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Capítulo 3 Um Banho de Cachoeira
O Príncipe Thomas estava seguindo discretamente Júlia e sua dama de companhia. Ele pensou que deveria estar muito entediado para estar seguindo duas mulheres, mas, mesmo assim, continuou acompanhando as duas até que elas saíram das ruas e seguiram em direção ao campo. - Milady, pelo amor dos Deuses! Se Sua Graça descobrir que Milady veio tomar banho de cachoeira, ele nos matará! Além de ser muito perigoso, Milady! - Lia não parava de falar. Júlia, porém, não aguentava mais o calor dentro daquelas roupas. Lembrou-se de que havia uma cachoeira não muito longe dali e decidiu que precisava se refrescar. - Lia, como ele poderia descobrir se você não contar, hein? Então vamos logo, antes que eu morra de calor! Lia não falou mais nada. Apenas acompanhou sua senhora. Não demorou muito até chegarem à cachoeira. Júlia ficou maravilhada com o lugar. A cachoeira estava escondida entre árvores altas e frondosas, cujas copas formavam uma espécie de teto natural sobre aquela parte da floresta. O som da água caindo era constante e agradável, misturando-se ao canto dos pássaros e ao suave movimento das folhas provocado pelo vento. A água descia por uma parede de pedras cobertas por pequenas plantas e musgos, formando uma espécie de cortina cristalina. Na parte inferior, havia um grande poço natural de águas transparentes e tranquilas. Os raios do sol atravessavam as folhas das árvores e atingiam a água, fazendo-a brilhar. Quando a luz incidia sobre a queda d'água, pequenos arco-íris surgiam entre as gotas que se espalhavam pelo ar. Ao redor, havia grandes pedras lisas onde era possível sentar e descansar. Algumas flores silvestres cresciam entre as pedras, acrescentando pequenas manchas de cor à paisagem. O lugar parecia isolado do restante do mundo. Para Júlia, era quase como descobrir um pequeno paraíso escondido. Quando Lia viu Júlia tirando a roupa e correndo em direção à cachoeira, ficou em choque. Não muito longe dali, Thomas também estava surpreso. Ele não podia acreditar que ela estava tomando banho nua, ainda mais em um lugar como aquele. E se outra pessoa estivesse ali? Ao mesmo tempo, porém, ele não conseguia tirar os olhos dela. Júlia ria enquanto sua dama de companhia não parava de falar para que ela saísse da água e se vestisse, pois alguém poderia vê-la daquela maneira. Mas Júlia parecia não ouvi-la. Ela não parava de jogar água em Lia, divertindo-se com o desespero da amiga. Thomas observava tudo escondido entre as árvores. Ela estava tão bonita que, por um instante, ele pensou que parecia uma criatura pertencente àquele lugar. Seu cabelo platinado brilhava sob os raios de sol e se espalhava pelas costas, enquanto ela se divertia na água. Thomas engoliu em seco. Sabia que não era certo ficar observando uma mulher daquela maneira. Muito menos escondido como um ladrão. Aquilo não era algo que um homem decente faria. Ele deveria ir embora. Mas não queria. Uma parte dele continuava ali porque temia que outra pessoa pudesse aparecer e encontrá-la naquele lugar. De alguma maneira, não queria que mais ninguém a visse daquela forma. Thomas realmente não sabia o que estava acontecendo com ele. Por que estava tão interessado naquela mulher? Por que estava escondido entre as árvores, observando-a enquanto ela tomava banho? Ele nunca havia feito algo parecido. Enquanto Thomas estava perdido em seus pensamentos, Júlia saiu da água e começou a correr atrás de Lia, que não parava de reclamar. - Milady, volte aqui! Júlia ria enquanto corria atrás dela. Lia só parou de reclamar quando Júlia finalmente decidiu se vestir. Ela ajudou a senhora o mais rápido possível, olhando para os lados constantemente, com medo de que alguém pudesse aparecer. - Milady perdeu o juízo de vez! Como iremos voltar assim? Céus! Sua mãe vai nos matar se vir a senhora desse jeito! Júlia revirou os olhos para Lia. Apesar de ser sua dama de companhia, Lia parecia ser sua única amiga. As duas passavam muito tempo juntas e, depois de despertar naquele novo mundo, Júlia havia percebido que podia confiar nela. - Minha querida Lia, não se preocupe! Você mesma disse que a mamãe estava com o papai, então ela não irá nos ver! Falou Júlia, olhando para Lia com um sorriso. De repente, Júlia viu uma planta entre as pedras. Ela caminhou até ela, e Lia foi atrás, tentando arrumar suas roupas. Júlia se abaixou e arrancou cuidadosamente algumas folhas. Era uma planta medicinal. Em sua outra vida, Júlia havia sido farmacêutica e sabia manusear plantas para produzir medicamentos e cosméticos. Ela reconheceu aquela planta imediatamente. Em sua época, era muito raro encontrá-la e, quando alguém conseguia, seu preço era bastante elevado. Com aquela planta, poderia produzir alguns tipos de cremes, mas, para isso, precisaria dos equipamentos adequados. E conseguir aqueles equipamentos naquele mundo seria extremamente difícil. Thomas ainda observava Júlia. Ela começou a recolher algumas plantas e flores, parecendo extremamente empolgada. Era quase como se estivesse fazendo compras. Durante aquele tempo observando Júlia, Thomas chegou a uma conclusão. Ela era uma mulher ousada. Além de ser muito bonita. Depois de recolher algumas plantas e flores, Júlia decidiu voltar para o Clã Wang. Thomas esperou até vê-la entrar na mansão do Clã Wang antes de retornar para sua própria residência. Mais tarde, Thomas estava em seu escritório com Marcelo, Bruno e Jonas, seus três amigos de infância. - Thomas, onde você estava? Ficamos aqui esperando por horas! Thomas, você está me ouvindo? - perguntou Marcelo, olhando para os outros ao perceber que o amigo estava distraído. - Thomas, o que aconteceu com você hoje, hein? - perguntou Jonas. Thomas, que ainda estava com os pensamentos em Júlia, olhou para Jonas, que o observava com uma sobrancelha levantada. - Bruno, quero que você descubra tudo sobre a filha mais nova do Duque Roberto Wang com a concubina Ana Wang. Quando os amigos de Thomas ouviram aquilo, ficaram surpresos. - Thomas, por que você quer informações sobre a filha do Duque? Ainda mais sobre a filha de uma concubina? Não me diga que você está interessado nela? - perguntou Bruno, olhando para o amigo. Ele sabia que, desde que sua esposa, Lúcia, havia morrido, Thomas nunca mais fora o mesmo. Ele não demonstrava interesse por nenhuma outra mulher. Mesmo quando seu irmão, o Rei Otávio Gu, tentava convencê-lo a se casar com algumas das jovens dos clãs mais influentes do Reino, sua resposta sempre era a mesma. Thomas nunca havia esquecido sua esposa falecida. E agora estava querendo saber mais sobre uma mulher. Aquilo era muito estranho. - Só quero saber mais sobre ela. Só isso! Hoje a vi na rua com uma das irmãs e, pelo que parece, ela não tem uma vida boa, pela maneira como sua irmã a tratou - falou Thomas. Jonas, que o ouvia, olhou para o amigo com um sorriso. Ele percebeu que Thomas estava muito estranho naquele dia. - O que você quer com ela? Ela não passa de uma filha de concubina. E não é segredo para ninguém que o Duque tem adoração por sua concubina Ana, o que desperta o ciúme da Duquesa Beatriz Wang. Como ela não pode fazer nada contra Ana, acaba descontando na filha, Júlia. Marcelo continuou: - Aparentemente, ela é castigada constantemente, já que não recebe muita atenção do pai, que tem adoração por suas outras filhas. Tanto que ele desfez o compromisso de Júlia com o filho do marquês por causa de sua quarta filha, Ray Wang, filha da Duquesa, que agora está noiva de Miguel. - Espalhou-se pela cidade inteira que Júlia havia caído do cavalo e estava entre a vida e a morte, mas, por um milagre, ela se recuperou totalmente. Thomas ouviu atentamente o amigo. Aquelas informações eram praticamente as mesmas que seu servo havia lhe passado. - Bruno, você vai ou não procurar mais informações sobre ela? Quando Bruno ouviu aquilo, suspirou. - Está bem. Irei procurar. Só me dê alguns dias. Mas não me culpe se eu não encontrar nada, já que não parece haver muita coisa que você já não saiba sobre ela. Mas, como você insiste, farei isso. Ainda não entendi o motivo desse interesse repentino nela. E não adianta dizer que foi porque a viu falando com a irmã, porque nós não vamos acreditar. Então, fale a verdade! Quando Thomas ouviu o amigo, não disse nada. Ele nunca contaria a eles que havia seguido Júlia. Muito menos que a havia visto tomando banho. - Não tem nada demais. Mas, se você não quiser investigar, eu mesmo farei isso - falou Thomas seriamente. Bruno, mesmo não acreditando que não havia nada por trás daquele interesse repentino, não disse mais nada. Mas uma coisa era certa. Thomas estava escondendo alguma coisa deles. Por enquanto, porém, Bruno iria procurar informações sobre Júlia para o amigo.
Isso é tudo que está disponível no momento.
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