Mais cedo ou mais tarde, teria que encontrá-lo para trabalhar, mas esperava que o médico lhe diria que nada havia acontecido. E mesmo que ele se lembrasse de algo, iria procurar Katherine.

Toda mulher com quem Alexander dormia queria ser sua esposa. Então, se ele perguntasse a Katherine se ela estava com ele na outra noite, ela definitivamente diria que sim para se aproximar dele.

A sala de reuniões parecia menor do que o normal enquanto eu organizava os materiais da reunião, completamente ciente de que Alexander estava lá na ponta da mesa. Minhas mãos tremiam enquanto eu distribuía os relatórios financeiros, tomando cuidado para manter os olhos fixos nos papéis.

"Todos estão aqui?" A voz de Alexander me causou arrepios, a mesma voz que havia sussurrado coisas no meu ouvido dois dias atrás.

Cometi um erro fatal, pois arrisquei olhar para cima.

Seus olhos encontraram os meus e, de repente, eu estava de volta à sua cobertura, sentindo suas mãos na minha pele e sua respiração quente no meu pescoço. Meu rosto queimava como fogo!

"Senhorita Harper?"

Dei um pulo, quase deixando cair os relatórios restantes. "Sim, senhor Knight?"

"As projeções trimestrais?"

Certo... Trabalho... Profissionalismo... Eu conseguiria fazer isso.

Folheei meus papéis, fazendo um esforço para que meu coração acelerado se acalmasse.

"Aqui estão." Minha voz saiu mais aguda do que a de um rato numa fábrica de queijos.

As sobrancelhas de Alexander se franziram. "Está se sentindo bem? Você está corada."

Claro que eu estava corada, né?

"Só está quente aqui." Puxei a gola da minha blusa, expondo acidentalmente a marca que estava desaparecendo no meu pescoço.

Seus olhos se desviaram para o local, depois voltaram para os relatórios sem qualquer reconhecimento.

Nada... Nem um lampejo de lembrança da nossa noite apaixonada...

A reunião se arrastou, e fiz anotações mecanicamente, lançando olhares para Alexander entre os tópicos.

Ele estava completamente à vontade, discutindo as margens de lucro como se não tivesse abalado meu mundo dois dias atrás.

A reunião finalmente terminou, mas meu alívio durou pouco, porque Alexander me chamou para seu escritório com um aceno de dedo.

Minhas pernas se transformaram em gelatina enquanto eu o seguia.

Ele se sentou na sua cadeira de couro como um rei no seu trono, enquanto eu ficava perto da porta como uma adolescente culpada.

O sol da manhã que entrava pelas janelas altas o banhava com um brilho angelical. Injusto! O homem parecia ter acabado de sair de uma sessão de fotos de revista, enquanto eu lutava contra a vontade de fugir.

"Feche a porta, senhorita Harper."

Obedeci, com a mão trêmula na maçaneta. Era isso... Ele se lembrava de tudo e estava prestes a me demitir, ou pior, me assediar? Eu não sabia qual dos cenários me aterrorizava mais.

"Sente-se", ele disse, apontando para a cadeira em frente à sua mesa.

Sentei-me na beirada, pronta para sair correndo a qualquer momento. O couro rangia sob mim, revelando meu nervosismo.

Alexander mexia em alguns papéis sobre a mesa, com uma expressão indecifrável.

"Notei algo preocupante." Ele ergueu os olhos, e seus olhos azuis me penetraram.

Ele se lembrava de tudo... Eu seria demitida, humilhada e provavelmente acabaria em algum programa de TV chamado "Dormi com meu chefe".

"Você não fez o check-in ontem quando eu estava ausente."

Peraí, o quê? De todas as coisas que poderia ter dito, ele escolheu isso?

"Como minha assistente, espero que você mantenha contato, principalmente durante ausências inesperadas." Seu tom carregava a autoridade característica de Alexander Knight, que faria os membros do conselho se encolherem e os concorrentes suarem.

Minha boca se abriu e fechou como a de um peixe fora d'água. Como deveria responder? 'Desculpe por não ter feito o check-in, mas eu estava ocupada tendo uma crise existencial depois do nosso encontro intenso, onde você me chamou pelo nome de outra mulher'?

"Peço desculpas, senhor Knight. Achei que..." Achei que você estivesse dormindo depois do que aconteceu entre nós. Achei que você precisasse de espaço. Pensei em muitas coisas, mas nenhuma delas eu poderia dizer em voz alta.

"Você achou o quê?" O olhar penetrante de Alexander fez meus neurônios cometerem suicídio em massa.

"Achei que... bom..." Minha boca estava mais seca do que o Saara. O que poderia dizer?

Nesse momento, o toque estridente de um celular cortou a tensão, ecoando pelo escritório como um coro de anjos. Obrigada, universo misericordioso!

Isso é tudo que está disponível no momento.

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  1. Capítulo 1Capítulo 1
  2. Capítulo 2Capítulo 2
  3. Capítulo 3Capítulo 3

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