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Capítulo 2 Amanhecer entre Nós
A luz do sol ainda era suave, dourada e difusa, filtrando-se pelas cortinas leves de linho branco daquela suíte extraordinária. O quarto estava em silêncio, apenas interrompido pela respiração calma e ritmada que preenchia o espaço. O amanhecer chegava devagar, pintando o céu de tons perolados e rosa pálido, como se o mundo inteiro ainda estivesse despertando com delicadeza. Rodolfo abriu os olhos primeiro. Ficou imóvel por um instante, apenas admirando a cena diante de si: Cassandra dormia serenamente aninhada contra seu peito, nua em seus braços, sua pele macia aquecida pelo contato dele, os cabelos espalhados sobre o travesseiro como fios de ouro, e aqueles olhos azuis fechados, descansados e tranquilos. Ela parecia uma obra de arte, algo precioso e raro que ele havia tido a sorte de encontrar. Ele sentiu o coração se encher de uma ternura que jamais imaginara ser capaz de sentir. Com extremo cuidado, aproximou os lábios e beijou-lhe a têmpora, depois a bochecha, descendo devagar até o pescoço, provocando-a com carinhos leves e insistentes, até que ela começou a se mexer levemente, despertando. - Tigresa... acorda. Vamos tomar banho juntos - sussurrou ele, beijando-lhe os ombros nus. Ela abriu os olhos devagar, ainda pesados de sono, olhou para ele com um ar sonolento e manhoso, e virou o corpo de costas para ele, enroscando-se nos lençóis como se fosse se esconder. - Não quero... Você sabe que odeio acordar cedo - murmurou ela, a voz abafada contra o travesseiro. Rodolfo sorriu, deslizando a mão sobre a curva do quadril dela, subindo lentamente pela cintura, com um toque que fazia arrepiar a pele. - Se você não acordar agora, juro que irei entrar em você... e não vou parar, mesmo que você implore - sussurrou ele, a voz rouca e grave bem ao ouvido dela, enquanto seus dedos traçavam caminhos que faziam seu corpo reagir antes mesmo que sua mente decidisse. Cassandra soltou um suspiro entre resignação e diversão, virando o rosto para ele com um sorriso preguiçoso e provocador. - Rodolfo, você é um homem muito, muito tarado... Você acabou comigo a noite toda - queixou-se ela, toda manhosa, mas sem afastar-se nem um centímetro. Ele riu alto, um riso quente e satisfeito, e a puxou de encontro ao seu peito, envolvendo-a completamente em seus braços. - Eu te avisei - sussurrou ele contra a orelha dela, mordiscando-a com suavidade mas com intenção clara. Ela soltou um gemido baixinho, involuntário, e nesse instante ele a penetrou devagar, fazendo-a arquear as costas e soltar um gemido abafado contra seu ombro. - Rodolfo... seu cachorro no cio... - sussurrou ela, a voz abafada mas com um brilho de desejo nos olhos, enquanto ele aprofundava o movimento, forte e preenchendo-a por inteiro. - Me chame de amor - pediu ele, parando por um instante, olhando nos olhos dela com um brilho de pura luxúria e intensidade. - Amor... - sussurrou ela, e ele balançou a cabeça levemente, sem se mover ainda, esperando. - Amor... mais forte... amor - disse ela, com a voz mais sedutora, mais firme, chamando-o por aquilo que ele era para ela. Foi o suficiente para ele perder qualquer resquício de contenção. O movimento tornou-se mais intenso, mais rápido, mais possessivo - cada toque, cada impulso dizendo claramente: você é minha. - Porra... caralho, tigresa... você sabe exatamente como me deixar louco - rosnou ele, perdido naquele momento. Cassandra soltou um gemido longo e agudo, afundando as unhas nas costas dele, deixando ali marcas vermelhas, arranhões que o fizeram gemer alto, misturando prazer e uma intensidade que os consumia. Ele aprofundou o beijo, suas línguas se encontrando e se entrelaçando ofegantes, cada respiração curta, cada toque queimando a pele. O mundo lá fora deixou de existir; só restavam os dois, num ritmo que os levou juntos, crescente e inevitável, até finalmente chegarem ao ápice, gozando juntos, ofegantes, corações batendo descompassados, colados um ao outro, exaustos e profundamente conectados. Minutos depois, quando a respiração voltou a se acalmar, Rodolfo a envolveu nos braços e levantou-se com ela nos braços, como se ela não pesasse nada. Ela apoiou a cabeça em seu ombro, ainda sentindo o eco daquele momento em cada nervo do corpo. Ele caminhou até o banheiro da suíte, onde a banheira redonda de mármore branco já estava pronta, com água morna e um leve vapor subindo dela, perfumada com óleos suaves que encheram o ar com um aroma suave e acolhedor. - Vamos continuar na banheira - propôs ele, com um sorriso que prometia muito mais do que apenas limpeza, beijando-lhe a testa com carinho. Cassandra sorriu, correspondendo ao beijo, e envolveu sua cintura com as pernas, descendo lentamente para dentro da água junto com ele, sabendo que aquele amanhecer estava longe de terminar.
Depois de mais um momento só deles, entre beijos e carinhos na água morna da banheira, Cassandra saiu primeiro e foi até seu closet - um cômodo tão grande que parecia uma loja inteira de grife, inteiramente dela. As paredes eram revestidas de madeira clara com portas de vidro iluminadas por dentro, mostrando cada peça com elegância. No centro, um amplo balcão de mármore branco exibia joias em suportes de veludo escuro: colares com pérolas naturais e diamantes brilhantes, pulseiras de ouro branco, brincos que captavam a luz com um brilho suave e anéis de pedras preciosas de todos os tons, cada um em seu próprio espaço, como tesouros cuidadosamente guardados. De um lado, fileiras e mais fileiras de sapatos: sapatilhas delicadas, scarpins de salto alto em verniz e couro, sandálias com detalhes em strass e fivelas de ouro, todos organizados por cor e estilo, em prateleiras que iam do chão ao teto. Do outro lado, bolsas de todas as formas e tamanhos: modelos clássicos em couro legítimo, outras mais chamativas com pedrarias e bordados, pequenas bolsas de festa e malas de viagem de marca famosa, alinhadas com perfeição. E no fundo, cabideiros recheados de vestidos: seda, algodão egípcio, renda francesa, tecidos leves e fluidos ao lado de peças estruturadas e sofisticadas - cada um deles escolhido para fazer Cassandra se sentir linda, única e confiante. O chão era de um carpete macio que afagava os pés, e um espelho inteiro, com moldura simples e elegante, cobria uma das paredes, refletindo tudo com clareza. Era um espaço que respirava luxo, mas também cuidado - um mundo inteiro feito só para ela. Rodolfo apareceu na porta alguns minutos depois, já vestido com uma calça social e uma camisa branca de algodão de alta qualidade, os botões fechados com precisão. Ele se aproximou e a abraçou por trás, pousando os lábios na curva delicada do pescoço dela. - Vamos tomar café da manhã juntos? Depois preciso ir para a empresa, tenho algumas reuniões importantes hoje - sussurrou ele, com a voz suave contra sua pele. Cassandra sorriu para o espelho e pegou um vestido leve, de tecido macio com um estampado floral suave, cores claras e alegres que combinavam com a luz da manhã que entrava pela janela. Virou-se para ele, estendendo a peça. - Me veste - pediu ela, simplesmente, com um brilho brincalhão nos olhos azuis. Rodolfo soltou uma risada baixa e calorosa. Pegou o vestido com cuidado, ajudou-a a vestir, passando as mãos com calma pelo corpo dela ao acomodar o tecido sobre os ombros, na cintura, deixando seus toques serem sentidos mesmo através do tecido. Depois escolheu um colar delicado com uma pequena safira azul que brilhava perfeitamente no pescoço dela, e ajoelhou-se para calçar-lhe os sapatos - um par de sapatilhas brancas com um pequeno laço. Ao se levantar, não a soltou: simplesmente a pegou nos braços como se ela não pesasse absolutamente nada. - Assim vamos mais rápido - disse ele, diante do olhar divertido dela. Ele a levou até a sala de jantar, onde a mesa já estava posta com louça branca de porcelana fina, copos de vidro cristalino e uma variedade de frutas frescas, pães quentes, sucos naturais, café recém-passado e geleias em potes de vidro. Marta e a outra empregada estavam organizando os últimos detalhes e cumprimentaram os dois com um sorriso respeitoso. Já não se surpreendiam em ver Rodolfo carregando Cassandra nos braços ao invés de deixá-la andar - era assim que ele gostava de estar perto dela, e para eles, aquilo era simplesmente natural. Rodolfo a sentou com cuidado em uma das cadeiras, mas permaneceu de pé ao seu lado por um instante, virando-se para Marta com uma expressão séria, embora não ríspida. - Marta, por favor, reforce a alimentação da senhorita Cassandra. Garanta que ela esteja comendo bem durante o dia - pediu ele, com firmeza. - A minha alimentação está ótima, Rodolfo - protestou Cassandra, com um tom entre divertido e resignado, mas ele simplesmente ignorou seu comentário e continuou olhando para Marta, esperando a confirmação. - Pode deixar, senhor Rodolfo, vou cuidar pessoalmente disso - garantiu Marta com um aceno discreto e se afastou um pouco, deixando os dois a sós na mesa. Rodolfo finalmente sentou-se ao lado dela, apoiou o queixo na mão e a observou com um sorriso terno e atento. - Percebi que está mais magra - disse ele, avaliando-a com aquela atenção que só ele parecia ter. Cassandra revirou os olhos, mas sorriu, pegando uma fatia de melão. - Amor, você é exagerado. Aliás, sabe que vou viajar daqui a uma semana? Semana de Moda em Milão - lembrou ela, olhando-o com cuidado, sabendo exatamente qual seria a reação dele. Rodolfo franziu a testa imediatamente, o semblante mudando de doce para uma pontinha de possessividade evidente. - Cassandra Fonseca, você sabe muito bem que odeio quando você quer viajar sozinha - disse ele, a voz mais baixa, com aquele tom de quem não gosta nem um pouco da ideia. - Só que não vou viajar sozinha - corrigiu ela, suave mas firme. - Vou estar com minha amiga Yasmin, você conhece ela. E além disso... seus homens vão estar de olho em mim vinte e quatro horas por dia, não vão? - lembrou ela com um sorriso doce, sabendo que ele jamais a deixaria desacompanhada sem proteção. Afinal, ela era sua namorada, e ele era um dos homens mais poderosos e conhecidos do país. Segurança nunca era demais, para alívio dele e para o desconforto ocasional dela. Rodolfo suspirou, estendeu a mão e entrelaçou seus dedos nos dela sobre a mesa, apertando com carinho mas também com firmeza, como se estivesse marcando seu território mesmo ali, entre pães e frutas, na tranquilidade daquela manhã. - Vinte e quatro horas - repetiu ele, olhando fundo nos olhos azuis dela. - E se precisar de qualquer coisa... qualquer coisa mesmo... eu estou a um telefonema de distância. Não importa a hora, não importa o lugar. Você me entende? - Perfeitamente, meu amor - sussurrou ela, levando a mão dele aos lábios e beijando-lhe os dedos um por um, sabendo que aquela viagem seria um teste para ambos - para ela, de independência; para ele, de confiança e de aprender a soltar as rédeas, nem que fosse por alguns dias. Mas nenhum dos dois sabia ainda que, enquanto eles tomavam café tranquilamente naquela cobertura ensolarada, outras pessoas já falavam sobre aquela viagem - e sobre ela - em salas muito diferentes dali.
Lista de capítulos
32 capítulos no total
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