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Capítulo 1 ⚔️A BATALHA NO GALPÃO

Quando o destino escreve a história, tudo se torna inevitável.

VALENTINA CASTIÊ BRATVA 👠

A noite desceu sobre Moscou como uma sentença. O céu estava pesado, tingido de aço, e o vento arrastava consigo o cheiro da chuva misturado à pólvora que sempre pairava nesta cidade amaldiçoada. Moscou dormia... mas o submundo estava acordado. E eu também.

O galpão da família Bratva um dos nossos mais valiosos arsenais parecia silencioso, mas por dentro fervia como o coração de uma besta. Era mais do que um depósito de armas; era símbolo de domínio. E todos os símbolos de poder atraem inimigos.

Eu já sabia quem viria.

⚜️REUNIÃO NA MANSÃO BRATVA

O relógio marcava 22h quando entrei na sala de reuniões. O cheiro de charuto e uísque envelhecido pairava no ar. Meu pai, Mikhail Bratva, estava à cabeceira, as mãos apoiadas na bengala, observando cada um de nós com aquele olhar que nunca envelheceu. O velho tinha 83 anos e ainda impunha medo. Mas até ele sabia, eu era o cérebro agora. E ele, apenas o nome que sustentava o império.

- Eles virão esta noite. Minha voz soou firme, fria, quase sem emoção. Todos os olhares se voltaram para mim.

- Os Marazano querem nosso galpão. E acham que podem invadir o território da Bratva sem pagar o preço.

Sergei, meu irmão mais velho, me lançou um olhar descrente. - Tem certeza disso, Valentina? Essas informações podem ser armadilha.

- Não são, respondi, encarando-o de volta. Vieram direto do meu contato infiltrado na Itália. Fernando Marazano está liderando o ataque pessoalmente.

O nome dele cortou o ar como uma lâmina. Fernando. O herdeiro do império Marazano. O homem que jurou exterminar cada traço da nossa família.

Meu pai bateu com a bengala no chão, o som ecoou pela mesa. - Então o inevitável chegou, murmurou ele. Que os lobos provem o gosto do sangue.

Olhei fixamente para ele. - Vou liderar a defesa, anunciei. E desta vez, pai, não vai sobrar ninguém pra contar o que viu.

Mikhail me analisou por um longo instante. Sabia que eu não era como Sergei ou Dmitri. Eu não errava. Eu matava rápido, e fazia parecer arte.

- Então vá, disse ele, por fim. Mas lembre-se: os Marazano não lutam por poder. Lutam por orgulho. E orgulho é sempre mais perigoso que uma arma.

Um sorriso frio se formou em meus lábios. - Eles que aprendam o que acontece quando desafiam a filha da Bratva.

⚜️ O GALPÃO

A madrugada nasceu coberta por nuvens grossas. Meu corpo estava vestido de preto, o cabelo preso e coberto pela touca e máscara preta, só meus olhos azuis de fora. Eu não era Valentina agora. Eu era Sombra Negra.

O codinome havia se espalhado como uma lenda entre as máfias, um fantasma que eliminava homens sem ser vista. E naquela noite, eu seria o pesadelo dos Marazano.

Pelo comunicador, dei a última ordem. - Posições. Ninguém dispara até meu comando.

Meus homens, doze ao todo, se espalharam como sombras ao redor do galpão. O som distante de passos se aproximava. Estavam vindo.

A respiração ficou ritmada. Meus dedos acariciaram o gatilho com calma. E então, o som metálico do portão sendo arrombado cortou o ar.

Fernando Marazano apareceu. Frio, letal, com o mesmo olhar arrogante que eu lembrava de anos atrás, após eu ter o derrotado em outra batalha e em seu olhar havia um homem feito de ferro e ódio.

Ele achava que o ataque seria rápido. Que sairia daqui com nossas armas e a glória de humilhar os Bratva. Que pena.

- Agora, sussurrei.

O inferno se abriu.

As luzes explodiram com o primeiro disparo. O som dos tiros ecoou como trovões dentro do galpão, e as sombras se moveram com precisão assassina. Meus homens atiravam com sincronia perfeita. Um, dois, três... e os gritos começaram.

Vi um dos capangas de Fernando cair com um tiro na garganta. Outro tentou recuar, mas uma lâmina atravessou o pescoço antes que pudesse gritar. A fumaça enchia o ar, e eu me movia entre ela silenciosa, mortal, invisível.

- Merda, é uma emboscada! ouvi alguém berrar. E então o som de mais tiros, mais sangue, mais corpos no chão.

Fernando reagia, tentando comandar o caos, mas o caos já era meu. Meu território, minhas regras.

Atirei sem hesitar, atingindo o ombro de um dos seus tenentes. Vi o olhar de Fernando se voltar pra mim não de medo, mas de reconhecimento. Algo dentro dele pareceu entender, mesmo antes da máscara cair.

O confronto foi rápido, brutal, inevitável. Disparei. Ele desviou. Ele avançou. Eu chutei, atirei, errei. O metal frio da arma dele reluziu quando o impacto me atingiu no ombro.

A dor queimou, mas eu não gritei. Cair de joelhos, respirei fundo, e mirei novamente. Ele foi mais rápido. Num movimento seco, me desarmou e me jogou ao chão, o joelho pressionando meu peito.

O cheiro do sangue se misturou ao perfume do couro e pólvora. Ele respirava ofegante, o olhar cravado em mim como uma sentença.

- Quem é você, desgraçado? ele rosnou, arrancando a touca da minha cabeça.

Nossos olhos se encontraram.

Por um segundo, o mundo parou. A expressão dele mudou. Raiva... espanto... e algo mais escuro, indefinido. Mas eu não desviei o olhar.

- Valentina Castiê Bratva, declarei, a voz firme apesar da dor. - O erro foi seu, Marazano. Sempre foi.

Ele apertou ainda mais, o rosto próximo do meu, o olhar frio e sem remorso. - Vamos ver de quem foi o erro, princesa do inferno.

Ordenou que me amarrassem. E enquanto o sangue escorria pelo meu braço, eu o encarei em silêncio. Deixei que ele pensasse que havia vencido.

Mas eu sabia algo que ele não sabia. Eu nunca perco. Eu apenas mudo o campo de batalha.

Quando as portas do galpão se fecharam atrás de mim, arrastada pelos capangas dele, o cheiro da vitória e da vingança já queimava na minha garganta.

O inevitável havia começado. E eu seria o inferno dele.

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Lista de capítulos

115 capítulos no total

  1. Capítulo 1Capítulo 1 ⚔️A BATALHA NO GALPÃO
  2. Capítulo 2Capítulo 2 🏝 A ILHA DO SILÊNCIO
  3. Capítulo 3Capítulo 3 🏠 A CASA DO INIMIGO

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