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Capítulo 3 O Encontro no Restaurante

O sol já estava alto quando Rodolfo Vasconcelos entrou no saguão principal da sede do Grupo Vasconcelos. O prédio, um arranha-céu de vidro e aço no coração financeiro da capital, era um símbolo de poder e solidez. Assim que ele passou pelas portas automáticas, a recepção inteira se movimentou com respeito discreto. Os seguranças postados nas laterais endireitaram a postura imediatamente, acenando com a cabeça em sinal de reverência que ele retribuiu com um aceno suave, mas sem parar. Ele caminhava com passos firmes e decididos, terno perfeitamente ajustado, a presença imponente que fazia todos saberem: o patriarca havia chegado. No andar executivo, duas secretárias estavam de prontidão em suas mesas amplas, organizando agendas e documentos. Ao vê-lo, ambas se levantaram educadamente. - Bom dia, senhor Rodolfo - disseram em uníssono. - Bom dia - respondeu ele, breve mas cortês, sem reduzir o ritmo. - Pai... - chamou uma voz feminina, suave mas cheia de expectativa. Ele parou no meio do caminho, virando-se lentamente. Luciana vinha ao seu encontro, vestida com elegância profissional, os cabelos bem arrumados, o olhar brilhante. Ela parou diante dele com um sorriso confiante. - Já finalizamos a campanha de promoção para a rede de hotéis - informou ela, com orgulho na voz, assumindo seu papel de Diretora de Publicidade com naturalidade. Rodolfo assentiu, avaliando-a com aprovação. - Ótimo. Mande para minha secretária. Vou dar uma olhada e vejo se será aprovada ou não - disse ele, e já ia seguindo em direção ao elevador exclusivo que ficava no fundo do corredor, com acesso direto apenas ao seu escritório na cobertura. - Pai... - chamou ela de novo, um pouco mais alto, indo atrás dele. Ele parou virado de lado, uma mão já sobre o painel do elevador. - Será que podemos jantar juntos hoje? Só nós dois? Ele hesitou por um instante, e a resposta saiu mais curta do que pretendia: - Eu já tenho um compromisso hoje. O sorriso de Luciana esmaeceu um pouco. - Será que o senhor não pode nem jantar com sua própria filha uma vez ou outra? Sempre tem que estar grudado naquela... - ela cortou a frase de repente, mordendo o lábio inferior. Sabia muito bem que seu pai não tolerava que falassem mal de Cassandra. O silêncio pesou por um segundo. Rodolfo suspirou, fechando os olhos brevemente, e quando os abriu, havia resignação mas também um claro aborrecimento em seu semblante. - Está bem. Podemos ir jantar - disse ele. - Obrigada, pai! - respondeu ela, radiante novamente, ignorando completamente o tom de cansaço na voz dele. - Até mais tarde então! Ele apenas acenou e entrou no elevador. As portas se fecharam e ele fechou os olhos por um instante, apoiando a cabeça no revestimento de madeira escura. Sentia que estava sendo puxado para dois lados, e não gostava daquela sensação. Enquanto isso, já no seu escritório amplo e moderno, Luciana digitava rapidamente no celular, com um sorriso satisfeito nos lábios: Consegui! Ele vai jantar comigo hoje. Vai ser perfeito, Laura. Você tem que estar lá. Aquela garota não tem a menor ideia do que significa estar ao lado de um homem como meu pai. Vocês pertencem ao mesmo mundo - classe, tradição, família. Ela? Não passa de uma menina sem raízes que só quer gastar o dinheiro dele. Uma oportunista, e ele vai acabar vendo isso. Eu vou fazer ele ver.   No escritório da cobertura, imerso em silêncio e com vista para toda a cidade, Rodolfo mal havia se acomodado em sua poltrona quando o telefone tocou. Ele sorriu ao ver o nome na tela: Adrian - Filho. - Alô, filho! Quais são as novidades da construtora lá fora? - perguntou ele, atendendo com entusiasmo. A voz do outro lado era firme, controlada, inconfundivelmente seu filho mais velho. - Tudo correndo conforme o planejado, pai. Fechamos mais dois contratos importantes na Europa. A filial está sólida e lucrativa - respondeu Adrian, direto ao ponto, sem floreios. Era assim que sempre haviam sido: negócios primeiro, depois tudo o mais. - Excelente. Sempre soube que podia confiar em você - elogiou Rodolfo, com genuína satisfação. - Você fez um trabalho extraordinário lá. - Obrigado. Mas tenho notícias: estarei de volta ao país em três semanas - anunciou Adrian. Rodolfo sorriu de verdade, recostando-se confortavelmente na cadeira. - Finalmente você vai estar de volta. Não vejo a hora de deixar todo esse peso nos seus ombros. Pretendo passar a presidência do Grupo para você em breve, assim você assume tudo de uma vez - revelou ele, algo que já vinha planejando há tempos. - Estou pronto - foi a resposta simples e confiante de Adrian. - E... pai? Espero que quando eu estivermos frente a frente, possamos conversar sobre algumas mudanças. A empresa precisa de uma direção mais firme, mais moderna em alguns aspectos. Mas isso discutimos pessoalmente. - Combinado. Estou esperando por você - disse Rodolfo. A conversa seguiu por mais quinze minutos: números, projeções, estratégias de expansão, contratos futuros. Tudo profissional, preciso, eficiente. Adrian sabia sobre o relacionamento do pai - não era segredo para ninguém -, e embora não aprovasse, não mencionou Cassandra uma única vez. Para ele, aquilo era um desvio temporário, um capricho passageiro de um homem solitário. E quando voltasse, as coisas voltariam aos seus devidos lugares. Ele garantiria isso. Quando a ligação terminou, Rodolfo ficou olhando pela janela, os olhos perdidos nas luzes da cidade lá embaixo. Três semanas. Em três semanas Adrian estaria de volta, e tudo mudaria. Ele sabia disso. Mas o que ele ainda não imaginava era que a presença do filho mais velho não significaria apenas uma nova fase nos negócios - mas também o início de um turbilhão que ninguém ali estava preparado para enfrentar. O restaurante escolhido por Luciana era um dos mais exclusivos e sofisticados da cidade, escondido em uma rua arborizada e tranquila do bairro nobre. A fachada era discreta, em pedra clara com pouca iluminação externa, e ao entrar, o ambiente envolvia os visitantes em uma atmosfera de elegância acolhedora: paredes revestidas de madeira escura polida, luzes suaves em tons dourados que vinham de arandelas de latão, mesas cobertas com toalhas brancas impecáveis e arranjos simples de flores frescas em cada canto. O piso era de madeira escura brilhante, e o silêncio era interrompido apenas por uma suave música clássica ao fundo e o som discreto de taças sendo manuseadas. Era um lugar tradicional, frequentado pela alta sociedade, onde discrição e requinte caminhavam lado a lado. Rodolfo chegou pontualmente. Estava vestido com um terno de linho italiano cor azul-marinho, cortado sob medida, que realçava sua postura imponente e elegante. A camisa branca por baixo era de algodão de fio longo, com os dois primeiros botões abertos, dando um ar refinado sem ser excessivamente formal. No pulso esquerdo, um relógio clássico de ouro branco com mostrador em tom de pérola - uma peça herdada de seu pai - e nos dedos, apenas uma aliança simples de ouro, que ele ainda usava por respeito à esposa falecida. Os sapatos de couro marinho eram polidos até brilharem suavemente, e seu perfume, uma fragrância amadeirada e sofisticada, deixava um rastro sutil e inesquecível por onde passava. Aos cinquenta e cinco anos, ele comandava todos os olhares com sua presença serena e poderosa. Ao vê-lo se aproximar da mesa, Luciana sorriu abertamente e se levantou. - Pai, você está muito bonito e elegante, como sempre - elogiou ela, com genuína admiração. Rodolfo sorriu, um sorriso educado e afetuoso, e puxou a cadeira para ela se sentar, fazendo-o com a cortina de um verdadeiro cavalheiro. - Você também está muito bonita, minha filha - respondeu ele, tomando seu lugar à sua frente. O garçom aproximou-se logo em seguida, trazendo os cardápios encadernados em couro marinho. Rodolfo nem precisou ler o seu; conhecia o local tão bem quanto os próprios gostos de sua filha. - Para mim, um filé mignon ao molho de vinho tinto, com purê de batata com trufas e legumes salteados - pediu ele com tranquilidade. - E para a senhorita, salmão grelhado com ervas finas, acompanhado de arroz de amêndoas e salada verde com molho de limão siciliano. Ela não gosta de molhos muito encorpados e prefere peixes às carnes vermelhas - explicou ao garçom, olhando para Luciana com um brilho carinhoso nos olhos. - E uma garrafa de água mineral com gás e um suco de laranja natural para ela, por favor. - Perfeito, senhor Vasconcelos. Em instante os pedidos chegam - disse o garçom, recolhendo os cardápios. Naquele momento, uma voz suave e bem-posicionada soou ao lado da mesa: - Que coincidência encontrar vocês aqui. Rodolfo levantou o olhar. Laura Valente estava ali, com um sorriso doce e educado nos lábios. Tinha trinta e cinco anos, postura elegante e porte de quem nasceu em um berço de ouro. Era uma mulher bonita: traços suaves, cabelos castanhos bem cuidados que caiam em ondas leves até os ombros, olhos castanhos claros e um jeito sereno que inspirava confiança. Usava um vestido midi de tom bege-claro, de tecido fluido e corte clássico, com brincos pequenos de pérolas e sapatos de salto baixo e elegantes. Era, sem dúvida, uma mulher atraente e refinada - mas não havia como negar: faltava-lhe aquele brilho magnético, aquela intensidade rara que Cassandra possuía. A beleza de Laura era agradável e segura, mas não extraordinária; não prendia o fôlego da mesma forma arrebatadora. Ela era exatamente o que a sociedade esperava: correta, discreta, bem-educada. - Como tem passado, Laura? - perguntou Rodolfo, levantando-se com cortesia para cumprimentá-la com um leve aperto de mão, tratando-a com a mesma gentileza que usaria com uma velha amiga da família. - Muito bem, obrigada - respondeu ela, retribuindo o sorriso. - Laura, você está sozinha? Se quiser, pode se juntar a nós - convidou Luciana, lançando um olhar rápido e quase imperceptível para Laura, antes de virar o rosto para o pai. Rodolfo não dissera nada, mas percebeu de imediato: aquela coincidência não era coincidência nenhuma. Era um arranjo cuidadosamente planejado. Ele suspirou internamente, mas manteve a compostura. - Tem certeza? Não vou atrapalhar? - perguntou Laura, com uma pontinha de timidez fingida, olhando diretamente para Rodolfo. - Para mim está tudo bem - disse ele, direto e honesto, sem muito entusiasmo mas sem ser rudo. - Sente-se, por favor. Ele pegou o cardápio que o garçom havia deixado e entregou a ela. Laura pediu uma salada de folhas nobres com queijo de cabra e um copo de água sem gás. Quando os pratos chegaram, os três conversaram com tranquilidade: trabalho, eventos sociais, projetos da família. Luciana falou animadamente sobre a nova campanha publicitária, Laura fez observações inteligentes e elogiosas, e Rodolfo participou da conversa com educação, embora sua mente estivesse em outro lugar - em uma certa jovem de olhos azuis que provavelmente estaria reclamando de ter que esperar ele chegar em casa. Foi quando ele levantou a cabeça para pegar seu copo de água que o mundo pareceu parar por um instante. Ali, na entrada do restaurante, acabara de entrar Cassandra. Ela estava deslumbrante: um vestido justo de alças finas, cor azul-marinho que fazia seus olhos brilharem ainda mais intensos, cabelos soltos e brilhantes, e um brinco longo de safira que captava a luz a cada movimento. Ao seu lado, Yasmin, sua melhor amiga, também vestida com elegância, mas era Cassandra quem atraía todos os olhares - exceto os de Rodolfo, que já estavam nela desde o segundo em que ela pisara no salão. Cassandra o viu imediatamente. E então, seus olhos percorreram a mesa e pararam em Laura, que sorria para algo que Luciana havia dito, sentada ao lado de Rodolfo. O sorriso de Cassandra desapareceu por completo. Seus olhos azuis escureceram como o mar antes de uma tempestade, e seus lábios se apertaram em uma linha firme. - Cachorro desgraçado... - sussurrou ela, tão baixo que apenas Yasmin conseguiu ouvir, com uma raiva contida que fazia tremer a ponta de seus dedos. Sem hesitar, ela passou direto pelo corredor principal, ignorando os olhares dos outros clientes, e foi até uma mesa reservada e mais afastada, próxima à janela mas ainda assim com uma visão perfeita da mesa onde Rodolfo estava. Ela se sentou de costas para eles, mas com o pescoço levemente virado - de modo que podia ver tudo, cada gesto, cada sorriso, cada vez que Laura se inclinava um pouco mais perto dele do que deveria. Rodolfo não comeu mais uma garfada sequer. Ele sabia que ela estava ali. Sentia o olhar queimando em suas costas, intenso e furioso. E ao mesmo tempo que queria rir daquela possessividade deliciosa, sabia que aquela noite estava longe de ter terminado tranquilamente.

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Lista de capítulos

32 capítulos no total

  1. Capítulo 1Capítulo 1 O Entardecer e a Tigresa
  2. Capítulo 2Capítulo 2 Amanhecer entre Nós
  3. Capítulo 3Capítulo 3 O Encontro no Restaurante

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